25 julho 2013

3˚dia – Porto Maldonado – Cusco.

         No dia seguinte, pulamos cedo da cama (como em todos os dias do mochilão), demos uma volta na praça, tomamos café e pegamos mais um torito até a rodoviária, para nossa viagem de ônibus para Cusco (500 km) que saía às 10:00. A rodoviária da cidade é nova.
         A cidade de Porto Maldonado, durante o dia, é bem suja de lama. Por coincidência, os brasileiros que haviam viajado conosco até Assis Brasil, estavam no mesmo ônibus para Cusco.
 A viagem foi surpreendente e muitos sentidos. O asfalto da rodovia era um tapete. O ziguezague de curvas estreitas era intenso. Passamos pela parte amazônica do Peru e entramos na famosa Cordilheira dos Andes. A paisagem mudava a cada minuto. Foi uma experiência super bacana. O ônibus também parava em muitas cidadezinhas do caminho. Mais uma vez, o contato com a realidade local nos fazia pensar sobre o mundo, a vida.
       
         Paramos em uma dessas vilas encravadas nos Andes para almoçar. Era a casa de um dos populares, que fez da sua sala uma espécie de restaurante para os viajantes. A princípio, um choque, mas isso voltou a se repetir o tempo todo do mochilão, afinal a miséria é grande nos dois países e a população local se vira como pode. Apesar do nosso receio e a dificuldade de comunicação, o almoço foi delicioso.
         Seguimos viagem e conforme subíamos a montanha, o frio aumentava e a neve apareceu a ponto de pedirmos para o motorista parar por alguns minutos para descermos, brincarmos na neve e tirarmos algumas fotos. Paramos até para comprar um cacho enorme de bananas por apenas R$ 3,00.

         Chegamos à rodoviária de Cusco já era noite. Pegamos um táxi até a Praça de Armas, local central da cidade e fomos procurar um hostel para dormir, afinal nossa reserva no Albergue Municipal era apenas para o dia seguinte. Batemos em muitos lugares, mas poucos tinham vagas. Acabamos dormindo em um local não muito bom, localizado na Avenida Garcilaso, mas a canseira de mais um dia longo de viagem, nos fez dormir rápido. Antes comemos uma pizza.

20 julho 2013

2˚dia – Rio Branco/AC – Porto Maldonado (Peru)

         O clima a noite foi agradável e deu para descansar da longa jornada do dia entre aeroportos brasileiros. “Acordei” cedo e tomei um “delicioso” banho gelado, às 05:00 e desci ara o primeiro piso conversar com os taxistas e levantar algumas informações sobre como faríamos para ir até a fronteira com o Peru.
         Sabíamos que havia um ônibus direto de Rio Branco para Cusco pela Movil Tour, mas só dois dias da semana e tem que comprar passagem antecipadamente. Impossível no nosso caso. Os taxistas cada um fez um reço para nos levar de táxi até a fronteira, mas foram sinceros em dizer que havia ônibus de duas companhias que saíam logo cedo.
         Decidimos viajar pela Real Norte o trajeto entre Rio Branco e Assis Brasil (340 km), última cidade na fronteira com o Peru. Na fila conhecemos um francês que estava na Amazônia e indo para Machu Picchu e um paulista que teve a mesma idéia que nós. Pagamos R$ 40,00 na passagem e o ônibus era do tipo “ingá-pinga”. O entra e sai de pessoas da localidade foi divertido. Conversamos com muitos populares (outra parte boa do mochilão: conhecer pessoas!), sobre o Acre, sobre a economia do lugar, a vida no Estado, etc. Passamos por muitas vilas, floresta amazônica, fazendas de gado, cidades (inclusive a do grande Chico Mendes). Conhecemos outros brasileiros que também seguiam para Cusco. “Almoçamos” em uma vendinha de estrada, super modesta. A paisagem pelo interior do Acre foi o primeiro momento de reflexão (outra parte boa do mochilão: conhecer a realidade!).
         O ônibus nos deixou na Alfândega entre Assis Brasil e Iñapari (Peru), acredito que por volta das 15:00. Passamos pela Polícia Federal e muitos taxistas e muitos Toritos (moto tradicional do local) faziam o trajeto até Iñapari e a Alfândega peruana, onde também fizemos o primeiro câmbio dolar-sole. Na cidade, alugamos uma Van para nos levar (passamos a ser em sete, com o novo amigo paulista) até a cidade de Porto Maldonado (220 km), no Peru, onde dormiríamos. Pagamos algo em torno de R$ 40,00 por pessoa também pelo trajeto.
         A viagem foi a primeira aventura. Um Van minúscula, com o combustível acabando, nós super apertados, chovendo, pneus carecas (padrão no Peru e Bolívia), cheiro de queimado na Van, nós com pena do tiozinho, até porque vimos que era o ganha-pão dele e no som, o clássico peruano: Marisol. No fim, até gostei do som!
         Chegamos por volta das 18:30 em Porto Maldonado. A Van nos deixou numa avenida onde haviam várias empresas de ônibus que faziam o trajeto até Cusco. Andamos, pesquisas e quando nos cansamos, decidimos comprar pela Civa turismo. Não sabíamos onde trocar mais dólares-soles, então pedimos ajuda para a polícia de Porto Maldonado. Nos levaram em cima de uma caminhonete, fizemos o câmbio a noite a casa de uma sujeito, pegamos o torito e fomos para a praça central de Porto Maldonado.
        Há alguns hostels na cidade. Estamos muito cansados para sair procurando preço e nos hospedamos logo no Puesta Del Sol. Local agradável e preço a cerca de 30,00 a pernoite. Dentro do lugar ainda funciona um barzinho. Subimos, tomamos banho e descemos comer na lanchonete que funcionava em baixo. O primeiro contato com uns tipos estranhos de milho como aperitivo e a primeira Cusqueña, cerveja peruano muito boa. O lanche não era dos melhores, principalmente para nós de Maringá, acostumados com exagero. Mas deu para matar a fome. Depois fomos dar uma volta rápida no centro e resolvemos papar no barzinho, que tinha rock e alguns drinques interessantes.

         Depois de um dia longo, precisávamos dormir.

19 julho 2013

Mochilão Peru e Bolívia – 2013

         Fazer um mochilão é o sonho de muitas pessoas. Aventura, liberdade, novas amizades, paisagens inesquecíveis, muita história e outras coisas mais pra contar é o que procuram os mochileiros. Cresci sonhando com o dia que conheceria Machu Picchu. Sempre assistia aos documentários sobre o tema. Tempos atrás cheguei a planejar uma ida, mas não deu certo.
         Meados de 2012, com uns amigos, começamos a planejar o mochilão. Procuramos e encontramos muitas dicas pela internet, livros e manuais de viagem. Roteiros foram sendo pensados a partir de outros que foram nos passando.
         Abaixo, vou tentar explicar por dia o que fizemos, como fizemos e o que achamos da viagem. Espero que sirva para que outros possam fazer também o seu mochilão. Saliento que todos os valores/preços aqui citados são aproximados, pois não lembro exatamente.

Preparativos:

         Tivemos um roteiro básico, com cidades por onde passar, passeios por fazer, dias por ficar e previsão de gastos. Claro que na prática, as coisas iam mudando e acontecendo, até porque esta é a graça de se fazer um mochilhão: o improviso. Levamos em média mil dólares cada um, uma mochila grande com roupas e outra menor para andarmos no dia-a-dia. Alguns tiraram passaporte, mas não é obrigatório. Tiramos o devido Certificado Internacional de Vacinação. Sonhos na cabeça e coragem na cara para começar.

1˚ dia – Maringá/PR – Rio Branco/AC:

         Muitos mochileiros que vão para Machu Picchu, entram pelo Trem da Morte, via Bolívia, passam por La Paz, Copacabana e depois Cusco, para então ir à Machu Picchu e depois fazem o mesmo ou um caminho parecido pra voltar. Resolvemos fazer diferente. Voamos à Rio Branco, no Acre e fomos “descendo o mapa”.

         Cada um de nós, éramos em seis pessoas, se virou para chegar até Rio Branco no Acre. Eu mesmo voei pela Tam, saindo de Londrina dia 27/12 Todos nos encontramos no aeroporto da capital às 00:30 já do dia 28/12 de 2012. De lá, pegamos um van a R$ 10,00 por pessoa e seguimos direto para a rodoviária. Atravessamos a cidade. A rodoviária havia sido recém inaugurada, era meio afastada da cidade, então não tinha movimento (apenas uns dois funcionários e outros pouquíssimos taxistas), muito menos hotéis ou pousadas próximas. Tivemos que subir para o segundo piso e dormir nos bancos.



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