11 junho 2010

Aparthaid no Brasil:

Nas matérias televisivas sobre a África do Sul, sempre encontramos referência ao período de Aparthaid Social implantado pelos colonizadores ingleses, principalmente contra os negros do local. Até 1990, a população negra não poderia freqüentar determinados locais, deveria moral em bairros específicos e etc. Para quem não sabe, algo parecido ocorria em alguns estados dos EUA até a década de 1970.

Pois bem, estas matérias nos deixam a impressão de que no Brasil, vivemos em um lindo país, livre e sem preconceitos sociais. Mentira! Não quero nem me referir ao período da escravidão negra. Atualmente, vivemos um período de Aparthaid disfarçado, vejamos então a comparação:
_ Na África, até hoje, no bairro de Soweto vivem apenas negros. No Brasil, via de regra, a população negra reside nas periferias;
_ Os piores empregos, aqueles que utilizam essencialmente o trabalho braçal e é pouco remunerado são ocupados pelos negros;
_ Nos consultórios médicos, odontológicos ou nos escritórios de advocacia e engenharia, raramente há negros entre os profissionais liberais;
_ Nos bancos universitários ou de pós graduação públicos, os negros são enorme minoria;
_ Quando alguém faz algo errado ou estranho, utilizamos a expressão: “_ Isso é coisa de pretos!”;
_ No carnaval da Bahia, os negros não estão dentro do cordão dos caríssimos blocos, lhes sobre a pipoca;
_ No Brasil, negro só é lindo enquanto objeto turístico. Parece um animal de zoológico;

Em suma, temos inconscientemente a idéia de que negro não deve freqüentar determinados lugares. Exemplo disso é a reação por parte da classe-média à criação das cotas raciais nas universidades públicas. Pior é que ainda invertem o discurso, dando a desculpa de que o negro merece melhor educação fundamental para poder concorre em condições desiguais no vestibular. Na verdade, nossa elite não quer estar nas mãos de um juiz, médico ou professor negro. Esta população tem o seu lugar.

Abaixo, um reggae sobre isso. Música do baiano Adão Negro.

Aparthaid Disfarçado

Chá, chá lá lá lá lá lá
Chá lá lá lá lá lá lá lá
Chá lá lá lá lá lá lá

A apartheid disfarçado todo dia
Quando me olho não me vejo na TV
Quando me vejo estou sempre na cozinha
Ou na favela submissa ao poder
Já fui mucama mais agora sou neguinha
Minha pretinha nós gostamos de você
Levanta saia, saia correndo para quarto
Na madrugada patrãozinho quer te ver oioi

Chá lá lá lá lá lá
Chá lá lá lá lá lá lá lá
Chá lá lá lá lá lá lá

Será que um dia eu serei a patroa
Sonho que um dia isso possa acontecer
Ficar na sala não ir mais para a cozinha
Agora digo o que vejo na TV

Um som negro
Um Deus negro
Um Adão negro
Um negro no poder

Um som negro
Um deus negro
Um Adão negro
Um negro no poder
Likareggae

4 Comentários:

Às 11/6/10 8:03 PM , Blogger caco disse...

quem me déra ter 1% da inteligência de un homem, um intelectual, um pensador, um negro extraordinário, MILTON SANTOS, na minha modesta opinião un dos seres humanos mais brilhantes que nasceu em nosso pais.
POR UMA OUTRA GLOBALIZAÇÃO
DO PENSAMNETO UNICO
Á CONSCIÊNCIA UNIVERSAL
quen já assistiu,esse documentario, ou já leu éssa óbra sabe o que estou dizendo. quando se fala em negro no BRASIL só se lembra de PÉLE, mas é muito bom saber que existiram negros fantasticos, e um deles é o geógrafo MILTON SANTOS

 
Às 11/6/10 11:24 PM , Blogger Cássio Augusto disse...

Realmente, Milton Santos é um dos maiores geógrafos do mundo. Brasileiro e negro! O documentário sobre a Globalização é, no mínimo, instigante!

 
Às 15/6/10 9:29 AM , Blogger Arthurius Maximus disse...

Nada tão errado como esse texto. Esses fatos são muito mais frutos da própria demografia do país do que propriamente do racismo. Os "negros" a que você se refere são na verdade os mestiços - a linda maioria da nossa população - É claro que, sendo a maioria da população; eles compreenderão também a maioria dos pobres. O racismo no Brasil existe e é um fato incontestável. No entanto, se ele fosse tão veemente como seu texto quer fazer transparecer e a cantilena das falsas lideranças raciais (essas sim racistas) querem fazer o nosso povo acreditar; o Brasil não seria miscigenado e maravilhosamente indefinido racialmente como é.

Transformar mestiço em "negro" foi um golpe bem sucedido para criar falsa relevância para lideranças medíocres e angariar poder político e muitas verbas públicas e internacionais.

O racismo e os atos racistas em nosso país estão muito mais confinados a uma minoria idiota e recalcada do que a grande massa da população.

Quem tem raça é cachorro e, se fôssemos pensar em raças; pertencemos todos a uma única e indissolúvel raça: a Humana.

O resto é joguinho político e busca desenfreada por poder e verbas.

No Brasil o verdadeiro divisor entre as oportunidades e a falta delas é a pobreza e nada mais.

 
Às 15/6/10 12:45 PM , Blogger Cássio Augusto disse...

Então, por isso que eu me reveri a Aparthaid como DISFARÇADO!!!

 

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