25 julho 2009

Dita... dura ou branda?

Não repercutiu muito na TV, e menos ainda na Veja, por motivos óbvios, um editorial do jornal Folha de São Paulo, publicado em 17 de fevereiro deste ano. No entanto, causou polêmica no meio acadêmico e também em órgãos de imprensa alternativos.

A Folha de São Paulo, qualificou a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985) como “ditabranda”. Ou seja, no entender do jornal, se comparado com outros regimes da América Sul, como por exemplo o Chile e a Argentina ditatoriais, a ditadura militar não foi tão dura assim. Nossa opinião? Um pensamento absurdo, mas que pode nos trazer boas reflexões sobre os seus reais interesses.

O principal deles é o revisionismo da história. A Folha faz parte de um grupo grande e com interesses óbvios, que tenta reconstruir uma história mais confortável e conciliadora da ditadura militar. Pensam eles que o povo brasileiro não tem memória. Espero que estejam enganados.

Revisionismo é uma prática usual. Por exemplo: na época da ditadura militar, a ARENA era o partido político que dava sustentação ao regime. Figuras como José Sarney, ACM, Borhausen e Romeu Tuma estavam de braços dados com os militares, e ganhando várias concessões de rádio e televisão. Com o fim do bipartidarismo, muram o nome para PDS, tentando enganar o povo e diminuir o estrago eleitoral, um dos gritos populares da época era “O povo não esquece, abaixo o PDS!”. Este partido dividiu-se em dois quando da disputa no colégio eleitoral que escolheu Tancredo Neves do PMDB, para presidente em 1985. Um grupo apoiava Paulo Maluf e fundou o PPB (atual PP) e outro grupo apoiava José Sarney, vice de Tancredo e fundou o PFL. Hoje, o PFL mudou mais uma vez de nome, agora, os senhores ditatoriais, tentando fazer com que o povo esqueça o seu passado, criaram o DEMOCRATAS. Típico do revisionismo histórico e da tentativa de contar com a curta memória do povo.

No caso em questão, a Folha de São Paulo era mais um dos grandes jornais que dava sustentação à ditadura militar, além de por exemplo o jornal O Estadão, a revista Manchete, a revista Veja e a TV Globo.

Vários editoriais do jornal naquela época exaltavam os “avanços econômicos” do Brasil. Um dos donos do jornal chegou a ser interventor federal na cidade de Santos. Os militares usaram as camionetes da Folha para realizar operações ilegais. O jornal Folha da Tarde (atual jornal Agora) fazia apologia explícita à repressão militar.

Ah, mas os militares estavam salvando o Brasil do perigo comunista. Mentira! Não havia a menor perspectiva de uma “revolução à esquerda”. Não existia articulação do PCB com o povo. Poucos eram os militantes de esquerda, em sua maioria, intelectuais tradicionais e poucos orgânicos (quem conhece o pensamento de Gramsci entende a diferença).

Ah, mas os militares estavam apenas reagindo à luta armada da esquerda. Mentira! A esquerda brasileira só pegou em armas quando a perspectiva eleitoral deixou de ser possível, ou seja, quando os partidos políticos foram fechados, o congresso desrespeitado, os estudantes calados e o AI-5 reprimindo. E os crimes dos militantes de esquerda? Tudo bem, vamos comparar armamentos e mortos?

Interessante que o editorial da Folha estava falando mal de Hugo Chávez, o que não é nenhuma novidade vindo do PIG (Partido da Imprensa Golpista) e tem um claro conteúdo ideológico. Um aviso aos seus leitores (classe média-alta que lê jornal) contra o avanço dos regimes populares na América Latina, que em plena crise do modo de produção capitalista, avança pelo continente.

Além disso, estamos prestes a ter eleições presidenciais. A candidata do governo, provavelmente, será Dilma Rousseff, uma ex-militante de esquerda nos anos da ditadura, que foi presa e torturada. Incutir a idéia de que a ditadura não foi tão dura assim, é interesse de seus adversários, que aliás, estavam do lado oposto de Dilma nos anos 1970.

Enfim, A Folha, assim com a Veja, a TV Globo e outros grandes veículos de comunicação, seguem a risca a “pauta oculta da direita”, ou seja, usam de sua suposta imparcialidade enquanto imprensa, e incutem valores ideológicos nos seus leitores. O revisionismo da ditadura militar é parte deste programa.

7 Comentários:

Às 26/7/09 10:58 AM , Anonymous Prof Roberto disse...

É sempre interessante fazer esse resgate histórico-político para que o povo não seja "orientado" a ter uma visão irreal do cenário político nacional, estadual e municipal...nada é por acaso...valeu pela retrospectiva ....

 
Às 27/7/09 12:36 AM , Anonymous joão henrique disse...

Ótimo artigo.
agora dita-branda, porque não foilombo deles. pergunta pra quem sobreviveu se nao era mais do que "dura", era assassina.

 
Às 27/7/09 3:22 PM , Anonymous Anônimo disse...

MUITO BOM MESMO...

PRINCIPALMENTE PARA N.LONDRINA E PARANAVAÍ...ESSAS CIDADEZINHAS DO POVO GLOBELEZA

SE LIGA NOS PARTIDO POVÃO...

 
Às 27/7/09 3:45 PM , Anonymous Arthurius Maximus disse...

A imprensa nunca foi imparcial. Quer para a direita, quer para a esquerda todos puxam a sardinha para o lado em que mais acreditam.

Isso é uma pena porque acabam criando "mártires" e "seres divinos" quando, na verdade, deveriam estar expondo canalhas.

 
Às 27/7/09 5:19 PM , Anonymous Anônimo disse...

é verdade nós brasileiros trabalhamos tanto as vezes de domingo a domingo para pagar seis meses de impostos.tudo isso só para estes ladrões ecnher os bolsos e comprar fazendas e mas fazendas e a maioria dos brasileiros morrendo de fome.ai vem este presidente e diz que esta acabando a pobresa. está acabando porque está morrendo de fome.comboio de ladrões.mim dá nojo dessa gente.crapulas.

 
Às 27/7/09 5:31 PM , Anonymous Anônimo disse...

Comunicação e políticos
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No Brasil, 271 políticos são sócios ou diretores de 324 veículos de comunicação. O Projeto Donos da Mídia cruzou dados da Agência Nacional de Telecomunicações com a lista de prefeitos, governadores, deputados e senadores de todo o país para mapear quais deles são proprietários de veículo de comunicação.
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Observe alguns dados estatísticos por partido político:
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01º) DEM: 21,4%
02º) PMDB: 17,71%
03º) PSDB: 15,87%
04º) PP: 8,49%
05º) PTB: 5,91%
06º) PSB: 5,9%
07º) PPS: 5,17%
08º) PDT: 4,8%
09º) PL: 4,43%
10º) PT: 3,69%
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Dessa maneira, somente o DEM, PMDB e PSDB influenciam diretamente 54,98% dos veículos de comunicação. Ou seja, mais da metade deles.
Além disso, os cinco primeiros partidos da lista são de direita, e juntos dominam 69,38% da imprensa. Ou seja, a cada 10 veículos de comunicação, 7 são dominados e/ou influenciados por partidos políticos de direita.

 
Às 3/8/09 9:26 PM , Anonymous Anônimo disse...

Repito o dito de alguém: Prefiro a pior democracia que a melhor ditadura. Na ditadura, resultante do golpe desferido no dia primeiro de abril (reparem a data) o instituto do habeas corpus foi extinto; o mandado judicial ídem. Gorilas invadiam sua casa a qualquer hora e revistavam toda ela na busca de material subsversivo. Redações de jornais eram dirigidas por censores escalados pelo Poder Golberiano. O cidadão era maquinalmente obrigado a não se manifestar politicamente, a não ser em caso de apoio ao estado de exceção. O seu título de eleitor foi parar no fundo de qualquer gaveta. Em cada cidade, uma dezena de dedos-duros do SNI, do DOPS, da Polícia Federal e de todos os organismos ligados à repressão se encarregavam de 'entregar' cabeças contrárias aos ditames revolucionários aos arquivos daquelas instituições. Cientistas, pesquisadores, enfim as cabeças lúcidas desta Nação ou foram expulsas ou escolheram o exílio em outras paragens. Grêmios estudantís, sindicatos, enfim, toda e qualquer entidade representativa de classe era tachada de comunista. Aconteceu o golpe porque Jango acenava com reformas de base. Justamente as mudanças que o Brasil tanto precisa e que este governo que aí está, tanto abomina. Se fosse implantada a reforma agrária como queria Jango, não existiria o MST e os fazendeiros poderiam dormir em paz. Se acontecesse reforma bancária, não assistiriamos hoje, um banco, como o Bradesco por exemplo, anunciar lucros de três bilhões num semestre. Se acontecesse reforma tributária, o empresariado brasileiro não seria sufocado pela carga tributária mais perversa do mundo. Cansei, mas topo continuar debatendo. Saúde e Paz! Banzai! Shalom! Parreiras Rodrigues, assessor de Imprensa do dep. Luiz Accorsi (Em tempo: o expressado ai em cima é de minha inteira responsabilidade)

 

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