21 maio 2011

"Eu falo errado, mas falo o que eu querê":

Fico indignado com a quantidade de “papagaios de telejornal” que vejo no dia-a-dia. Sabe aquelas pessoas que ouvem “meia-verdades” ou “meia-notícias” e saem por aí reproduzindo-as como se fossem a verdade absoluta? É deles que estou falando.

Na discussão recente sobre o livro didático, sempre vemos os discursos “elitizantes” de pessoas que supostamente defendem a norma culta, mas que não vivem o que defendem. Hipocrisia pura!

Abaixo, parte de uma matéria na Gazeta do Povo de hoje sobre o tema. Leiam e reflitam!

“Imagine um aluno, filho de pais que não dominam a norma culta, que chega à escola e o professor diz que é errado quem fala “os livro”, “nós vai”, “dez pão”, “dois real” e, afirma ainda, que isso é língua de gente burra. “Isso só complica mais a educação. É preciso levar em conta a fala que chega na escola e ensinar o padrão culto sem dizer que fulano fala tudo errado. Ninguém está negando que se deve ensinar a língua culta, até porque é a língua do Estado. Mas há maneiras de fazer isso e os livros didáticos de hoje não podem ser, por isso mesmo, iguais aos do passado”, explica o professor aposentado de Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Ataliba de Castilho, autor da Nova Gramática do Português Brasileiro.

O linguista Gilberto de Castro, que ministra a disciplina de Metodologia de Ensino da Língua Portuguesa, lembra ainda que ninguém aprende uma língua pelo simples fato de que há um conjunto de regras que definem o que é correto. “Claro que o professor vai ensinar o que é norma culta, mas não pode ter a ousadia de dizer que a língua daquele cidadão [que está fora do padrão] não existe”, diz.

Para especialistas que leram o capítulo do livro que trata da variedade popular, o que houve foi uma confusão. “O capítulo começa mostrando a concordância da norma culta e diz que na norma popular isso é diferente e, ainda, que a pessoa que não domina a norma pode sofrer preconceito. No fim, mostra como é a frase na norma culta”, afirma Faraco. Castilho lembra que o livro, ao demonstrar que existe a variação popular, de forma alguma fez isso para ensinar os alunos a falar daquele jeito. “É para expor aos estudantes as diferenças regionais, socioculturais. O professor ensina a partir de uma língua que os alunos já falam, por isso precisa fazer com que eles reflitam sobre esta língua.”

A doutora em linguística pela USP Maria José Foltran lembra ainda que o tema variedade linguística não é novo, existe há pelo menos um século. “O mais importante é as pessoas perceberem adequação na escolha das formas linguísticas. Ninguém fala como escreve e, se for escrita formal, precisa saber como usá-la. Em nenhum momento foi dito que vale tudo.” Para o linguista da Unicamp Sirio Possenti, a polêmica se resume ao simples fato de que muitos comentaram o livro sem ao menos terem lido. “E o pior, se leram, não entenderam.”

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1128255&tit=Para-onde-caminha-a-lingua-portuguesa

Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História.

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