24 setembro 2009

“Depois que morreu Miranda, olhe como é que a coisa anda”.

É um dito popular de conotação pejorativa que define uma mudança brusca, extremista no comportamento ou na posição de um indivíduo. Não se sabe ao certo a origem desta expressão, porém ela deixa às claras que está se referindo a um divisor de águas na vida deste ou daquele. Resumindo, é o mesmo que dizer, “veja como fulano mudou depois de certo acontecimento”.

Freqüentemente topamos com estes tipos de situações, é de certa forma a hipocrisia fazendo-se presente em nossa caminhada. Aquele que antes partilhava das mesmas idéias, hoje empunha outra bandeira é o mesmo que pregar tal coisa agora e amanhã viver outra completamente inversa.

Este tipo de situação é comumente encontrada, basta prestarmos atenção, basta termos o mínimo de memorização que notaremos as oscilações comportamentais. E é óbvio que isto está muito presente na política, mas, há também nos relacionamentos afetivos, nas amizades, nas hierarquias empresariais, ou seja: aqueles que antes te conhecia, parecia ser solidário contigo, hoje faz parte do time dos ímpios a quem tu tinhas aversão, fulano que outrora comia contigo o pão das dores, hoje se deleita com o manjar dos incluídos, esquecendo-se o que lá atrás viveu e partilhou contigo.

Chico Buarque de Holanda nos dá um exemplo clássico de situações como esta em “Quem te viu quem te vê”. Porém, resta-nos aprender a lidar com estes tipos, sermos pés no chão para não nos deprimirmos com estas decepções. É preciso cuidado, há muitos traidores do movimento, há muitos “Joaquim Silvério dos Reis”, há tantos “Judas Iscariotes”, há muitos demagogos que te diz tal coisa hoje e no frigir dos ovos se consolida contrário, Sem contar que há também muitos “Pedro” que negam te conhecer na hora que mais precisas.

Cautela minhas criancinhas, muitos dos que eram na teoria deixam de existir na prática, o conforto o dinheiro acomoda uns e corrompe a muitos. Na concepção de alguns anarquistas, muitos proletários aderem à revolução não por odiar a burguesia opressora, porém para derrubá-la e unicamente ocupar a posição desta. Os de fato virtuosos e verdadeiros são pouquíssimos.

Por: Mateus Brandão de Souza, graduado em História pela FAFIPA.

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