21 outubro 2010

Imprensa é processada em Nova Londrina-PR:

O presidente municipal do DEMOcratas, juntamente com o presidente municipal do PDT aqui de Nova Londrina-PR entraram no Tribunal Regional Eleitoral com uma representação contra a Rádio Rainha FM, o radialista Ricardo Ronda e o vereador Álvaro Guilherme.

A Representação alega que no dia 18/09, no programa Rainha em Foco, o radialista em questão, quando entrevistava o vereador Álvaro, teriam infringindo a lei eleitoral. Segundo a Representação, houve propaganda política para os candidatos Beto Richa (governador eleito do Paraná) e Frangão (deputado federal reeleito), o que configuraria tratamento privilegiado, portanto, crime eleitoral.

Sou ouvinte esporádico do programa em questão. No dia da entrevista objeto da Representação, estava ouvindo a mesma. Particularmente, não acho que tenha havido pedido de votos aos candidatos, até porque, houve inclusive elogios ao candidato Osmar Dias (derrotado no pleito ao governo do estado). Além disso, outros dias que acompanhei o programa, ouvi o locutor cobrindo visitas de outros candidatos à Nova Londrina. Mas ao mesmo tempo, a justiça serve para aqueles que sentirem-se prejudicados, requererem o que entenderem de Direito. Vamos aguardar a decisão da justiça.

Maiores informações podem ser obtidas no site Destak Nova Londrina, onde há inclusive cópia integral da petição inicial do processo. Clique aqui e tire suas próprias conclusões. Vereador Álvaro se manifestou a respeito, clique aqui. Abaixo, texto do radialista Ricardo Ronda manifestando-se sobre o tema.

INSENSATAS ATITUDES, PÉSSIMAS CONSEQUÊNCIAS:

Os recentes episódios envolvendo a Rádio Rainha FM de Nova Londrina e o Paço Municipal se inscrevem dentro da disputa política que opõe o troianismo e o ‘novo’ dornelismo.

Tanto um como o outro, como todos o sabem à saciedade, são o presente de políticas mais antigas que se enraízam na disputa local em episódios no mais das vezes acontecidos nos princípios da década passada, fim da retrasada.

Embates anteriores que custaram duas derrotas consecutivas ao grupo que se formou em torno do atual prefeito, levaram a uma elevação da carga de ressentimentos à níveis nunca antes aceitáveis na disputa local pelo poder.

Numa política local elitizada em sua partição do bolo municipal ao longo dos tempos, evolui-se agora para uma tentativa hegemônica de perpetuação, pela destruição pura e simples do adversário. Manobra nunca antes intentada, dados os laços sempre existentes - até familiares -, entre os próceres locais que se digladiavam mas se respeitavam, tanto na vitória quanto na derrota.

Contrariando esta prática, o grupamento de ressentidos que tomou conta do poder local só parece descansar enquanto dorme. Dizem até que não o fazem, apenas descansam, enquanto maquinam novas formas de ‘acabar com o Velho e neutralizar o Japonês’.

Vindo de fora e desembarcando em meio a esta luta, vi-me presa igualmente desta política maniqueísta que a todos engolfa e igualmente submete. Torna-se quase impossível ficar-se neutro dentro desta luta e, por mais ingênuo que tenha sido, ao pelo menos tentar levar uma neutralidade tácita dentro da Rainha FM, não o consegui.

E não o consegui por, sem ao menos ser indagado, aceitado o convite da Rádio Rainha FM, imediatamente fui fichado dentro do troianismo e tratado igualmente como inimigo fidagal da administração.

Todos os esforços que empreendi, e não foram poucos, chocaram-se com o muro excludente interposto em frente a qualquer um que ‘coma do prato ‘ do inimigo da administração. Minhas tentativas de abrir canais de diálogo com as diversas secretarias municipais em busca de subsídios informativos para o Rainha em Foco eram obstaculizados pela coalisão de déspotas secretariais que assumiram o governo que ora rege, e mal, os destinos do município. Funcionários que tiveram o desplante de se aproximar de mim e da Rádio foram advertidos para não fazê-lo, pois ficariam ‘mal’ com ‘os hôme’ e poderiam ter suas carreiras prejudicadas.

À cada porta fechada, eu tentava abrir uma janela e cada esta, por sua vez cerrada, um buraco na parede até que não restou mais nada, a não ser catar aqui e ali, em conversas ou impressos, em sites malfeitos e jornais semi-oficiais, o pouco que sai da administração municipal, que parece se esquecer que é dever constitucional do Estado dar ciência de seus atos.

Boicotado sistematicamente pela administração municipal que, ao se negar a usar da Comunitária em sua plenitude ao mesmo tempo a acusa de não ‘ajudar’ a administração, fiz do meu horário um espaço de resistência ao obscurantismo, abrindo então a programação ao povo que a escuta e agora, a faz.

E este povo, tem queixas imensas.

Ao colocar a voz do Povo na Rádio do Povo, choquei-me então frontalmente com estes que diziam que iriam devolver sua cidade ao seu legítimo dono. Este mesmo dono que os derrotou nas urnas mais uma vez, e de forma acachapante agora, este mesmo dono que bateu a porta na cara dos que o procuraram atrás de voto, este mesmo dono que os excomungam nas filas do hospital municipal, os xingam nas ‘carroças ‘ que os transportam para médicos fora da cidade, os maldizem na espera infindável por um ultra-som, os ameaçam, ao destruírem seus carros na buraqueira em que se transformou Nova Londrina, enfim, os detestam, quando vêem os gordos salários que recebem pelo péssimo serviço que prestam.

Agora, usando uma fala descolada de seu contexto maior, seis minutos de um papo de uma hora, intentam o que acreditaram ser o coup d’grace! Um processo judicial milionário que estrangulando financeiramente a Comunitária, por fim a cale.

Vã tentativa e vã esperança. Se nos calarem, as pedras bradarão.

Na certeza absoluta da vitória de seu candidato e, crentes que o mesmo se mancomunaria com seus vis interesses mesquinhos - o que desminto, Osmar não é homem destas coisas -, entraram então na Justiça Eleitoral, para fazer dela cúmplice de seus desmandos.

Infelizmente, seu candidato - que também era o meu – perdeu a eleição. E quem ganhou, é o mesmo que agora nos acusam de usar a Comunitária para apoiar.

Como se não bastasse, neste festival tragicômico que é este processo, um dos partidos que nos ameaçam é base de apoio, e forte, do governador eleito, Beto Richa. O DEM novalondrinense está perseguindo quem, na sua denúncia, concorreu para sua própria vitória à nível estadual. Duplo tiro no pé, eu o creio.

Triplicando a desgraceira, conseguiram, numa manobra digna dos mais incapazes grupos políticos que já conheci, unir as oposições municipais contra si mesmos, num anti-Maquiavel, - o do Príncipe -, que até então corriam disputando entre si também.

O bloco de oposição que se formou, ao menos em torno deste incidente, é a maior força política jamais unida em torno de alguma coisa que Nova Londrina já viu. E sabe-se, coçar e conversar, é só começar.

Tristes tempos estes tempos. A arrogância unida ao despreparo, temperada pelo desprezo ao povo, flambada no esoterismo rasteiro dos possuidores de Segredos e outras matemágicas circenses, por fim servida na gamela dos famintos dá nisso: um prato indigesto como as codornizes que apodreciam na boca dos israelitas murmuradores e famintos no deserto.

A cidade, Nova Londrina, a nossa Rainha do Noroeste, não merece isto. Povo trabalhador e progressista, comércio pujante e moderno, grandes empresas locais empregando centenas e centenas de trabalhadores, locais e até de fora do município, fica agora à mercê, em sua política maior, de um grupamento de pessoas que não pensam n’Ela, só em si mesmos e nos seus interesses imediatos, sejam os de vinganças pessoais por ofensas nunca perpetradas, seja por sonhos delirantes de vinte anos de poder.

Dizer que o município sofrerá sanções como muitos dizem, não o creio, Beto Richa não me parece ser um homem deste tipo também.

Mas, a distância que vai do cumprimento constitucional dos repasses estaduais e a boa vontade que libera o ‘algo a mais’ dos projetos pessoais de cada governo, e cada um os tem, é imensa. O ‘à pão e água’ dos pequenos municípios é a normalidade deste municipalismo brasileiro.

O que diferencia um município amigo dos outros são os amigos que se tem no município. E aqui, dentro da administração municipal, Beto Richa não os tem.

Resta-nos ao menos a esperança que a lucidez vença no final, e o grande propósito geral: - o melhor para Nova Londrina -, prevaleça e ponha todos, situação e oposição ao menos neste acordo: a cidade não merece sofrer mais do que já está sofrendo.

Por: Ricardo ‘processado’ Ronda.

Apenas a título de recordação, no ano de 2009, este Blog foi alvo de processo por parte da administração municipal.
Processo contra este Blog
Processo contra este Blog II
Processo contra este Blog III

Por: Cássio Augusto – professor e mestrando em História UEM.

2 Comentários:

Às 21/10/10 4:08 PM , Blogger Eduardo Troian disse...

Inacreditável!
Essa perseguição política tem que ter um fim. Pessoas rancorosas, que não obtém nada fazendo isso. Pessoas ridículas, comandadas por um ignorante. Nossa cidade realmente não merecia isso. O nosso povo não merece esse administrador de merda!!!!

 
Às 22/10/10 12:35 PM , Blogger Arthurius Maximus disse...

O grande problema desses caras é que eles se acham perseguidos por tudo. A paranóia dos políticos brasileiros é proporcional ao seu descaramento e, muitas vezes, as lambanças que fazem.

Se do jeito que está já fazem isso e tentam censurar a torto e a direito, imagine se houver um instrumento legal que permita a censura baseado praticamente em conceitos subjetivos como o governo federal quer? Vai ser uma festa.

 

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