25 outubro 2012

Em defesa do Bolsa Família.

Outro dia a cidade de Maringá recebeu a visita da Ministra do Desenvolvimento Social. Fui lá ver o que ela tinha para falar e algumas informações são tão importantes, que preciso compartilhá-las.

O Ministério do Desenvolvimento Social é o Ministério que cuida dos pobres. É quem faz, organiza e financia os programas sociais do Governo Federal. No último ano do governo FHC/PSDB, o Ministério teve um orçamento de R$ 6 bilhões de reais. No ano passado, no governo DILMA/PT, o Ministério teve um orçamento de R$ 60 bilhões de reais. Em dez anos, o gasto do Estado brasileiro com a população menos favorecida aumentou consideravelmente. Méritos para o atual governo de centro-esquerda.

O Bolsa Família é programa social mais abrangente do que a imprensa diz e a maioria das pessoas pensam. Para cada R$ 1,00 colocado nas mãos dos pobres, voltam para a economia brasileira, R$ 1,44. O cidadão que recebe o Bolsa Família não guarda o dinheiro na poupança. Ele gasta, seja com comida, roupas, cadernos, pinga. Ou seja, a pessoa que recebe este direito, movimenta a economia, gera empregos, aumenta a produção.

Se todas as pessoas que recebem a Bolsa comprassem pinga, o bar da esquina teria mais movimento, precisaria contratar mais um funcionário; ao vender mais, o bar precisa comprar mais pinga, logo, o alambique precisa produzir mais; para o alambique produzir mais, precisa de mais funcionários, gerando assim mais emprego; para produzir mais, o alambique precisa de mais matéria-prima, logo, o fazendeiro plantador de cana produzirá mais, tendo lucro e gerando mais empregos. Isso serve para os demais setores da economia. O fazendeiro/comerciante que critica o Bolsa família, ou é hipócrita ou é desinformado.

Imaginem uma cidade de pequeno porte, onde 200 famílias são atendidas pelo programa. Digamos que cada uma receba R$ 100,00. Por mês, são R$ 20 mil reais colocados nas mãos dos pobres da cidade, que vão gastar na farmácia, açougue, papelaria, mercado, bar, confecções, etc... é uma revolução e tanto para o comércio local.

Outro argumento dos críticos é que tem muita gente que recebe Bolsa do Estado e não quer ir trabalhar. Você leitor, trocaria um salário mínimo por uma Bolsa de R$ 100,00? Então não generalize as coisas. Claro que tem gente que recebe a Bolsa e se acomoda, mas é a grande minoria que age assim.

O Governo não deveria dar o peixe, mas sim, ensinar a pescar, também argumentam os críticos. Concordo. Mas ao mesmo tempo, saco vazio não para em pé. O Bolsa Família é emergencial, para que uma parcela grande de brasileiros não morra de fome. Além disso, o Governo oferece cursos profissionalizantes para os beneficiários do programa e muitos ascenderam socialmente e não precisam mais receber a Bolsa.

Mas tem gente que não precisa e recebe. Pois bem, o Governo Federal concede a Bolsa Família para a parcela da população brasileira que vive com até 25% do salário mínimo, ou seja, a parcela da população que vive com até R$ 155,50 por mês. Menos de R$ 5,00 por dia! Quem cadastra as famílias é a Assistência Social dos municípios, o Governo Federal apenas repassa a verba. Outra condição, é manter os filhos na escola, onde bem ou mal, estão aprendendo alguma coisa.

Ao criar o Bolsa Família, o Governo não está tendo uma grande idéia. Está apenas cumprindo a Constituição Federal, dando uma mínima condição de vida à parcela da população que precisa de ajuda para comer. O Bolsa Família brasileiro tem servido de modelo para outros países. Sim, somos exportadores de coisas que dão certo e países da África e Ásia estão copiando a nossa idéia.

Por fim, mas não menos importante. Mais que um direito legal/constitucional destas pessoas; mais do que um dever moral do Estado para com estas pessoas; alimentar os famintos é um principio mais antigo, cristão, afinal, Jesus teria dito para aqueles que o seguem, dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede e de vestir a quem não tem roupas. Se você critica o Bolsa Família e freqüenta a Igreja, por favor, ou pare de criticar o programa ou pare de freqüentar a Igreja.

24 outubro 2012

Pingos nos is:


Quem vota no PT está concordando com o “mensalão”? Então quem vota no PSDB está concordando com as privatizações; quem vota no PP é fã do Maluf; quem vota no PMDB é fã do Sarney e dos coronéis; quem vota no DEM ou PSD sente saudades da ditadura; quem freqüenta a Igreja Católica defende a Inquisição e faz vistas grossas aos padres pedófilos; quem freqüenta Igreja Evangélica é manipulado por pastores falcatruas, etc...

17 outubro 2012

Tudo para mim, nada para os outros:

É comum ver pessoas desinformadas ou preconceituosas, criticando os programas sociais do Governo Federal, Estadual ou Municípios. Digo desinformadas por que não conhecem a Constituição Federal e preconceituosas por que querem políticas públicas apenas para eles e para a classe que pertencem e não para a massa de famintos.

O artigo 3º da Carta Magna traz os objetivos fundamentais do Brasil. Entre eles estão o de construir uma sociedade livre, justa e solidária, erradicar a pobreza, reduzir as desigualdades sociais e promover o bem de todos. Assim, a função do Governo é cumprir a lei e a lei diz que o Estado deve trabalhar por uma sociedade sem miséria. Ao instituir um programa social qualquer, o Governo não está fazendo assistencialismo, está sim cumprindo a lei.

O Estado existe para apaziguar as classes sociais. Como nos ensinou Marx, a história de todos os povos, até hoje, é a história da luta de classes. Assim, o Estado utiliza da riqueza coletiva (impostos pagos por ricos e pobres) para fazer políticas públicas que beneficiem tanto os ricos, como os pobres.

Ora, mas o Bolsa Família está ajudando apenas os pobres. Ledo engano. O Bolsa Família gera consumo, emprego e produção, ou seja, no fim das contas, o rico/burguês/fazendeiro produz mais, vende mais e lucra mais.

Mas, caso o Bolsa Família, que é uma política pública ajudasse apenas os pobres, a redução do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados), que é uma política pública, não ajuda apenas a classe média/alta? Vejamos, quando o Governo reduz o IPI, ele deixa de arrecadar impostos (que são destinados para as benfeitorias coletivas) e ajuda o consumidor de classe média/alta a comprar um carro zero, mais barato. Ou seja, o carro que custava R$ 36 mil reais, sai por R$ 34 mil. Em outras palavras, o Governo, com a política pública de redução do IPI, “deu” para o cidadão de classe média/alta R$ 2 mil reais para ele comprar um carro zero.
A classe média/alta adora uma redução de IPI para comprar carro zero, pois lhe favorece, mas critica o Bolsa Família que ajuda o pobre a comprar comida. Típico do pensamento egoísta/individualista que toma conta da nossa sociedade contemporânea.

12 outubro 2012

Cadê os eleitores?


Dos 399 municípios do estado do Paraná, a nossa cidade de Nova Londrina foi a que teve o segundo mais índice de abstenção na eleição municipal do último domingo. Ao todo, 22,31% dos novalondrinenses inscritos na Justiça Eleitoral, aptos a votar, não compareceram. Em números, é um total de 2329 pessoas não compareceram às urnas.

Em uma observação na longa duração, como nos ensinou o historiador Braudel, percebemos um crescente número de brasileiros descrentes com o sistema eleitoral e também com os políticos. Vamos concentrar nossa análise em Nova Londrina.

O número é grande. Seria suficiente para mudar o resultado das eleições. Cadê os eleitores? O número de mais de dois mil novalondrinenses que não compareceram às urnas, acredito que não reflete necessariamente um descrédito em relação à política local. Penso que, quem vota em Nova Londrina e reside na cidade ou cidades próximas, compareceu, nem que seja para votar em branco ou nulo.

Acredito que o grande número de abstenções se deve ao fato de muitos cidadãos novalondrinenses residirem atualmente fora e longe da cidade. Como nosso município não possibilita muitas liberdades de expressão, possibilidade de emprego, de estudos, de crescimento profissional, muitos filhos da nossa terra são forçados a migrar na tentativa de ganhar a vida. Estão em grandes centros urbanos do Brasil ou até espalhados pelo mundo, não por opção própria, mas sim por falta de oportunidades locais.

Assim, o grande número de faltosos reflete, em minha opinião, o quão mal está a cidade em questão de oportunidades trabalhistas, estudantis, políticas e econômicas. Ter abstenções é normal, o que não é normal é o grande número delas.

11 outubro 2012

Crônica de uma derrota anunciada:


Falar depois dos acontecimentos é fácil. No entanto, o que vou falar aqui, já havia confidenciado para amigos mais próximos meses atrás. A oposição em Nova Londrina perdeu para ela mesma e não para o atual prefeito reeleito.

Digo isto pois, como já nos referimos em outro post, o número de votos que a oposição somada obteve, foi bem maior que o número de votos do atual prefeito reeleito no domingo. A oposição não soube se articular e se unir. Os motivos? Vários...

Minha análise nada imparcial, afinal de contas não existe imparcialidade, é de que o troianismo, investido de uma leitura equivocada da conjuntura política local, acreditou que “o velho” ainda possuía o mesmo prestígio de outros tempos. Erraram feio. Insistiram em uma candidatura naufragada jurídica e eleitoralmente. Some-se a isso, a insistência dos novos comandantes tucanos na cidade, que atravessaram o samba da oposição que tentava se articular.

Não souberam, “os velhos mestres da política novalondrinense” observar/admitir ou fizeram questão de tapar o Sol com a peneira, que somente o Professor Roberto seria capaz de aglutinar a maior parte dos descontentes com a atual administração. Insistiram em uma alternativa ultrapassada diante das mudanças que o país observou nos últimos anos. Os eleitores mais jovens não queriam “o velho”, queriam o novo, o sem “rabo preso”, o ficha limpa.

A história não os absolverá!

10 outubro 2012

O fim do troianismo.


Se tem alguém que sai definitivamente derrotado das urnas novalondrinenses neste domingo, é o troianismo. Como todos sabem, a política em Nova Londrina circulou nos últimos trinta anos, em torno desta figura popular, emblemática, que gera ao mesmo tempo ódios e paixões. Em 2012, seja pelos votos, seja pelo tempo, o troianismo acabou. Muitos ficaram órfãos e choraram durante a madrugada, enquanto outros ficaram com as gengivas enxutas de tanto darem risadas.
 
A primeira derrota é moral. Insistiu em dizer que era candidato, que podiam confiar nele, que podiam votar nele, mas não foi o que descobriram seus eleitores quando viram o resultado oficial no site do TSE, onde seus votos aparecem como nulos.

A segunda derrota é o racha e o enfraquecimento dos que sobraram em seu grupo político. Muitos dos apoiadores de sempre, cerraram fileiras com o prefeito reeleito, outros ainda com o candidato da terceira via. Os corajosos e fiéis que sobraram, saíram ainda mais cabisbaixos e com poucos votos, do que quando entraram.

A terceira derrota é eleitoral mesmo. Propagavam aos quatro cantos da cidade que estavam sempre na frente, que o povo queria a “volta do velho”, mas as urnas não confirmaram esta expectativa ingênua. De todas as coligações de vereadores, a que lhe apoiou foi a que teve menos votos e elegeu menos vereadores. Aliás, o vereador eleito, por mais que seja seu irmão, deve a vitória pelo bom trabalho humanista que desenvolveu à frente da secretaria de Saúde por longos oito anos. Os demais, que tentaram colar sua candidatura na imagem do “velho” não obtiveram sucesso.

Sai de cena assim, um dos ícones da história política de Nova Londrina. Seu legado nunca será esquecido, suas conquistas e desconquistas serão motivo de discussões acirradas ainda por um longo tempo.

09 outubro 2012

Pior que ta, não fica?


O título do post é uma alusão clara ao slogan do então candidato à deputado federal, Tiririca. Mas o assunto aqui é a composição da nova câmara de vereadores de Nova Londrina.

Algumas pessoas ainda pensam que a função do vereador é apoiar ou ser oposição ao prefeito. Nem um, nem outro. A função do vereador é legislar e fiscalizar o executivo municipal, ser a voz do povo. Pois bem, a legislatura que se encerra este ano entrará para a história de Nova Londrina como uma das mais submissas aos interesses do executivo municipal. Mas, como águas passadas não movem moinhos, nos cabe aqui fazer projeções sobre os eleitos neste domingo.

Dos sete vereadores que tentaram a reeleição, apenas dois conseguiram. Importante observar que os dois em questão, apesar das fortes denúncias de terem recebido verbas ilegais de diárias e estarem respondendo processo por isso, possuem um grande trabalho de inserção social na camada mais carente da população (ok, podem chamar isso de assistencialismo, mas o fazem!). Além disso, muitos dos que tentaram a reeleição, tiveram uma votação bem baixa, o que reflete a desaprovação popular às suas atitudes no legislativo.

Assim, a renovação é grande, ou não. Dos outros sete eleitos, três já foram vereadores em legislaturas passadas e agora voltam à câmara e outro ainda é ex-prefeito e ex-secretário municipal de saúde. Assim, dos eleitos no domingo, apenas três deles representam de fato, uma renovação na câmara de vereadores de Nova Londrina.

Agora, a questão que fica é se os vereadores eleitos terão a vontade e a coragem necessária para realmente fiscalizar as contas do executivo municipal ou serão, como outros, meros faladores de “améns” sobre o que lhes apresentar o paço municipal. Pior que ta, não fica?

08 outubro 2012

Os desafios do prefeito reeleito:


Fim do conturbado período eleitoral na cidade de Nova Londrina, o povo falou através do voto e decidiu quem governará a cidade pelos próximos quatro anos. Para aqueles que, como eu, tentam avaliar os acontecimentos passados, só resta os números das urnas para analise. Vamos a eles.

Se olharmos apenas os votos válidos, ou seja, aqueles que foram computados para os candidatos que podiam receber votos no pleito ao Executivo, não há duvidas que Dornelis Chiodelli venceu com ampla maioria, ou seja, 62,16% dos votos e contou com o apoio de seis partidos políticos, quase a metade dos que estavam disputando, além de contar com a máquina municipal, o que não podemos negar é um fator de ajuda considerável.. No entanto, a análise tem que ser mais detalhada.

Na cidade de Nova Londrina, votaram um total de 8111 eleitores. Destes, o prefeito eleito obteve 3356 votos. Tal número significa que o prefeito eleito não contou com a maioria dos votos dos eleitores novalondrinenses, uma vez que a soma dos seus adversários, brancos e nulos é de 4755. Uma diferença considerável contra o prefeito reeleito.

Diante disso, Dornelis Chiodelli continua administrando uma cidade triplamente dividida, onde a maioria do eleitorado não aprovou a sua administração anterior, pois caso o tivessem, teriam votado nele e não nos concorrentes ou em branco e nulo. Agora, são mais quatro anos para tentar reverter o quatro e fazer o sucessor, que provavelmente será o vice-prefeito eleito neste domingo.



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