03 setembro 2009

Universidades Virtuais:

A chamada Educação à distância (Ead) é o processo de ensino-aprendizagem em que professores e alunos não precisam estar fisicamente juntos, pois se encontram conectados por tecnologias telemáticas, como a internet. Recursos de Educação à distância já são muito utilizados pelas escolas tradicionais.

Desde o início desta década, têm se desenvolvido os cursos de graduação à distância, que o aluno conclui sem praticamente ir à universidade. Há quem veja a inovação com bons olhos. Há quem lhe seja contrário.

Observamos que, a cada ano, muitos cursos estão sendo introduzidos em várias cidades-polo, democratizando o ensino a todos os cidadãos e facilitando a propagação de mais pessoas formadas e encaminhadas para o mercado do trabalho.

Vejo isso com muita cautela, pelo fato de termos uma tradição acadêmica que o cidadão para obter uma formação sólida, de qualidade e séria tem que passar pelos bancos universitários, já que o conhecimento é científico, elaborado e nem sempre as tecnologias de informação e comunicação dão conta em sistematizar esse saber.

Entendo que os cursos de capacitação, de atualização podem ser usados os recursos tecnológicos avançados como forma de otimizar o tempo e espaço de uma determinada profissão, cabendo lógico uma avaliação após tais conhecimentos proporcionados.

Agora, usar a Ead para formar cidadãos para uma profissionalização, penso ser prematuro tal procedimento, porque exigiria não só material e recursos humanos especializados, mas pelo fato de estarmos frente a uma responsabilidade em lançarmos profissionais competentes em diversas profissões que exigem não só a questão teórica, o elementar que este sujeito tenha uma carga curricular prática, evidenciando estar pronto para um mercado de trabalho que urge competência.

Desta feita, ainda não consigo conceber que um médico, engenheiro, biólogo, pedagogo, matemático saia de uma Ead com todos os requisitos que os darão suporte suficiente para encararem o cotidiano com os desafios que se aportam em todas as profissões. Talvez eu esteja sendo retrógrado, conservador, porém isso precisa ser repensado a partir de avaliações realizadas após a finalização e acompanhamento destas pessoas que tiveram essa formação por um período em que se tenham resultados satisfatórios ou não.

Não estou aqui condenando as pessoas que cursam a Ead, apenas estou colocando minha posição de alerta diante dessa forma de educar para a vida.

Por: Prof. Roberto Tsunokawa: Graduado em Farmácia e Letras pela UFSM; especialização em Psicopedagogia; professor licenciado ( especialização PDE/UEM) da rede pública do Paraná; vereador na legislatura 2005-2008; candidato a prefeito nas eleições municipais de 2008.

7 Comentários:

Às 3/9/09 11:19 AM , Blogger Osmar Soares Fernandes disse...

Prof Roberto, eu tambem tinha esse pensamento, muito receio, mas, depois que a minha esposa começou a estudar no EAD/UFMS - Nova Londrina - curso de Pedagogia/Lic Plena - passei a ver essa forma de ensino com bons olhos.
Ela estuda muito em casa e também via Internet e, ainda, tem aulas presenciais, seminários, trabalhos e provas, etc.
Creio que em breve esse será o modelo de ensino mundial em todas as séries e cursos. Essa tecnologia veio para ficar. O que vai acontecer será o aperfeiçoamento entre as aulas práticas (aulas presenciais)e as teóricas. (...)

 
Às 3/9/09 2:11 PM , Blogger PROF ROBERTO disse...

Obrigado pela contribuição Sr Osmar, acredito que testemunhos como estes são importantes para termos como parâmetros de pesquisa; já que tenho outros de pessoas que entendem que a Ead não trouxe aprendizagem consistente. Abraços

 
Às 3/9/09 4:05 PM , Anonymous Ricardo Ronda disse...

Vou entrar nesta peleja. Lembrando: Quem troxe o projeto EAD para Nova Londrina foi Arlindo Troian, funcionou e está funcionando à contento da proposta. Os argumentos do Prof. Roberto são muto válidos. Dono de larga experiência com o mister de ensinador, indiscutíveis qualidades profissionais, é no entanto fã do banco escolar. Também o sou. Toda minha formação é presencial e nela acredito como primeira opção, mas, dada a realidade local; falemos localmente, num canto do Estado, à no mínimo oitenta kms da estadual mais próxima, o EAD representa um grande avanço. Eu mesmo prestei vestibular (dificílimo) para a Federal de SC em Gestão Pública, e senti o peso da responsabilidade. Uma enorme quantidade de trabalho intranet, uma enorme quantidade de trabalho de pesquisa, acompanhamento cerrado por parte da monitoria do Polo local, provas e mais provas. Se fosse mais próximo da minha área, dentro mais do meu ideal, não teria largado o curso. E o fiz também por questões de logística, moro em Marilena e tal... Em alguns momentos, nem no meu presencial de formação acadêmica ao longo de quatro anos fui tão cobrado como aqui no Polo local. As 'tias' são de matar! Ainda bem! Talvez a qualidade do nosso alunado, ainda verde nestes novos processos, possa despertar um pouco mais de receio em alguns à respeito da qualificação final, mas que isto seja imputado à nós, os alunos, e não ao sistema, que por sí só, como afirmei, é uma vitória para Nova Londrina e para a Educação em geral. Quanto aos cursos mais técnicos, agora que os há, estão também providenciando laboratórios e outros locais de prática. Vamos ver. Como opinião pessoal sou favorável á qualquer forma de introduzir conhecimento, quem sabe, se o não presencial despertará o gosto pelo presencial e haverá migração posterior para pós, especialização e outros modos mais 'acadêmicos' de estudo. Como o poeta alemão, fico no grito: 'Luz, mais luz!'

 
Às 4/9/09 8:39 AM , Blogger PROF ROBERTO disse...

Agradeço a intervenção favorável à Ead pelo colega Ricardo; um argumento franco que mostra os pontos positivos e negativos do sistema. Abraços

 
Às 4/9/09 9:36 AM , Blogger Rogério Rocha disse...

É uma boa esse esquema de aprendizagem à distância. Ter um polo de EAD aqui em Nova Londrina é muito bom para a cidade e vizinhança em geral... Muito útil para quem deseja estudar mas não tem recursos para engressar em uma faculdade. É uma comodidade e tanto...
Porém acredito que esse tipo de aprendizagem se limitará apenas nas áres de humanas e pouca coisa em exatas. Dificilmente um curso de medicina, odonto ou até mesmo de física possa ser ensinado à distância. Nesses casos, a interação é primordial. Não dá para estudar anatomia humana na prática sem colocar a mão num cadáver...

 
Às 10/9/09 7:54 AM , Anonymous Anônimo disse...

as novas técnologias estão ai e não podemos negar que este será o futuro da educação. quanto a qualidade não adianta estar em uma aula presencial e só o corpo estar presente e não a mente. e é bom lembrar que instituições como a usp, uftp, uem, entre outras nao colocariam seus nomes em jogo, aliás todos os cursos superiores inclusive no sistema ead, tb são avalidos pelo enad, e se não tiverem desempenho esperado são fechados pelo mec.

 
Às 28/9/09 3:26 PM , Anonymous Fátimaffraire disse...

Fátima Fagundes Fraire
Prof. Roberto, compreender as EADs, nesse momento da história se faz necessário, diante da política educacional pública que facilita a entrada do estudante nas universidades privadas, exemplo Proune e deixa de fazer investimentos nas intituições públicas? Além de ,atualmente, estar dando abertura com ênfase significante na modalidade de ensino superior a distância, fazendo uso das TICs como meio de interação entre professor e aluno.Prefiro pensar que àquele que se submete ao ensino a distância deve ser adulto, responsável, capaz de aproveitar esse método de ensino da melhor maneira possível e que no final do processo seje capaz de agir como cidadão crítico capaz de intervir em seu meio social. Os jovens, pelo menos a grande maioria, gostam mesmo e da interação corpo a corpo que o ambiente escolar oferece e que no ensino a distância é solitário, talvez não daria conta de cumprir os prazos por se envolverem com os atrativos da mídia. Apesar desses apontamentos é importante olhar para essa nova modalidade, que vem ganhando espaço muito rápido, com criticidade, responsabilidade para questinar perante as autoridades competentes do ensino qual o real objetivo dos cursos oferecidos , e quais os resultados esperados na formação de profissionais para o mercado de trabalho?

 

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