28 junho 2011

Aforismos:

Uma vez uma aluna minha na universidade falou: “Eu acho um absurdo uma pessoa fazer isso” [operação de mudança de sexo]. E eu disse: “Olha, você não nasceu com o cabelo liso e está com o cabelo alisado e pintado de vermelho. Você recorre a artifícios para ficar mais bonita, então dê o direito ao outro de fazer a mesma coisa”. Uma mulher que põe silicone no peito e no bumbum, que usa botox, não tem moral para criticar uma pessoa que constrói uma identidade feminina por base de artifícios, da intervenção no corpo.

Jean Willis – Deputado Federal pelo PSOL/RJ em entrevista à Revista Caros Amigos.

26 junho 2011

Violência gera violência!

Sábado, por indicação de um amigo, assisti ao filme “Bobby” que trata do assassinato, em 1968 do senador Robert Kennedy, defensor da igualdade entre brancos e negros na segregada sociedade estadunidense da época. Ao final do filme, uma fala de Bobby Kennedy me deixou os olhos cheios de lágrima. Transcrevo abaixo para a reflexão de todos nós. Vale a pena!

"Não é um dia para a política. Guardei esta oportunidade, foi meu único compromisso do dia, para falar-lhes brevemente sobre a ameaça irracional da violência nos EUA que mancha a nossa terra e nossas vidas.

Isso não diz respeito a nenhuma raça em particular. As vítimas da violência são negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos, famosos e desconhecidos. São, acima de tudo, seres humanos a quem outros seres humanos amaram e de quem precisam. Ninguém, não importa onde viva ou o que faça, pode saber quem será o próximo a sofrer com o derramamento de sangue sem sentido. No entanto, continua sem parar neste nosso país. Por quê? O que se conseguiu com violência até agora? O que ela gerou?

Cada vez que uma vida americana é tirada sem necessidade por outro americano, seja em nome da lei, ou desafiando a lei, por um homem ou um grupo, a sangue frio ou por impulso, num ataque de violência, ou como resposta à violência, cada vez que rasgamos o tecido de nossas vidas, que outro homem com dor e sofrimento, teceu para si próprio e para os filhos, cada vez que fazemos isso, então toda a nação de degrada.

Porém, toleramos o crescente índice de violência que ignora tanto a humanidade que temos em comum quanto o desejo de sermos civilizados. Muitas vezes, defendemos a arrogância, a desordem e aqueles que excedem a força. Muitas vezes, justificamos aqueles que estão dispostos a construir as próprias vidas às custas dos sonhos esmagados de outros seres humanos.

Mas não resta dúvida de que a violência gera violência, a repressão gera represálias e só a purificação de toda a nossa sociedade pode remover essa doença de nossas almas.

Porque se ensinar um homem a odiar e temer o próximo, se ensinar que ele é um homem inferior pela sua cor ou suas crenças ou pela ideologia política que ele segue, se ensinar que quem é diferente ameaça a sua liberdade, o seu trabalho, a sua casa ou a sua família, então estará aprendendo a tratar os demais não como cidadãos, mas como inimigos. Não à colaborar reciprocamente, mas sim a derrotar. A ser subjugado e dominado.

Aprendemos, por último, a ver nossos irmãos como estranhos. Estranhos com quem dividimos a cidade, mas não a comunidade. Pessoas com quem dividimos o espaço, mas sem esforço em comum. É impossível acreditar. Aprendemos a compartilhar apenas um medo em comum, apenas o desejo em comum de nos afastarmos uns aos outros. O impulso em comum de reagir às diferenças com a força.

Nossas vidas neste planeta são muito curtas. A missão a ser realizada é grandiosa demais para permitir que este espírito siga prosperando nesta nossa terra.

È claro que a solução não é um programa de governo, nem uma votação, mas talvez possamos lembrar nem que seja por um segundo, que os que vivem conosco são nossos irmãos que compartilham conosco a mesma vida passageira, que eles procuram, como nós, nada mais do que a oportunidade de viver suas vidas com propósito e felicidade, ganhando a satisfação e a realização que puderem.

Sem dúvida, este vínculo de destino comum, com certeza este vínculo de metas em comum, pode começar a nos ensinar alguma coisa. Seguramente podemos aprender pelo menos a olhar à nossa volta e realmente ver o próximo. Aí poderemos nos esforçar um pouco mais para curar as feridas entre nós, nos transformando de todo coração em irmãos e compatriotas outra vez."

Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História.

21 junho 2011

Respeito é bom e todo mundo gosta!

Diante dos fatos ocorridos recentemente na política de Nova Londrina, republico aqui um texto postado em 12-09-2010, quando os ânimos também estavam exaltados. Como parece que à época nossos representantes não o leram, abaixo mais uma oportunidade para refletir.

Sobre passado, parlamento e civilidade:

Diante dos recentes acontecimentos...

Para que serve o passado?
Simplificando, serve para não repetirmos no presente os mesmos erros e com isso podermos construir um futuro melhor. É preciso relembrar o passado, mas não devemos ficar remoendo sempre a mesma coisa e colocando no passado, a culpa dos nossos problemas presentes. Mais, não devemos repetir no presente, o que achávamos errado no passado e dar como justificativa para nossos atos, que no passado acontecia a mesma coisa e ninguém falava nada.

Para que serve o parlamento?
Do latim “parlare” que significa “falar”. Historicamente o parlamento foi criado para que o povo, através de seus representantes eleitos pudesse ter um lugar para falar e ser ouvido pelo governante. É no parlamento que se discutem os assuntos de interesse geral da população. Para aqueles que acompanham a TV Senado, podem perceber que, apesar do tempo regimental para os pronunciamentos, o presidente sempre concede o tempo necessário para que um parlamentar complete o seu raciocínio, nem que isso demore. Já vi reuniões acabarem na madrugada, afinal, é necessário debater e são bem pagos para isso. Também, mesmo entre os adversários, são concedidos “apartes” às falas, afinal, sabem os nossos senadores que o parlamento é o lugar do DEBATE e da troca de idéias e argumentos.

As pessoas que fazem parte do parlamento são escolhidas pelo povo, portanto, gostemos ou não de todos eles, merecem o nosso respeito. Por trás de cada parlamentar, existem cidadãos que votam nele. Desrespeitar um parlamentar é também desrespeitar os eleitores que o escolheram.

O parlamento faz parte do PODER LEGISLATIVO. Os três poderes, Legislativo, Executivo e Judiciário são independentes e harmônicos entre si. Não pode o membro de um poder, em hipótese alguma, faltar com o respeito ao membro de outro poder. Quando isso acontece, o sujeito está na verdade desrespeitando todo o poder constituído, a república e a democracia. Por exemplo, quando um membro do Executivo desrespeita um membro do Legislativo, está atacando todo o Poder Legislativo e vice-versa.

Para que serve a civilidade?
Do latim, “civile” que designava o habitante da cidade. A civilidade é uma espécie de “código de conduta” para que todas as pessoas possam conviver minimamente em harmonia. Apesar das diferenças de opinião, cor, sexo, partido, religião, time de futebol, etc, é a civilidade que garante o respeito mútuo e a integridade da sociedade.

Quando os cidadãos perdem a civilidade, ou seja, perdem o respeito entre si, estamos a um passo do caos social e da guerra. Quem não sabe ouvir ou conviver com as diferenças, opiniões e críticas, também não sabe viver em sociedade. Para aqueles que não aceitam isso, damos o nome de fascistas (não nos esqueçamos de Hitler e Mussolini). Lembrem-se, sem a civilidade, a vida em sociedade não existe e voltamos ao tempo das cavernas.

Por: Cássio Augusto Guilherme – Professor e mestrando em História pela UEM.

07 junho 2011

Formação ou deformação docente?



Uma pesquisa empreendida numa universidade paulista revelou que os estudantes de Letras e Pedagogia, quando terminam seus cursos, não dispõem de um acervo pessoal com as obras fundamentais de suas áreas de estudo. Não bastasse a precariedade dos cursos, ou decerto por isso mesmo, os estudantes se formam (se é que se formam) praticamente sem saber os principais conceitos da área e, pior, desprovidos de qualquer recurso bibliográfico aos quais possam consultar em momentos de dúvida.

Os estudantes de Letras, por exemplo, não têm em casa uma única gramática tradicional e, quando têm, é alguma edição antiga, dos anos 1960, de quando os pais estudaram os poucos mais que estudaram, já que a retumbante maioria desses estudantes, vêm de famílias com baixa escolaridade e até com escolaridade nenhuma. Não se importam em comprar o telefone celular mais sofisticado, mas quando se trata de comprar livros, fazem sempre um pequeno escândalo que são muito caros (e são mesmo!). O que for possível xerocar, mesmo sendo obra disponível no mercado, é xerocado (um verbo que soa tão feio e que remete mesmo à obscenidade do que significa). O que for possível copiar e colar da internet é copiado e colado e entregue como trabalho final de disciplina. E aceito alegremente por muitos professores.

É verdade que 70% dos estudantes de Letras só estão na universidade para conseguir um diploma superior e tentar outra coisa depois (em Brasília, paraíso do funcionalismo público, o sonho dourado é sempre passar num concurso). Não admira, sendo a educação brasileira o que é: uma tragédia ecológica pior do que as queimadas da Amazônia. O mais trágico é que se forma com tudo isso um círculo vicioso e viciado: estudantes vindos de uma escola pública péssima entram em cursos universitários péssimos e recebem uma formação que é mais uma deformação que qualquer outra coisa. Saem diplomados, não conseguem lugar no mercado de trabalho, porque não têm formação suficiente, e vão tentar a sorte no magistério, último reduto de quem não consegue coisa melhor na vida. E lá vão essas pessoas ensinar (o quê?) aos alunos da rede pública, que já é uma rede mais do que rasgada e furada, por onde os peixes escapam, felizes da vida.

Enquanto nada for feito para dignificar a profissão docente, e enquanto os cursos de Pedagogia e Letras não forem implodidos para em seu lugar surgirem verdadeiras escolas de formação docente, vamos continuar sendo uma das dez maiores economias do mundo e o 85º país em qualidade educacional.

Por Marcos Bagno – lingüista – Revista Caros Amigos de Abril de 2011.

03 junho 2011

Pedágios no Paraná:

É publica a minha revolta quanto aos pedágios. Sou radicalmente contra e por vários motivos. Ano passado me referi sobre isso no Blog.

Na sua edição de domingo, o jornal Gazeta do Povo traz alguns números interessantes sobre os pedágios paranaenses. Vamos a eles:

_ Preço do pedágio triplicou em 12 anos;
_ A tarifa média no Paraná é de R$ 14,35, enquanto que no Rio Grande do Sul é de R$ 8,75, em São Paulo é de R$ 8,15 e nas rodovias federais é de R$ 6,53;
_ Desde a implantação a tarifa aumentou 185%, enquanto que a inflação no mesmo período foi de 118%;
_ A arrecadação das concessionárias aumentou em 238% enquanto os investimentos em melhorias aumentaram 138%;
_ Em 2010, o lucro das concessionárias foi de 1,2 bilhões de reais.

O que você, caro leitor, pensa a respeito?

Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História.



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