10 agosto 2010

Se tudo fosse igual:

Há uma tese que corre em setores políticos distintos, mas que convergem em torno dela e, pelos equívocos que contém e pelas consequências desastrosas que gera, deve ser analisada. É a tese de que o PT e o PSDB são a mesma coisa, assim como os governos do FHC e do Lula.

A tese leva a uma espécie de “terceirismo”, de candidaturas que definem equidistância em relação às candidaturas da Dilma e do Serra e que já teve posições de voto branco ou nulo no segundo turno entre Lula e Alckmin.

Se os governos de FHC e Lula fossem iguais, a desigualdade teria diminuído e não aumentado durante o governo de FHC. Se fossem iguais, a reação do Brasil durante a crise econômica internacional recente teria sido a mesma de FHC: aumentar a taxa de juros a 48%, pedir novo empréstimo ao FMI e assinar a correspondente Carta de Intenções (deles), cortando recursos das políticas sociais, aumentando a recessão e o desemprego, levando o Brasil a uma profunda e prolongada recessão, que só foi superada no governo Lula.

Se fossem iguais, não teria tido sentido a luta contra a ALCA – Área de Livre Comércio das Américas -, que FHC propugnava e que o governo Lula inviabilizou, para fortalecer os processo de integração regional. Dizer que são governos iguais ou similares é dizer que tanto faz privilegiar alianças subordinadas com as grandes potências do centro do capitalismo ou aliar-se prioritariamente com os países do Sul do mundo, os Brics entre eles.

Se fossem iguais os governos FHC e Lula, o Estado mínimo a que tinha sido reduzido o Estado brasileiro seria o mesmo que o Estado indutor do crescimento e garantia da extensão dos direitos sociais da maioria pobre da população. O desenvolvimento, anulado do discurso de FHC, foi resgatado como objetivo estratégico pelo governo Lula, articulado intrinsecamente a políticas sociais e a distribuição de renda.

É grave quem não consiga ver essas diferenças. Perde a capacidade de identificar onde está a direita – o inimigo fundamental do campo popular – correndo o grave risco de fazer o jogo dela, em detrimento da unidade da esquerda.

Por: Emir Sader – cientista político – Revista Caros Amigos, julho de 2010.

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