29 setembro 2010

As esquerdas e a trincheira:

As esquerdas e a trincheira:

O espectro político é comumente divido em um arco que vai da “direita” até a “esquerda”. Simplificando, a direita é composta por elementos conservadores e burgueses, enquanto a esquerda abriga os progressistas e trabalhadores. Claro que entre ambos, há aqueles partidos/políticos nas extremidades e no centro. Isso não vem ao caso.

Desde a sua fundação em 1980, o PT foi caracterizado como sendo um partido de esquerda. Formado a partir do movimento sindical de 1978, recebeu a adesão de vários intelectuais e artistas. Seu discurso ao longo dos anos foi em defesa dos trabalhadores, pela reforma agrária, etc. Muitas vezes, chegaram a dizer que o PT era formado por comunistas, o que penso ser um exagero.

Assim como o mundo e o Brasil mudaram, as correntes mais radicais do PT perderam espaço interno e acabaram saindo. Formaram o PSOL, PSTU e o PCO. Os que ficaram, utilizaram-se do pragmatismo político e de certa forma, entenderam o que o filósofo italiano Antonio Gramsci nos ensinou.

Segundo Gramsci, o Estado moderno não é formado apenas pela Sociedade Política, mas também e principalmente, pela Sociedade Civil. “O Estado era apenas uma trincheira avançada, por trás da qual estava uma robusta cadeia de fortalezas e casamatas”. Em outras palavras, o simples fato da esquerda tornar-se governo, não garante que a mesma tenha total controle do Estado.

Assim, o fato de o PT chegar à Presidência da República não é a garantia de que todos os programas sociais fossem aplicados com uma canetada. Caso isso ocorre, as “fortalezas e casamatas” da direita e da Sociedade Civil tomariam novamente as rédeas do poder, leia-se "golpe". Para que o projeto da esquerda seja implantado, é necessária uma Guerra de Posição, ou seja, ir aos poucos avançando nos programas sociais e na conscientização da população.

Hoje, diante do quadro político, temos duas opções claras. De um lado Serra/PSDB que representa a volta da direita brasileira, com seu programa de privatizações, “Estado mínimo” e política externa dependente. De outro, Dilma/PT que representa a continuação do projeto de centro-esquerda brasileira, pautado na forte intervenção estatal e de programas sociais.

Claro que o PT não é hoje radical, se é que um dia tenha sido, bem como seu governo não é o dos sonhos dos antigos militantes, como eu. No entanto, o PT é hoje a trincheira mais avançada que a esquerda brasileira possui nesta Guerra de Posições rumo à uma sociedade mais igualitária. Claro que ninguém deve fechar os olhos para os desvios do PT. No entanto, a volta da direita/PSDB/DEMOcratas é um retrocesso neste processo de construção de um Brasil mais justo.

Concordo plenamente com tudo o que os candidatos Plínio, Zé Maria, Rui Costa Pimenta e Ivan Pinheiro propõe em seus programas. A crítica que faço é que, ao atacarem Dilma/PT estão na verdade, contribuindo para que aquela corja de UDN/Lacerdistas/ARENA/Militares/PDS/PFL/DEMOcratas/privatizações/neoliberalismo/etc volte a tomar conta do país e não uma alternativa viável à esquerda. Repito, a única alternativa viável à esquerda hoje é o PT e precisamos defender esta trincheira e lutar por dentro, rumo à sociedade com menos desigualdade social.

Por: Cássio Augusto – professor, bacharel em Direito; licenciado em História e mestrando em História pela UEM.

5 Comentários:

Às 29/9/10 5:51 PM , Blogger Parreiras disse...

Abra o google e digite Veronica Maldonado

 
Às 29/9/10 7:34 PM , Blogger Cássio Augusto disse...

Grande companheiro Parreiras. Seu comentário demonstra a atitude desesperada típica da elite preconceituosa deste país, ao ver que uma mulher, que não faz parte do círculo social da Daslu, irá governar este país.

Dilma é homossexual? Não sei. Mas e ser for, qual o problema? Isso a torna menos capaz intelectualmente?

Repito, este seu comentário mostra o desespero a que a direita deste país chegou neste pleito eleitoral!

Lamentável...

 
Às 30/9/10 8:53 AM , Blogger luciano disse...

Olha companheiro Cassio, eu admiro muito sua posiçao e acho que vc esta correto quando apoia e mostra os avanços no governo Lula. Mas vejo que o Lula foi o presidente mais esperto da esqueda brasileira, ele pregava uma coisa e depois fez outra, olha vamos começar com uma célebre frase dele no ano de 2000,"no meu guverno corrupto nao entra" foi um dos mais corruptos e escadalosos na historia politica do Brasil. Olha como ele foi inteligente, sem um plano de governo quando entrou na presidençia aproveitou de vários planos de FHC, alguns que tinha sido aprovados antes e que ele aproveitou depois.Privatizaçoes, essas que foi duramente criticada pelo governo Lula foi que permitiu que o governo Lula pudesse trabalhar melhor a area social, isto quem nos falou foi o professor Nélio Guada- economista e professor do nosso curso de administraçao pública da UEM,(esse professor é filiado ao PT)segundo ele os investimentos com as privatizaçoes teve uma grande entrada de fluxo de recursos.O Lula fez um bom governo, apesar de toda corrupaçao e malversaçao do dinheiro público, a a maquina do PT enriqueceu demais nesses ultimos 10 anos, voce sabe disso, o Lula se aliou a grandes banqueiros coisa que ele antes abominava, e ainda nossa dívida pública triplicou e se tem avanços na área social falta na area da Saúde(essa o governo virou as costas), a Segurança esta um caos eu esperava que pelo menos no governo Lula iria sair as tao sonhadas reformas eleitorais, politicas economicas e no sistema judiciario.Quem acompanha as politicas públicas do nosso País sabe que o que estou falando aqui é verdade, e digo ainda que nao sou contra a Dilma mas tenho inteira certeza que ela presidente aquela corja inteira dos escandalos volta com altos cargos no governo( é só olhar para o Zé Dirceu).mas vamos lá é só esperar pera ver. abraços a todos.
Luciano Pereira da Silva-técnico em Gestão Pública-ITDE-UFPR aluno do 1° ano de Administração pública-UEM-EAD.

 
Às 30/9/10 1:01 PM , Blogger Cássio Augusto disse...

Luciano, como disse no texto, tbém acho que o governo Lula não foi o "dos sonhos" dos militantes de esquerda.

Qto a corrupção, prefiro vê-la sob outro prisma. Ao contrário de outros governos, neste a Polícia Federal teve total liberdade para investigar até mesmo o governo; O Procurador Geral da República, uma espécie de Ministério Público para investigar o governo, não ficou conhecido como "Engavetador Geral da República" como no governo passado; A imprensa, que tanto reclama do Lula, teve total liberdade e interesse em denunciar os escândalos, coisa que não aconteceu no governo passado!!!

Até nisso, o governo Lula foi um avanço!!!

 
Às 30/9/10 6:31 PM , Anonymous Anônimo disse...

Olá Cássio!
Excelente texto principalmente pelo momento político que estamos passando. É bom saber que comungamos das msm opiniões. E se tratando de um processo de democratizacao não podemos ser ingênuos e crer que ocorrerá "num passo de mágica". Ao meu ver, o nosso País é consideravelmente "novo" e muito mais recente é a nossa história de uma política democrática, basta lembrar que, em 1993 ainda estávamos decidindo entre monarquia ou república, presidencialismo ou parlamentarismo.
Tbm acredito que o PT seja a opção "mais viável" para a construção de uma sociedade menos desigual. Mas para isso é preciso dar um passo para além das políticas de bem-estar social, o que tem sido por um lado a pedra de toque do populismo de Lula, mas ao msm tempo, a barreira para afirmação dos ideais típicos da esquerda.
Embora divergimos no que tange a igualdade, nao imagino a igualdade material como uma preocupacao tipicamente do Estado (nao cabe a este dizer o modo como kd um deve utilizar seu arbítrio), prefiro pensar em igualdade de condiçoes (direito), essa sim me parece pertinente.
Mas algo, em especial, me chamou atenção, a separação entre política e sociedade civil. Confesso que esta questão me incomoda muito. E digo que, uma coisa é ler a sociedade tal como está estruturada e outra é aceitá-la sem projetar uma possível mudança.
Nesse sentido, pensar a divisão entre Política e soc. civil é aceitar a relação dicotômica entre Estado e povo. E por meio desse discurso abrimos mão de uma sociedade política, de uma liberdade "pública", e passamos a aceitar a política como uma esfera puramente burocrática (maquina estatal)ao modelo descrito por Weber.
Gostaria, embora seja muito difícil, que o corpo político fosse formado por uma participação ativa das camadas sociais e que a política fosse um campo da liberdade a ser explorado, muito mais prazeroso do que a liberdade do homem burguês (posses). Enfim, talvez tenhamos que (re)significar o conceito Política e nos aventurar por caminhos escorregadios.
Sem mais delongas e deixando as viagens e utopias de lado, queria reiterar minhas congratulacoes.
E que continuemos assim, antes pelas trincheiras do que na morbidez da direita.

Maicon.

 

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