26 junho 2011

Violência gera violência!

Sábado, por indicação de um amigo, assisti ao filme “Bobby” que trata do assassinato, em 1968 do senador Robert Kennedy, defensor da igualdade entre brancos e negros na segregada sociedade estadunidense da época. Ao final do filme, uma fala de Bobby Kennedy me deixou os olhos cheios de lágrima. Transcrevo abaixo para a reflexão de todos nós. Vale a pena!

"Não é um dia para a política. Guardei esta oportunidade, foi meu único compromisso do dia, para falar-lhes brevemente sobre a ameaça irracional da violência nos EUA que mancha a nossa terra e nossas vidas.

Isso não diz respeito a nenhuma raça em particular. As vítimas da violência são negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos, famosos e desconhecidos. São, acima de tudo, seres humanos a quem outros seres humanos amaram e de quem precisam. Ninguém, não importa onde viva ou o que faça, pode saber quem será o próximo a sofrer com o derramamento de sangue sem sentido. No entanto, continua sem parar neste nosso país. Por quê? O que se conseguiu com violência até agora? O que ela gerou?

Cada vez que uma vida americana é tirada sem necessidade por outro americano, seja em nome da lei, ou desafiando a lei, por um homem ou um grupo, a sangue frio ou por impulso, num ataque de violência, ou como resposta à violência, cada vez que rasgamos o tecido de nossas vidas, que outro homem com dor e sofrimento, teceu para si próprio e para os filhos, cada vez que fazemos isso, então toda a nação de degrada.

Porém, toleramos o crescente índice de violência que ignora tanto a humanidade que temos em comum quanto o desejo de sermos civilizados. Muitas vezes, defendemos a arrogância, a desordem e aqueles que excedem a força. Muitas vezes, justificamos aqueles que estão dispostos a construir as próprias vidas às custas dos sonhos esmagados de outros seres humanos.

Mas não resta dúvida de que a violência gera violência, a repressão gera represálias e só a purificação de toda a nossa sociedade pode remover essa doença de nossas almas.

Porque se ensinar um homem a odiar e temer o próximo, se ensinar que ele é um homem inferior pela sua cor ou suas crenças ou pela ideologia política que ele segue, se ensinar que quem é diferente ameaça a sua liberdade, o seu trabalho, a sua casa ou a sua família, então estará aprendendo a tratar os demais não como cidadãos, mas como inimigos. Não à colaborar reciprocamente, mas sim a derrotar. A ser subjugado e dominado.

Aprendemos, por último, a ver nossos irmãos como estranhos. Estranhos com quem dividimos a cidade, mas não a comunidade. Pessoas com quem dividimos o espaço, mas sem esforço em comum. É impossível acreditar. Aprendemos a compartilhar apenas um medo em comum, apenas o desejo em comum de nos afastarmos uns aos outros. O impulso em comum de reagir às diferenças com a força.

Nossas vidas neste planeta são muito curtas. A missão a ser realizada é grandiosa demais para permitir que este espírito siga prosperando nesta nossa terra.

È claro que a solução não é um programa de governo, nem uma votação, mas talvez possamos lembrar nem que seja por um segundo, que os que vivem conosco são nossos irmãos que compartilham conosco a mesma vida passageira, que eles procuram, como nós, nada mais do que a oportunidade de viver suas vidas com propósito e felicidade, ganhando a satisfação e a realização que puderem.

Sem dúvida, este vínculo de destino comum, com certeza este vínculo de metas em comum, pode começar a nos ensinar alguma coisa. Seguramente podemos aprender pelo menos a olhar à nossa volta e realmente ver o próximo. Aí poderemos nos esforçar um pouco mais para curar as feridas entre nós, nos transformando de todo coração em irmãos e compatriotas outra vez."

Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História.

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