31 maio 2011

A polêmica zona 07 de Maringá – parte II:



As recentes atitudes por parte de alguns maringaenses, que imbuídos de atitudes patrimonialistas, para não dizer outra coisa, continuam gerando polêmica. Concordo com o princípio de que o meu direito termina quando começa o de outra pessoa, mas também, o direito de outra pessoa só começa quando termina o meu.

Abaixo, outro texto que circula no Facebook, mas que infelizmente não consigo identificar o seu autor para lhe dar os parabéns.

Universitário, transfira seu título para Maringá - ASSUMA!

Quinta, 1 de setembro às 18:00 at TRE - Maringá, Brazil.

MANIFESTO UNIVERSITÁRIO

Pessoal, todos têm acompanhado a perseguição que o Prefeito de Maringá tem promovido com os universitários em geral, principalmente os oriundos de outras cidades, numa nítida atitude xenofóbica, como se nós, que muito colaboramos para o crescimento da cidade de Maringá, e muitas vezes adotamos essa maravilhosa cidade para viver no nosso futuro profissional, estivéssemos ocupando o espaço que pertencesse a algum maringaense nato, como se, por sermos originários de outras cidades, fossemos estrangeiros desmerecedores da atenção desta maravilhosa cidade, como se fossemos menos cidadãos que os outros.

Há cerca de 3 ou 4 anos atrás o Prefeito, em uma entrevista a imprensa, descreveu que “todos os universitários da UEM” eram “drogados”, depois a cada manifestação do senhor Prefeito o mesmo continuou a adjetivar os universitários como baderneiros, desocupados e até mesmo marginais. Ninguém fez nada!

Há algum tempo atrás o mesmo incentivou e aprovou uma lei absolutamente Inconstitucional que vedava o universitário da UEM, e somente na UEM, de consumir qualquer bebida que tivesse o menor teor alcoólico, durante o período que iria da sexta feira que antecede o vestibular até seu último dia, prevendo que, espante-se, o fiscal do Município poderia simplesmente confiscar o copo da mão do universitário e descartar no chão. Ninguém fez nada!

Depois, esforçou-se para aprovar uma lei que vedasse a venda de bebidas alcoólicas a menos de 200 metros das Universidades, mas vejam, isentou o poderoso Shopping Avenida Center da aplicação dessa lei, e, pasmem, essa lei foi dirigida SOMENTE aos estabelecimentos localizados próximos às Universidades, ou seja, não se aplicou às escolas de ensino primário, fundamental e médio, que é onde deveria se evitar, de fato, a venda de bebidas alcoólicas, numa clara demonstração de que pretendia se atingir somente os universitários. Ninguém fez nada!

Nos últimos meses tem promovido e incentivado a Polícia Militar, com a ajuda da Guarda Municipal, que tem a única função institucional de vigiar os prédios municipais, a promover arrastões às quintas feiras, na Rua Paranaguá, independente de haver som, barulho ou qualquer desordem, de forma truculenta, para não dizer violenta, empurrando, agredindo, aplicando choque elétrico e utilizando o cacetete, para quem estivesse na rua, como se fosse um toque de recolher, remontando à ditadura militar. Ninguém fez nada!

No último mês ocorreu uma onda de furtos, roubos e assaltos a vários universitários e repúblicas de Maringá, apenas num agravamento do cenário que se repete ano após ano, a Polícia não prendeu ninguém, e, seguindo a linha do Prefeito, em entrevista o Oficial da PM afirmou que a culpa dos crimes é dos Universitários porque promovem festas e acabam não ficando em suas casas, e são baderneiros intelectuais. Ninguém fez nada!

A Zona 7 é uma das regiões mais populosas de Maringá, o segundo maior bairro da cidade em números absolutos de habitantes e o primeiro em densidade demográfica. No entanto, a Prefeitura não tem instalado um único posto de saúde na zona 7, e se não fosse o serviço ambulatorial simples, oferecido pela UEM, todos os habitantes da região estariam sem nenhuma assistência do sistema de saúde público. Limpeza das vias pública, roçada de terrenos vazios, recapeamento asfáltico, reposição de lâmpadas de postes ou mesmo poda de árvores é lenda na Zona 7. Funcionários da Prefeitura na zona 7? Só duas vezes por ano: que são os fiscais durantes os vestibulares. Ninguém fez nada!

Na última semana, vimos que o único bar universitário que ainda resistia as pressões políticas e às arbitrariedades do poder público, único ponto de encontro e diversão dos estudantes universitários da zona 7, fechar suas portas, encerrar suas atividades, por arbitrariedade e ilegalidade da Prefeitura Municipal. Ninguém fez nada!

Ao final do mês de abril o Sr. Prefeito Silvio Barros decidiu que nenhuma festa universitária em chácara seria liberada, mesmo aquelas que sempre preencheram os requisitos para obter os Alvarás. Isto aconteceu em resposta ao pedido de esclarecimentos por parte do Conseg de Maringá, que buscava informações a cerca de uma rave realizada no Parque dos Cerealistas. Deparou-se com uma situação inusitada: a rave, que obteve parte dos Aalvarás da prefeitura, teve a sua disposição máquinas da prefeitura para terraplanar o terreno. Sim, pasmem, uma rave em local absolutamente inapropriado teve o apoio da prefeitura para a sua realização. Tratava-se de evento realizado por um “parceiro” do mais importante secretário municipal. Ou seja, se for amigo de pessoas ligadas ao Prefeito, até rave sem preparo algum de produção pode acontecer.

Neste Sábado, uma festa universitária, promovida por dois centros acadêmicos da UEM, como um dos únicos meios de juntar fundos para realizar suas atividades, em parceria com uma agência de eventos legalmente estabelecida, que preenchia todas as exigências de outros órgãos de segurança e fiscalização, e que seria realizada no mesmo local onde antes já foram liberados eventos, não aconteceu, porque a Prefeitura Municipal sem qualquer amparo legal, decidiu que simplesmente não mais irá liberar eventos universitários, ao arrepio da lei e do princípio da legalidade, impessoalidade e da livre iniciativa. NINGUÉM VAI FAZER NADA?

Até quando vamos ser enxotados e tratados como animais por um Prefeito que tem várias condenações judiciais, inclusive por improbidade administrativa, e que, a rigor, sequer pode ser candidato, porque se enquadra no conceito de “Ficha Suja”?

Qual a moral tem um ímprobo para adjetivar negativamente qualquer classe de pessoas, principalmente aquelas que representam mais de 10% da população local, e que movimentam mais de 20% da Economia da cidade?

Estamos cansados de falar e não ser ouvido, e quando falamos tapam os ouvidos e nos chamam de baderneiros generalizadamente, só por sermos estudantes, sem separar o joio do trigo. É como se chamássemos todos os políticos de corruptos só por serem políticos.

Chega gente, é hora de darmos nosso grito, é hora de sermos ouvidos, e se estão se valendo da Política para nos prejudicar e para nos oprimir, vamos usar da mesma arma para nos libertar, vamos soltar nossa voz. ESTUDANTES VINDOS DE OUTRAS CIDADES, TRANSFIRAM SEU TÍTULO DE ELEITOR PARA MARINGÁ E VAMOS VOTAR AQUI NAS ELEIÇÕES DE 2012!

PS: O “Ninguém fez nada!” comum ao longo do texto me fez pensar um pouco aqui. Se estivéssemos nos anos 1980 quando a juventude universitária ouvia coisas como Legião Urbana, Titãs, Plebe Rude, Engenheiros, Capital Inicial, Biquini Cavadão, Paralamas do Sucesso, Raul Seixas, etc, ao invés de coisas como “ó o pente, ó o pente, ó o pente”, “O meu pai ta muito bravo, diz que o curso não acaba” ou “nóis é beberão, nóis é cachaceiro, nóis tem conta no bar, no açougue e no puteiro”, seria diferente? A quem interessa a alienação política? Vale a reflexão!

Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História UEM.

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