08 outubro 2009

08 De Outubro, dia do nordestino?

“Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas nunca esmorece, procura vencê,
Da terra adorada, que a bela cabôca
Com riso na bôca zomba no sofrê.
Não nego meu sangue, não nego meu nome,
Olho para fome e pergunto: o que há?
Eu sou brasilêro fio do Nordeste,
Sou Cabra da Peste, soudo Ceará”

(Patativa do Assaré)

Isto é coisa de sulista”, assim diriam os nordestinos ao saber que há um dia no ano dedicado exclusivamente aos filhos do nordeste.

Dar aos nordestinos um dia especial seja talvez, a maneira mais inconsciente possível de explicitar o preconceito contra os mesmos, uma vez que este preconceito é muito maior que os quilômetros territoriais que separam norte e sul no Brasil, ou seja; a distancia que separa o nordestino do sulino é maior psicológica que geograficamente.

Quando pelas terras do sul se fala em nordeste, muitos tem a idéia de um povo flagelado de um povo pedinte e acima de tudo, de gente que nada faz e só espera a providencia do sul. È muito fácil julgar as atitudes, os procedimentos alheios sem o conhecimento de causa, criticar baianos, cearenses, alagoanos, piauienses, sergipanos entre tantos outros apenas pela idéia de um povo martirizado pela seca é ignorar a verdadeira identidade destes habitantes do norte e nordeste de um “continente” chamado Brasil.

Aderir a um movimento separatista apenas para livrar-se do nordeste como se ele fosse um fardo, seria muita petulância e ignorância do sul, que alimenta a idéia anti-social de que carrega o nordeste nas costas. Esquecem-se ainda os separatistas que a divisão já existe e que uma barreira impermeável separa e esconde a verdadeira realidade dos bravos Paraíbas.

Por Mateus Brandão de Souza. Graduado em história pela FAFIPA.

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