05 março 2009

Antonio Conselheiro:

Em sua grande maioria, segundo a história que nos é passada, Antonio Conselheiro tem a imagem de um louco, de um beato de mente transtornada que se tornou uma afronta ao progresso e à ordem em que o Brasil vinha passando, uma vez que a república vivia seus primeiros momentos.

Esta é a opinião que prevalece sobre o homem que liderou o levante de Canudos e trouxe para junto de si, uma leva de seguidores das mais diferentes camadas sociais. O intuito de ofuscar o brilho de Antonio Mendes Maciel, o Antonio Conselheiro, foi e é para mostrar que a legalidade e a razão estava, com a classe dominante e não com aqueles rebeldes e fanáticos que se aglomeraram no Monte Santo.

Porém outra visão sobre o que aconteceu na Bahia nos primeiros anos da república é permitido. Desde que tomemos cuidado em analisar sobre outra ótica, o que foi o episódio de Canudos e o que pregavam Antonio Conselheiro e seus seguidores mais próximos.

Na carência de líderes, de homens de carisma e persuasão, Antonio conselheiro se destaca não só no Brasil, mas também na América Latina ou até mesmo no mundo. Muita coisa foi escrita tentando tirar o destaque ou até mesmo não apontando as qualidades deste homem que se posicionou contra os dominantes e opressores do seu tempo, governos, igreja, coronéis e imprensa, confabularam contra o homem que construiu no nordeste, um refúgio onde era possível assistir aos oprimidos e os miseráveis, encontrando no discurso e nas ações de Conselheiro, verdades que iam de encontro aos seus anseios.

Nem só de flagelados era formado o grupo e Antonio conselheiro, juntos com este estiveram, doutores, intelectuais e outros que não suportavam as injustiças nem os desmandos das classes dominantes.

O levante de Canudos destacou-se por seu sucesso contra os poderosos no Brasil, por três vezes, conselheiro e seu grupo derrotaram as investidas do governo de Prudente de Moraes, o Arraial de Canudos só foi derrotado, quando uma mobilização do governo republicano, levou até a Bahia uma artilharia em dimensões desproporcionais ao exército de conselheiro, quando também um grande número de soldados de todos os estados da federação, aniquilaram os sonhos de liberdade pregados em terras de conselheiro.

Com o fim do arraial de Canudos e de Antonio Conselheiro, ficaram ainda seus discursos, plantados nas mentes dos sobreviventes e de todos que anseiam por liberdade. Liberdade também defendida antes por Zumbi dos Palmares e depois por Ernesto Che Guevara, a luta pela justiça onde a igualdade e a dignidade abrace a todos os homens, independente de sua origem ou posição social e geográfica. Viva Antonio Vicente Mendes Maciel, Viva o Arraial de Canudos, Viva o ato de Conselheiro.

Por: Mateus Brandão de Souza. Graduado em História pela FAFIPA.

4 Comentários:

Às 6/3/09 3:38 PM , Anonymous Arthurius Maximus disse...

Esse período de nossa história tem de tudo. Mas, ler "Os Sertões" dá muito bem um parâmetro do que "rolava" por lá. Afinal de contas; mesmo se considerarmos as opiniões políticas do autor; tudo foi observado "in loco".

 
Às 7/3/09 10:50 PM , Blogger Dorian disse...

Defender Antônio Conselheiro comparando-o a Zumbi e Guevara é no mínimo imprudente e contraditório. Zumbi era ele mesmo proprietário de escravos e Guevara um frio assassino de quem discordasse de suas idéias. Aonde estão a liberdade, a justiça a igualdade e a dignidade nesses casos??

 
Às 12/3/09 10:07 AM , Blogger Jose Darci disse...

Gostei do texto. De fato Antonio Conselheiro foi sem dúvida um homem que não aceitou de forma passiva as injustiças de seu tempo, mas com relação ao segundo comentário, onde está afirmado que Zumbi dos Palmares foi um senhor de escravos (Proprietario), isso eu ainda não sabia, mas gostaria de uma fonte segura sobre o assunto, pois no período de Palmares o termo senhor de escravos tem um sentido comercial (mercadoria) compra e venda de escravos. Havia, uma hierarquia em Palmares, logo, há submissos a um líder, mas como uma forma de se organizarem. Agora, senhor de escravos???
“Emancipem-se da escravidão mental, pois só nós mesmos podemos libertar nossas mentes” Bob Marley.

 
Às 7/1/11 3:48 PM , Blogger Mardônio disse...

Antonio Conselheiro tentou sim, ofuscar em para si mesmo os inúmeros fracassos de sua vida, tornando-se a pedra angular de um mundo de vidas. Criar Belo Monte foi mais que uma tentativa de soerguer a própria Jerusalem, foi construir sobre o Tumulo do velho Antonio Maciel uma lápide: Deixei de ser fracassado.

 

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