14 janeiro 2010

O jovem e a participação eleitoral:

O voto aos 16 anos foi uma conquista do movimento estudantil, incorporada à Constituição de 1988. Entre o fim da década de 1980 e o início da seguinte, estudantes e jovens, de um modo geral, demonstravam interesse na vida política nacional e desejo de se manifestar, por meio do voto, sobre os rumos do país. No entanto, essa vontade de participar tem diminuído. Há cinco anos havia 3,6 milhões de eleitores de 16 e 17 anos no Brasil. Em 2008 o número chegou a 2,9 milhões, redução de 19%. Se números assim permitem constatar o desinteresse do jovem no exercício de um direito seu, é o caso de perguntar as razões desse fato. Por que os jovens parecem ter perdido o interesse pela política? O que explica, o crescente número de jovens que não faz questão de tirar o título de eleitor e de votar?

Essa situação é resultado de variáveis que determinam ou não a presença do jovem na política. Podem ser destacadas: educação política nas escolas, colégios e universidades; atividades sociais e solidárias em movimentos; políticas públicas para a juventude; valores políticos e religiosos.

A falta de conhecimento e/ou não incentivo das escolas, dos colégios, das universidades e empresas em debates políticos favorecem para que não haja estímulo nem o engajamento das lutas pelas causas trabalhistas e/ou sociais, tornando-os alienados, “engolidos” pelo capitalismo.

O jovem não participa de grupos filantrópicos ou até religiosos com o intuito de solidarizar com as pessoas, distanciando-os do meio que está inserido, deixando de perceber que há espaços para implementar uma política de cidadania, em que possa compreender como funciona a sociedade e aprende como viver nela.

Outro fator é a não presença de política pública ligada à juventude, há pouco incentivos na área esportiva, levando-os à ociosidade, buscando outros atrativos que não requerem a interação social, aumentando o fosso de inutilidade que sentem diante da imobilidade por parte da administração de um país, estado ou município que deveriam estimular essa área tão importante nessa faixa etária.O que também interfere é o valor que perpetua em nosso meio que jovem não tem maturidade, experiência que possa contribuir para melhorias em nossa sociedade, famílias que incutem que política é suja, corrupta, assim entra a questão religiosa “seja o que Deus quiser”....

Assim, devemos ter práticas que mobilizem nossos jovens como:

Novo estilo de campanhas eleitorais, evitando para tal o negativo ataque aos adversários políticos, mas privilegiando o debate claro de ideias.

Utilizar as mais diversas tecnologias como Blogs que têm contribuído para mobilizar jovens para o voto.

Apostar na Educação política- reforçar a educação política dos jovens no qual privilegie o conhecimento, a habilidade e os valores relevantes que emergem da natureza da democracia participada.

Apostar fortemente no marketing político direcionado para os jovens- Adequar linguagem e apostar em medidas concretas para esta faixa etária.

Estimular a participação em grêmios estudantis, em diretórios acadêmicos e centros; em movimentos sociais como pastorais, associações de bairros; em grupos filantrópicos como Rotaract, Interact; em mobilizações de reivindicações; em sindicatos relativos a sua profissão; em associações de classes.

Por: Prof. Roberto Tsunokawa: Graduado em Farmácia e Letras pela UFSM; especialização em Psicopedagogia; professor licenciado (especialização PDE/UEM) da rede pública do Paraná; vereador na legislatura 2005-2008; candidato a prefeito nas eleições municipais de 2008.

10 Comentários:

Às 14/1/10 3:24 PM , Anonymous CARLOS ADÃO disse...

analisando boa parte do jovem em nossa cidade já percebi o seguinte:
ele só pensa em duas coisas: ter um emprego, e comprar uma moto, e só.infelizmente dentro do sitema capitalista em que vivemos acho dificil mudar éssa conciencia do TER, e não do SER.por isso sou defensor da disciplina de SOCIOLOGIA, E FILOSOFIA, desde a pré escola, isso se queremos ter futuramente um cidadão crítico e formador de opinião.ACHO que isso não aconteceu até hoje, porque para os governantes é mais fácil dominar um analfabeto político, do que um cidadão formador de opinião.

 
Às 14/1/10 3:47 PM , Blogger PROF ROBERTO disse...

Carlos, espero que estas disciplinas fomentem a discussão sociologica e filosófica, elevando o conhecimento crítico de nossos alunos; quem sabe, podemos mudar os valores do TER e SER...

 
Às 15/1/10 12:44 AM , Anonymous Ivo Monteiro disse...

Parabens ao Professor Roberto Mitsuo Tsunokawa pelo belo texto.
Já disse uma vez isso aqui e repito:Os jovens devem estar cientes dos acontecimentos políticos em suas localidades (Municípios) em que vivem.Sempre falo isso aos meus colegas.
Muitos não sabem,mas o congresso Nacional,as Câmaras Estaduais e Municipais são locais,onde se discute sobre quase tudo sobre o nosso país,é a casa do povo,todos podem acompanhar o que se faz nesses lugares,assim estando presente nessas repartições públicas.Eu sempre estou convidando amigos meus a participarem das reuniões do legislativo de Nova Londrina,é uma lástima que eles não comparecem,mas não vou desistir,e sempre procuro incentivar as pessoas a participarem.
Temos que usufruir dessa posição que possuímos na política, para podermos mudar tudo aquilo que achamos injusto, o voto não é a única forma que o cidadão tem para fazer democracia, depois que elegemos nossos representantes no governo, é obrigatório que acompanhemos essas pessoas que escolhemos para governar nossa cidade.
Os jovens não podem ficar omissos, tem que acreditar na força como instrumento de transformação. O Jovem seja ele de direita ou esquerda, independente da sua ideologia, do partido em que esteja não pode ficar ausente das discussões que envolvem nosso futuro.
No exercício da cidadania, a participação do jovem amplia os espaços públicos, assim acabando com o individualismo na sociedade política.Devemos aumentar a participação da juventude nos debates políticos. O eleitor jovem,não só os jovems de idade,mas os jovems de idéias de mentalidade, jovem na criatividade, jovem no dinamismo, devem compreender que a política faz parte do nosso dia-dia e é fundamental para sobrevivência da sociedade. Mais uma vez parabens ProfºRoberto Tsunokawa pelo texto,aproveito e desejo a todos os cidadãos Novalondrinenses e leitores desse blog um feliz 2010,
que todos estabeleçam um novo vigor de humanidade,que a paz e a compreensão reinem em nossos corações nesse novo ano!
São meus sinceros votos!
Um abraço

 
Às 15/1/10 11:12 AM , Anonymous Arthurius Maximus disse...

O brasileiro tem que aprender desde cedo a importância do voto e da política. Enquanto a política for tratada como algo chato e reservado a velhos espertalhões, teremos um país de "salvadores da pátria" que, na realidade, querem apenas salvar a si mesmos.

 
Às 15/1/10 11:45 AM , Blogger PROF ROBERTO disse...

Ivo, agradeço pelas suas considerações e que continue com essa atitude perseverante, pois carecemos desse protagonismo juvenil...seja o protagonista nessa jornada...parabéns....

 
Às 15/1/10 11:46 AM , Blogger PROF ROBERTO disse...

Ahthurius, ótima colocação exposta...chega de "maria-vai-com-as-outras"......

 
Às 15/1/10 5:15 PM , Anonymous Mateus Brandão de Souza disse...

Pena que a motivação existente nos jovens dos anos 80 e inicio dos anos noventa esfriou com o desenrolar do tempo, Hoje é grande o número de jovens omissos, leigos a tudo o que se passa no âmbito político. A realidade está de encontro com a vontade das velhas raposas que primam para uma sociedade composta por conformistas alheios a tudo...

 
Às 15/1/10 6:32 PM , Blogger PROF ROBERTO disse...

Mateus, nosso compromisso como educadores é incitar essa forma de pensar para uma nova política...conto com você...professor

 
Às 16/1/10 11:24 AM , Anonymous Anônimo disse...

PARABENS JOVEM IVO!
CONTINUE ASSIM!
E O MATEUS ESTÁ CERTO,CADA VEZ DIMINUI OS JOVEMS INTERESSADOS EM POLITICA,E PRINCIPALMENTE EM NOSSA CITY.

 
Às 16/2/10 1:56 PM , Anonymous Anônimo disse...

Caso os jovens empenhassem mais de seu tempo em atividades políticas exercidas de forma democrática e transparente, o Brasil estaria criando quadros mais capacitados para que, no futuro, a imagem dos Três Poderes não fosse tão enlameada como no presente , essa é minha opiniao.
Andressa Carolina - 14 anos Mg

 

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