27 março 2010

E as “outras Isabellas”?

Agora que já temos a sentença do “Caso Isabella Nardoni”, quero reproduzir neste Blog o texto que fiz em 21/04/2008 sobre o tema.

E as “outras Isabellas”?

Sinceramente, já estou mais que cansado de ver o “caso Isabella” todos os dias e em todos os telejornais do país. Não se fala em outra coisa, e o pior, fica-se repetindo informações, especulando possibilidades. É a exploração econômica da tragédia. Links ao vivo, entrevistas exclusivas, acesso exclusivo a laudos e depoimentos e etc...

É claro que foi um caso chocante. Eu também tenho coração e fiquei pasmo com o acontecido. Mas e as “outras Isabellas” do Brasil? Na mesma semana deste caso uma criança foi jogada de um apartamento no nordeste. Mas por que não foi notícia? E as nossas crianças violentadas todas as noites nas periferias ou ruas da nossa cidade? E as meninas de treze anos que vendem sua pureza por alguns trocados? E as crianças de rua? Os menores abandonados? Os explorados em carvoarias? Etc...

A violência só choca a classe média quando a violência é contra a classe média. Como diz no filme Hotel Ruanda, “eles vão ver a notícia na TV, ficarão chocados e voltarão a jantar!”. HIPOCRISIA. Não existe “clamor público”, este é construído quando interessa. Ninguém mais lembra da dengue no Rio, dos cartões corporativos, dos iraquianos mortos, dos tibetanos humilhados, dos palestinos dominados e etc... Crianças mortas brutalmente tem todo dia, mas como a Isabella é branquinha, bonitinha, é filha da classe média, seu pai é “bem de vida” e etc, logo isso choca alguns, que aproveitam e fazem chocar a todos os outros.

Aliás, relembrando outros casos de “clamor público”, quando a morte do João Hélio a imprensa pediu mais rigor do direito penal para com os adolescentes. Seria a solução. Quando a morte da Daniela Peres pediram a Lei dos Crimes Hediondos. Seria a solução. E agora, não ví ninguém ainda pedindo o fim da “cela especial”, afinal de contas, o suspeito (Pai) tem curso superior, Direito. Mas não, afinal, a lei tem que ser dura com pobre e não com a classe média, aliás, a classe que faz as leis.

Olha, vou parar por aqui. Isso tudo está me irritando demais. Minha comoção para com a pequena Isabella está virando desprezo. Não por culpa dela, mas pelo sensacionalismo na nossa imprensa “chapa branca”, oportunista, golpista e etc...

Fonte: http://cassionl.blogspot.com/2008_04_01_archive.html

1 Comentários:

Às 28/3/10 5:04 PM , Blogger Mateus disse...

Ótimo artigo...
Todos os dias morrem Isabellas neste país, vítimas da violência que ceifam a vida de muitas crianças. Todos os dias tragédias acontecem, pais matam filhos, filhos matam pais. Mas, parece que só a dor entre os ricos é importante, dar-se a entender que só quando a tragédia é entre a classe média é que causa alarde e revolta. Que pena que tenha acontecido isso com a menina Isabella, mas que pena ainda que isso não parou de acontecer com outras crianças. Muitas outras Isabellas estão morrendo neste momento, e o lamento dessas, não comovem nem revoltam aos hipócritas.

 

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