10 setembro 2010

Quem paga a conta?

“A corda sempre arrebenta no lado mais fraco”.

Este ditado óbvio faz referência a ocasiões onde, dado as circunstâncias que acontecem determinadas adversidades, pessoas de menor poder aquisitivo, menor influência social e baixa posição hierárquica, arcam com a responsabilidade de pagar por erros que se quer cometeram.

Em questões de crise, por exemplo, muitas vezes, aquele que não desfruta de bom salário, é quem responde por conseqüências que ele não ocasionou. Quando uma empresa decide cortar gastos, é no bolso da maioria assalariada que ela busca sua estabilização, desta forma, confisca do empregado menos remunerado o seu complemento salarial, a hora extra. Quando a situação se torna mais drástica, a empresa vai além, recorre à demissão em massa de sua mão-de-obra barata, em meio a este revés empresarial, os que detêm melhor remuneração e posição hierárquica, não tem de seus salários, um único centavo retirado.

Ou seja, cabe a classe funcional assalariada o sacrifício de contribuir para que o caixa de sua empresa saia do vermelho, pois, assim decidem aqueles que tem em mãos o poder da regência empresarial, não há para eles maneira mais viável de sanar suas dificuldades do que apelar para o bolso do trabalhador. Partindo de ideologias anti-sociais como esta, o setor empregatício criou o famigerado banco de horas, conduta amparada em lei que afeta o “colaborador” no seu ganha pão diário.

Aliás, o termo colaborador, define exatamente o que é a classe trabalhadora, pois se há na empresa ameaças na estabilização de seu caixa, o corpo funcional de baixa renda é quem será sacrificada colaborando para o barco sair da tormenta e voltar a bonança.

Conhecem a história do boi jogado para as piranhas? É exatamente a mesma forma, haverá sempre quem será usado em sacrifício para a salvação e regozijo de outro, o revés daqueles, garantirá a sorte destes.

Quem paga o pato? Hora quem, aquele que for menor é claro, a culpa cai sobre os que não merecem. Alguma dúvida de que o sistema é injusto?

Nos reinos medievos, quando um rei tinha ganas em acumular moedas e garantir seu bem estar, era na escassez dos bolsos de seus súditos que ele ia garimpa-las, através de impostos abusivos, o rei criava um meio de seu povo suprir as necessidades palacianas.

Nem todos tiveram a mesma sorte dos compatriotas e contemporâneos de Robin Hood, aqueles, colaram-se ao herói esperando nele a possibilidade de ser feito justiça. No fim, a ação Robin-hoodiana restituiu aos pobres o que lhes foi roubado pelos ricos, tornou-se ele, príncipes dos ladrões e se foi ele uma lenda ou não, o importante é que por seus roubos ele merece muito mais de cem anos de perdão.

No entanto prezado Leitor, neste sistema que é promissor para tão poucos, neste sistema onde os poucos que tem muito, criam leis favoráveis aos seus interesses dominantes, a quem é levado ao dever de pagar a conta?

Quem é levado ao sacrifício e quem garante a sobrevivência do sistema parasita?...

Lamentavelmente são todos aqueles que nada devem e menos tem...

Por: Mateus Brandão de Souza, graduado em história pela FAFIPA.

1 Comentários:

Às 10/9/10 2:26 PM , Blogger Cássio Augusto disse...

Parabéns pelo texto Mateus! E em época de eleição, precisamos ter consciência de classe para votar!!!

 

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