03 novembro 2010

Democracia é assim:

Desde a conquista do Sufrágio Universal, ou seja, desde meados do século passado quando toda a população brasileira maior de idade passou a ter o direito de votar e ser votado, é assim. Quando o candidato da elite ganha, dão vivas à democracia e a liberdade de escolha; quando o candidato da elite perde, dizem que o povo não sabe votar, que vendeu o voto ou que cada povo tem o governo que merece. Típico!

Além disso a campanha presidencial de 2010 ficará marcada por uma série de fatos que deixarão marcas no nosso sistema democrático. Vamos a eles.

1. O candidato derrotado José Serra, um sujeito até então respeitado no cenário político nacional, conseguiu jogar toda a sua biografia republicana na lata do lixo. Mostrou-se um beato raivoso, mentiroso desesperado e aproveitador baixo. Utilizou-se de meios nada cívicos para atacar a candidata derrotada, seja em seu programa eleitoral, seja no PIG, na internet ou até em panfletos apócrifos. Ao final da campanha, comentava que José Serra e sua campanha mereceriam um prêmio, por ter conseguido unir boa parte da esquerda deste país contra a sua candidatura.

2. Vimos o retorno da religiosidade à cena política. Padres, pastores, bispos e até o Papa tentaram utilizar dos púlpitos eclesiásticos para emplacar o seu candidato preferido. Não tiveram sequer o seguimento da grande maioria de seus fiéis, quiçá a unanimidade deles. Resultado, não se fazem mais cordeiros como na Idade Média, mas as Igrejas não se aperceberam disso e saem derrotadas. No entanto, o ranço reacionário de alguns bitolados veio à tona e prejudicou o debate.

3. Esta foi a campanha dos temas secundários. O primeiro turno principalmente foi pautado no debate sobre aborto e união civil de pessoas do mesmo sexo. Aliás, nem isso foi debatido, mas sim trazido à tona como pseudo-dogmas religiosos e preconceituosos, típico da elite conservadora deste país. A coisa só acalmou quando ex-alunas de Mônica Serra, esposa do José Serra, afirmaram que a então professora havia confessado em sala de aula, lá em meados dos anos 1990, que teria feito um aborto na década de 1970, fato este não repercutido na mídia e que sabiamente a campanha de Dilma não precisou explorar.

4. O debate deveria ser pautado, e me referi neste Blog mais de uma vez sobre isso, em temas como o modelo de Estado: Neoliberal do PSDB ou Social-Democrata do PT; em Política Externa: submissa do PSDB ou independente do PT; em investimento na Educação Pública Superior: zero do PSDB e muito do PT; em combate à corrupção: debaixo do tapete com o PSDB e Polícia Federal trabalhando com o PT, etc...

5. Por fim, mas não menos importante, esta eleição buscou fazer uma revisão histórica. Nela, aqueles bravos jovens brasileiros que deram a vida na luta contra o Regime Ditatorial Civil-Militar foi rebaixados à mera condição de terroristas, assassinos ou ladrões de banco. Um absurdo, mas típico da elite conservadora que apoiou os Ditadores e que agora estavam ao lado do candidato José Serra.

O Brasil que sai das urnas é um país dividido. A campanha de José Serra conseguiu criar um clima de ódio como nunca se viu antes. Agora, todo eleitor de Dilma é rotulado com uma série de adjetivos pejorativos. Isso não contribui com a DEMOCRACIA. Mas convenhamos, a elite deste país é pouco se lixando para a democracia, o que eles não aceitam mesmo é ficar mais quatro anos longe do poder. Dilma não terá vida fácil no governo. O PIG não vai lhe dar sossego, muito embora a capa da Veja edição especial desta semana tente “puxar o saco” da Presidente eleita e acha que a população e seus leitores já esqueçam da campanha anti-Dilma que a revista fez. Típico!

Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História UEM.

2 Comentários:

Às 3/11/10 6:23 PM , Blogger Eduardo Troian disse...

Acho que a principal pedra no sapato da Dilma será a sombra do próprio Lula. Sempre ficará a sentimento de um governo melhor, superação de expectativas. Isso é complicado, tendo em vista que o país é dependente da economia, a qual é sujeita a alteração de fatores externos.
Ainda, sempre haverá o "fantasma" da reeleição. Que talvez ela seja obrigada a abrir mão em função de um ideal maior,Lula. Não sei dizer. Creio que esse governo começa com mais dúvidas do que certezas. Espero que a Dilma supere o PT e pressão que está por vir. Pro bem da nação.

 
Às 3/11/10 7:03 PM , Blogger Ivo Júnior disse...

Não votei na SRA. Dilma, mas agora,como ela está eleita, torço para que a mesma faça um ótimo governo, um governo de união como a mesma pregou no seu 1º discurso como Presidente Eleita, pois se eu torcer contra, estarei torcendo contra a mim mesmo, pois se esse governo não for um bom governo, quem perderá será todos os brasileiros! Desejo que Deus abençoe essa administração, que ela governe pensando no bem do povo brasileiro, que é um povo trabalhador, e que merece toda a atenção do governo federal!

 

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