18 maio 2011

Atentado contra radialista de NL:



Tarde desta quarta-feira, recebi a ligação de um amigo de Nova Londrina. Após as conversas de praxe, me perguntou se eu já estava sabendo “da última” da cidade. A casa do radialista Ricardo Ronda havia sofrido um atentado na noite anterior.

Conheci o Ricardo nos meus tempos de militância petista. Em uma madrugada fria enquanto esperávamos o ônibus que nos levaria para um encontro estadual em Londrina, passamos horas discutindo religião. Depois, encontros esporádicos até que fui fazer o curso de História na Fafipa. Quando entrei no curso, Ricardo já estava no terceiro ano. Conversas diárias sobre os mais variados assuntos. Sua inteligência e ironia me admiravam. Ainda passamos dois anos indo para Paranavaí todo sábado em uma pós-graduação em História. Horas e mais horas de boas conversas.

Ano passado, junto com outros amigos historiadores locais, nos encontrávamos esporadicamente para bater-papo, divagar, ver e trocar filmes, ver e trocar músicas e darmos boas risadas. Infelizmente, desde que me mudei para Maringá diminuí o contato com este sujeito único. Desde tempos, seus textos também são publicados neste Blog!

Claro que não concordo com muitas de suas posições, opiniões e principalmente ligações políticas, mas como disse, o respeito demais.

Abaixo, texto publicado no site Destak Nova Londrina, por meu amigo Ricardo Ronda sobre o atentado ocorrido em sua casa na última terça-feira. BLOGUEIROS DE TODO O BRASIL, UNI-VOS.

Longa jornada noite adentro:

São duas horas da madrugada de quarta feira, 18 de maio de 2011. As mãos ainda tremem um pouco no bater das teclas, o décimo cigarro fumega no cinzeiro e o vento frio desta noite faz farfalhar as folhas das árvores que rodeiam minha casa.

À coisa de três horas, pelas onze e pouco da ainda terça feira fui acordado ao som de disparos. Muitos disparos. Tiros em minha casa. Um pente completo de pistola automática (encontramos seis cartuchos) foi disparado nas paredes e janelas de meu barraco de madeira em Marilena. Furaram vidros, portão de metal, paredes, portas de armário...

Despertaram minha esposa, minha enteada e minha neta de um ano de idade, que dormiam à meio metro da linha por onde as balas passaram furando tudo. (Grifo Nosso) Toda rajada foi apontada para a parede onde fica a cabeceira da minha cama, onde as três, devido à noite fria, se aconchegavam para o sono do descanso, amontoadas que nem cachorro novo.

Quem me conhece, e sabe onde eu moro, pode imaginar o que foram aqueles trinta ou quarenta segundos em que o vidro moído da janela voava em cima da cama onde elas dormiam e as lascas de madeira velha se rachando faziam barulho na calçada em frente à minha porta.

O pipocar dos disparos seguidos do arrastar dos pneus do carro de cor clara que conduzia os agressores, pois foram dois, é o barulho com que minha neta acordou, minha esposa orou e minha enteada se apavorou.

Não posso nem conceber uma pessoa, conhecida, pois desconhecidos não fazem isso, que tenha a capacidade de cometer uma barbaridade dessas, podendo matar uma criança de um ano de idade por que o Ricardo Ronda falou, ou fez algo, que o desagradou.

A insensibilidade de tal criatura, que poderia ter matado três pessoas completamente inocentes até de minha atividade jornalística, é algo quase inconcebível nesta pacata região. Ou assim se pensava.

Crimes passionais, dores atrozes em chifres, dívidas impagáveis. Estes são os casos mais comuns de violência, quase sempre num rompante, no calor da emoção. Mas a premeditação de pegar um carro, convidar alguém para cúmplice, dirigir o veículo até a última rua de Marilena e cobrir minha casa de balas...

O Boletim de Ocorrência, lavrado pela Polícia de Marilena, fala em tentativa de homicídio... E alvejaram uma casa de uma Conselheira Tutelar. O Promotor saberá disso, podem ter certeza. E será uma longa conversa.

Se é motivação política não sei, se é inveja também não. Problemas pessoais não os tenho com ninguém. À ninguém ofendo em sua honra, não adentro a casa de ninguém com conversas indevidas. Não desvirginizo filhas alheias, não tomo o que a outro pertence. Não cobiço e nem tento a mulher de ninguém. Não aponto em outros, erros tais, que merecessem tal punição em minha pessoa e dos que me são queridos e que a estes nada devem.

O que conseguiram foi me privar da presença da minha netinha e minha esposa da filha e da neta. O que conseguiram foi me tirar aquela paz que só uma criança consegue impor, ainda mais nesta tenra idade; em torno dos que a cuidam e a amam enquanto engatinha atrás do gato ou puxa o cabo do meu mouse para chamar minha atenção.

O que conseguiram foi me deixar com raiva. Surda, muda e implacável. E ao pai da criança também. Estes viajantes noturnos, tais quais feras, destilam o terror por onde passam. E deixam atrás de si o rastro do mesmo ódio que sentem por tudo o que não entendem ou não concordam.

Ninguém mais fácil de matar do que eu. Ando pelas ruas de cabeça erguida, peito aberto, ao som do rock and roll em meus headfones, quase sem escutar os que porventura me chamam para alguma coisa. Amigos quase me atropelam, de brincadeira; eu creio, tirando finos para ver se eu pulo. O que não faço nunca, para não dar o gostinho.

É um atentado à liberdade de expressão? Eu o creio. É uma tentativa de me fazer calar? É mais que óbvio. É um recado para parar com meu programa na Rádio Rainha FM? Mas é claro! É o medo da minha ida definitiva para Nova Londrina a fim de adentrar de vez na política local? Também. (Grifo nosso)

Aprisionar-me em casa não vão conseguir. Calar-me, outros já tentaram e se deram mal. Sair da Rainha FM só com ordem da direção, e esta ainda não mandou. Quanto a mudar definitivamente para a Nova Londrina acho que deram um tiro no próprio pé. Pois agora, com isso tudo, e também depois da pesquisa de opinião do último sábado, é que penso ainda mais sobre esta possibilidade.

Minha única arma é minha caneta, e esta, já derrubou mais gente que muitas balas através da História. Não passarão!

Por: Ricardo ‘Ronda’ Drummond de Macedo.

Original em: http://www.destaknovalondrina.com.br/

3 Comentários:

Às 19/5/11 1:32 PM , Blogger Blog do Cássio disse...

Repercusões:

http://mateusbrandodesouza.blogspot.com/2011/05/radialista-ricardo-ronda-teve-sua-casa.html

http://www.diariodonoroeste.com.br/novo/noticia_det.php?cdnoticia=42955

http://www.gazetamaringa.com.br/online/conteudo.phtml?tl=1&id=1127546&tit=Radialista-de-Nova-Londrina-e-vitima-de-atentado-a-tiros

http://joaquimdepaula.com.br/index.php/2011/05/jornalista-e-vitima-de-atentado-em-marilena/

Que os bons nunca se calem diante das injustiças!!!

 
Às 19/5/11 4:42 PM , Blogger Ricardo Ronda disse...

Grato Cássio. A trincheira, no fim, é de todos nós.

 
Às 26/5/11 10:09 PM , Blogger André disse...

Que situação heim!!!

Quer dizer então que querem nos calar com a violência das armas??? O que a falta de argumentos e a transparência da verdade são capazes de fazer. Fico a pensar sobre os possíveis motivos que levaram a esse ocorrido: Seriam falas sobre as falsas verdades ditas por aí? ou alguma denúncia da realidade? O fato é que, alguma coisa caro camarada Ronda, esta atrapalhando os interesses de alguém. Deixo aqui mais do que minha solidariedade, mas sim o meu repúdio a esse ato marginal.

André Ricardo Oliveira

Terra Rica - Paraná
www.omanifestotr.blogspot.com

 

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