29 abril 2010

Como vencer um debate sem precisar debater:

Este poste tem uma clara inspiração no célebre texto de Artur Schopenhauer, “Como vencer um debate sem precisar ter razão”. Claro que não temos a eloqüência e toda a sapiência deste filósofo alemão do século XIX, mas vamos arriscar alguns argumentos.

A melhor forma de se vencer um debate sem necessariamente debater, é desqualificando o seu oponente e vamos aqui tentar dar o máximo de exemplos. Você precisa rotulá-lo de várias formas, afim de que os argumentos do seu oponente não mereçam credibilidade e não sejam ouvidos. Lembre-se sempre, você não deve entrar no tema proposto para debate, por mais que o seu oponente o chame/provoque.

Tente estigmatizá-lo com alguma ideologia que nem você, nem os ouvintes entendam muito bem. Por exemplo, chame-o de comunista, afinal, todo mundo acha que comunista é comedor de criancinha, no sentido literal da frase. Se o seu oponente lhe rebater com o rótulo de neo-liberal, não tem problema, nem você, nem mesmo os ouvintes sabem o que isso significa.

Como todos sabem que hoje em dia o comunismo não está mais na ordem do dia, tente desqualificar o partido político de seu oponente. Assim, caso seu oponente seja do PT, fique jogando na cara dele o escândalo do mensalão, mas nem pense em falar sobre o que dá certo nas administrações petistas. Aqui temos um problema, pois se você for do DEMOcratas, seu oponente tem bons argumentos contrários, como por exemplo o escândalo das sanguessugas, das privatizações, da reeleição.

O Lula é um bom rótulo pejorativo. Se o seu oponente for simpático ao Presidente Lula, faça piadinha sobre a sua dicção ou mesmo as escorregadas gramaticais, a falta de diploma de curso superior, etc. O problema é que talvez você também não tenha diploma de curso superior e escorregue no português, além disso, Lula tem 80% de aprovação popular, e você? Pense nisso antes de usar este argumento.

Caso ainda não tenha sucesso, vista-se sob o belo manto da democracia e acuse-o de autoritário, afinal, ser democrático é lindo. Mas cuidado, se o seu oponente vier com histórias como “democracia plena x democracia eleitoral”, você deve responder que essa coisa de “democracia plena” é coisa de comunista. Ah, mais uma coisa, se o seu partido tiver no passado íntimas relações com a Ditadura Civil-Militar, não se esquece de dizer que “o passado é o passado” e agora seu partido se chama DEMOcratas, está renovado e ninguém mais se lembra do PFL, PDS, ARENA ou UDN.

Se pelo campo político-ideológico está difícil, a melhor coisa mesmo é partir para o campo pessoal. Tudo bem que aqui você está baixando o nível, mas lembre-se sempre, você tem que evitar ao máximo entrar no debate e ainda assim ganhar a questão.

Primeiro, observe bem os gostos do seu oponente. Se ele gosta de música rock ou reggae, claro que você vai acusá-lo de fazer uso de drogas ilícitas, por mais que você nunca tenha visto ele as usando ou mesmo, conheça alguém que o tenha visto. Isso, sem falar no cabelo, camisetas provocativas, gírias, amigos ou etc... afinal, todo roqueiro ou regueiro é um depravado.

Se isso ainda não foi o suficiente, observe as suas leituras, estudos, filmes ou documentários. Provavelmente você poderá acusar o seu oponente de “pseudo-revolucionário” ou então de “pseudo-intelectual”. Você sabe que na verdade, intelectual é você, leitor do “O Segredo” e coordenar de grupos de estudos em competências emocionais e gestão de pessoas. Essa coisa de Marx, Weber, Hobbes, Smith, Rousseau, Voltaire e afins é coisa de comunista, por mais que alguns aqui citados possam ser rotulados como liberais, mas isso não importa mesmo.

Ainda, procure algum “podre” no passado de seu oponente. Qualquer coisa mesmo serve, até mesmo processos judiciais que ele tenha ganho, afinal, o importante mesmo é dizer que ele já teve processo judiciais. Se não encontrar nenhum “podre”, use a imaginação e invente, por exemplo, acuse-o de confeccionador ou mesmo idealizador de cartas e vídeos anônimos, por mais que ele sempre tenha dito o que pensa às claras.

Se nada aqui deu o resultado esperado, rotule-o mesmo de “muleque-viadinho-maconheiro-imframador”, afinal, você está desesperado e não pode de forma alguma entrar no debate.

Uma coisa importante, jamais seja você quem espalha todos estes argumentos. Você é um importante político e tem um incomum senso democrático e de justiça. Caso estes argumentos saiam da sua boca, não pega bem pra você. Então, use aquele rol de “clientes” que você tem, sempre fiéis seguidores e prontos a lhe prestar qualquer tipo de serviço. Estes argumentos devem ser espalhados “de boca em boca”, sorrateiramente. Isso evita até mesmo qualquer problema judicial.

Ah, já ia me esquecendo. Mantenha sempre a postura. Faça de conta que você sequer leu este texto e continue com um belo sorriso no rosto e a mão estendida para o mais cordial cumprimento. Por fim, esqueça-se e faça com que seus ouvintes também esqueçam qualquer boa postura que seu oponente tenha demonstrado até aqui, pois caso contrário, você não conseguirá desqualificá-lo e com isso vencer o debate sem precisar debater.

Obs: Qualquer semelhança com fato atuais e locais terá sido mera coincidência.

2 Comentários:

Às 29/4/10 8:54 PM , Blogger PROF ROBERTO disse...

Nossa, isso parece coisa da Ditadura; quando não existia a diversidade de ideias, de opções, de gêneros, de opinião....

 
Às 3/5/10 12:01 PM , Blogger Mateus disse...

Ótimo texto, dessa forma é que funciona, dicas reais, parabéns.

 

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

Links para esta postagem:

Criar um link

<< Página inicial



Free counter and web stats