11 dezembro 2013

7˚ dia – Viagem à Águas Calientes (Machu Picchu).

         O grande dia finalmente chegou. Vamos para Machu Picchu. Havíamos combinado com o Elias, nosso guia, de nos encontrarmos na Praça de Armas às oito da manhã. Lá estávamos na hora marcada e perfeitamente organizados com mochilas e lanches para viagem. Mas, cadê o Elias? Claro que ele atrasou e depois percebemos o motivo. A Van que nos levaria até a Hidroelétrica de Santa Tereza, no Rio Urubamba, não cabia todos, pois íamos em sete brasileiros, mais cinco argentinos. Atrasamos em quase três horas a nossa saída de Cusco.
         Para ir até Águas Calientes, que fica na base da montanha que dá acesso ao parque de Machu Picchu, há duas grandes formas. Uma é ir de trem de Cusco até Águas Calientes. Pelo que ficamos sabendo é pouco tempo de viagem, super seguro, confortável e caro. Já estávamos de mochilão, preferimos a segunda opção, mais barato, aventureiro e de certa forma até, perigoso. Assim, pegamos uma Van de Cusco até a Hidroelétrica e de lá ainda teríamos que caminhar, seguindo a linha do trem, cerca de duas horas pela floresta até o povoado de Águas Calientes.
         Sinceramente, foi o dia mais do caralho do mochilão. Não imaginava a aventura que seria essa viagem até Águas Calientes. Pensa na descida da serra para Santos/SP, agora retire as grades de segurança na rodovia e depois retire o asfalto. Some-se a isso um motorista com sono (tive que dar meu pacotinho de folhas de coca para ele), mas experiente, apesar de ter parado em uma igrejinha à beira da estrada para pedir proteção, o que seguindo o guia Elias, todos os motoristas fazem e quedas d’agua que atravessavam esta estrada sem asfalto e muitas vezes a interditavam.
         Apesar disso, a paisagem era belíssima, deslumbrante, fenomenal, fantástica. Colamos na janela da van e fotos para todos os lados. Compensa a aventura. O visual é caralho (desculpe o
palavrão, mas não encontrei um palavra para definir melhor!).
         Como toda viagem pelas estradas peruanas, o problema é a falta de infra-estrutura, como banheiros e alimentação ao longo das estradas. Sempre que precisamos de um dos dois, paramos nas casas dos populares e pagamos, por exemplo, pelo uso do banheiro.
         Chegamos à Hidroelétrica no final da tarde. O sol se punha e fomos encaram a caminhada pela floresta, seguindo a linha do trem. Tivemos dois problemas: nem todos caminham no mesmo ritmo e a escuridão da noite chegou logo. Acho que as fotos falam por si. Depois de umas duas horas, chegamos todos vivos à Águas Calientes, que aliás, é um local belíssimo e dotado de toda estrutura turística, no meio das montanhas. Parabéns à engenharia peruana, pois para levar os materiais de construção, não deve ter sido fácil.
         Fomos levados até nosso hostel, tomamos um merecido banho e fomos atrás de janta. Muitas opções e caímos em uma deliciosa pizzaria. Depois, dormir pois no dia seguinte, Machu Picchu nos aguardava.

6˚ dia – Convento, Saqsayhuamán, Q’enqo, Pukapukara e Tambomachay:

         Claro que acordamos com aquela ressaca pós-reveillón e posso garantir, duas xícaras de chá de coca e eu já estava pronto para outra. Ainda bem que nossos passeios neste dia começavam todos após o almoço. Descemos novamente até a Praça de Armas para continuar o passeio pelo Vale Sagrado dos Incas.
         Primeiro fomos até o Convento de Santo Domingo, uma obra gigantesca, no centro de Cusco. Como o próprio nome sugere, se trata de um convento católico, hoje transformado em museu e construído em cima de um antigo templo Inca. O passeio é bacana, muitas relíquias banhadas a ouro e a arquitetura Inca se mistura com a espanhola. O jardim é belíssimo. Nos irritou neste passeio a demora. Estávamos em um grupo com guia, então foi muito enrolado para o nosso gosto.
         Depois, microônibus e pegamos a estrada rumo às outras ruínas Incas. Primeira parada no Parque Saqsayhuamán. Enorme construção de pedras perfeitamente encaixadas umas às outras. Chega a nos deixar a reflexão do “como eles fizeram isso?”. À época Inca, era uma espécie de fortaleza militar de defesa e também templo ao deus Sol. O passeio é belíssimo e a explicação do guia, fascinante. Como dá para perceber pelas fotos, foi um dia de garoa e capas de chuva.
         Próxima parada, Q’enqo. Antigo templo religioso onde se realizavam sacrifícios de animais em homenagem aos deuses. As pedras com sangue ainda estão lá e o lugar é um labirinto interessante. Cheio de explicações mitológicas/religiosas.
         Depois, a alta e gelada Puka Pukana, antigo local de observação devido à sua localização privilegiada no alto de uma montanha. Ventava muito, garoava e o frio dos Andes era intenso.
         Por fim a ainda mais alta Tambomachay, importante pelos seus aquedutos que alimentavam de água limpa outras regiões do Vale Sagrado dos Incas. Mais frio, mais altitude e muita folha de coca para “mascar” e conseguir sobreviver.
         Na volta, ainda paramos em um casebre à beira da estrada para conhecermos a confecção de lãs de Alpacas e Lhamas e claro, fazer umas comprinhas. Chegamos ao Albergue e só pensávamos em dormir, até porque, o outro dia seria ainda mais longo e de mais expectativa. Para aqueles que forem à Cusco, o passeio pelo Vale Sagrado inclui outros lugares que não visitamos por conta do tempo escasso. Informem-se.



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