16 outubro 2009

Conversa aos pés do homem

Deixei distante a família
Pra vir a Brasília senhor presidente
Conduzido por um tema de um sério problema
Que acaba com a gente
Minha bagagem é o fracasso
Mas trago um abraço dos amigos meus
Deixei toda a santaiada e fiz a jornada
Pra falar com Deus
Por não marcar audiência
Com sua excelência se eu for barrado
Alguns dos seus constituintes
Que são meus ouvintes transmita o recado
Não peço terra de graça, mas que algo faça
Pra isso é que eu venho
Por uma ajuda de custo
Não sei se é justo perder o que eu tenho
Quando eu colhi meu café
Eu pensei até em ser bom começo
Mas como foi tabelado
Eu fui obrigado a vender no seu preço
Somente as terras que haviam
Dei por garantia no financiamento
Foi quando veio a geada
E na área plantada colhi dez por cento
O banco quer minhas terras
Já tombei na guerra na luta roceira
Para salvar meu futuro que o senhor procuro
Por minha trincheira
Mesmo o gerente do banco mostrava ser franco
E meu grande amigo
Com esta queda maldita
Agora ele evita de falar comigo
Minha herança de roça
É essa mão grossa que trago por prova
Creio senhor presidente ser eficiente
A república nova
Pensava em ser tão feliz
De tudo eu fiz pra não perder o nome
Mas minha fé me alicerça
Com essa conversa aos pés do homem

Composição: Tião Carreiro e Lourival dos Santos

Clássico da nossa música Raiz, Conversa aos pés do homem foi composta numa época de declínio da produção do café. O tabelamento dos preços medida adotada no governo do então presidente da República José Sarney e as fortes geadas de meados dos anos 80, vitimaram o pobre produtor rural. Passaram-se algumas anos, e o pequeno produtor rural ainda pede por socorro, fazendo esta composição algo ainda recente.

Por Mateus Brandão de Souza, graduado em história pela FAFIPA.

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