15 abril 2010

Os políticos e os bichos.


Hoje é comum vermos associados aos bichos certos políticos ou ainda os seus partidos. Não é justo este fato, porém o homem caprichosamente associa suas práticas e ideologias políticas ao reino animal, como se os seres irracionais participassem dos erros que só os humanos praticam.

Não sabemos ao certo se esta associação forçosa é fruto tão somente da política moderna, mas, foi no final do século XX, meados dos anos oitenta, que o tucano, ave de beleza e característica ímpar se tornou símbolo de determinada sigla partidária, sigla esta que nada tem de semelhante com esta encantadora ave, deste país tropical.

Já aqui, em nossa política regional, jacaré e peixe simbolizaram a rivalidade de dois grupos e estiveram presentes na corrida eleitoral que determinou o quadriênio executivo e legislativo da cidade vizinha. Desta forma, os bichos vão sendo indevidamente associados à nossa política. Além de velhas raposas, espertas e inteligentes outros bichos são comparados aos políticos com suas politicagens.

Neste contexto, em meio a toda esta variedade de seres vivos, sejam eles aquáticos, répteis ou aves, um outro tipo de político, que talvez por sua destreza em se camuflar, passa diante de nossos olhos como que despercebido, é ele o político camaleão. O camaleão é o tipo do político que dança conforme a música, seus intuitos se estendem pouco além do seu próprio umbigo.

Ele é individualista, calculista, articula seus planos em benefício próprio, é como a folha seca, obedece o sopro do vento que o toca. Ele é camaleão, pois se veste da roupagem que prevalece o ambiente, se a cor predominante é verde, ele é verde, se cinza ele é cinza e assim sucessivamente. Ele acata o que está na cartilha da situação. Busca sempre o lado pessoal, fecha os olhos para o social, ele busca seu bem estar, pois camuflado, ele está livre do ataque predador e escondido ele ataca as suas presas.

Hora, se nossos irmão animais fossem dotados de raciocínio, com certeza contestariam ao ver suas raças associadas a ações humanas, principalmente quando a comparação é no campo da política. O comportamento humano é vulnerável, em sua ânsia por possuir ele ignora os valores morais, ele pisa na ética. O homem como único integrante da raça humana, nem sempre honra seu papel de humano, muitas vezes ele não desempenha com sobriedade a sua tarefa de ser gente.

Nossas falhas mais graves, nossos atos mais desprezíveis não deveriam ser chamadas de ações desumanas, pois somente entre nós os humanos é que são praticadas. Nossas atitudes, boas ou más, serão sempre humanas, pois humanos nós somos. Sendo assim, deixemos em paz os bichos, pois os animais são impecáveis eles desempenham corretamente o seu papel de bicho e o homem como gente deixa muito a desejar.

Desta forma, registra-se aqui nosso respeito em favor dos seres inefáveis, seres que não tem culpa de todo este lodo que estamos mergulhados. Por motivo de toda esta realidade, externamos nossa admiração aos bichos. E Oxalá que um dia sejamos todos tão corretos como são os animais.

Por: Mateus Brandão de Souza, graduado em história pela FAFIPA.

1 Comentários:

Às 16/4/10 11:34 PM , Blogger PROF ROBERTO disse...

Que analogia interessante...

 

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