30 março 2009

Para quem serve o discurso moralista europeu?

Na manhã de um sábado, enquanto esperava a minha carona para ir à Pós-Graduação, utiliza a grande invenção do controle remoto para procurar algo interessante para passar o tempo. Ao chegar na TV Câmara, me deparei mais uma vez com o excelente curta-metragem “Aldeia” de Geraldo Pioli.

Assistam o curta no site da TV Câmara aqui.

Um padre jesuíta tentando explicar os dez mandamentos de Deus em uma aldeia guarani em um ponto qualquer do Brasil. Um sátira à corrompida sociedade européia que se achava a mais avançada econômica e culturalmente do mundo e por isso devia catequizar os índios e salvá-los.

É cômico ver o desespero do padre ao perceber que os dez mandamentos não servem para aquela comunidade, pelo simples fato de que aquela comunidade não peca. São puros. Quem peca são os europeus e sua ganância por mais dinheiro, mulheres, etc. O discurso moralista europeu e também da nossa classe média branca, serve apenas para as nossas sociedades corrompidas.

Assistam o vídeo. É fantástico. São apenas dez minutos. Vale muito a pena.

27 março 2009

Cargos em comissão:

Ao ler a Lei Orgânica do Município, lei aliás que todos os cidadãos deveriam conhecer e ter em casa, assim como a Constituição Federal e etc, um dispositivo me deixou intrigado.

Reza o artigo 88 da Lei Orgânica, em consonância com o artigo 37 da Constituição Federal, reintroduzido com nova redação pela Emenda a Lei Orgânica nº 008/06 de 01/07/2006 e que entrou em vigor na data de 1º de janeiro de 2007:

Art. 88 - Nos cargos em comissão é vedada a nomeação de cônjuge, parente consangüíneo, por adoção ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, respectivamente do Prefeito, Vice-Prefeito, Diretores de Departamento, Assessores, dos Secretários Municipais no âmbito do Poder Executivo Municipal, bem como, dos Vereadores, tanto no âmbito da Câmara Municipal, quanto do Executivo Municipal.

Até aí, nenhum problema. Acontece que, o decreto municipal nº 006/2009, publicado no diário do noroeste do dia 07 de janeiro deste ano, nomeia para o Cargo de Provimento em Comissão, de secretária de Bem-Estar Social, uma pessoa que, aparentemente, teria a nomeação vedada pelo artigo acima citado. Leia você mesmo o decreto:


Está ocorrendo uma irregularidade ou eu estou equivocado? Se alguém mais inteirado do assunto puder prestar esclarecimentos neste blog, toda a comunidade agradece. Se estiver ocorrendo uma irregularidade, quais as providências a serem tomadas pela Câmara e pelo Ministério Público?

Duvidas sobre o que seja ou não Nepotismo? Entre no site do MP de Pernambuco e veja você mesmo. Está bem didática e curta a explicação.

Erramos?! Segundo comentário de uma leitora atenta deste Blog, a súmula vinculante nº 13 do STF não veda a possibilidade de contratar parentes para os "cargos políticos", como o em questão.

26 março 2009

Programas de TV:

“Considero a televisão muito educativa, cada vez que alguém na sala liga o aparelho, vou para o quarto ler um livro” (Groucho Marx – humorista estado-unidense)

Quando não tendencioso, não buscando formar opiniões contrárias a este ou aquele determinado seguimento político, talvez o jornalismo seja a parte boa nas programações de nossa televisão.

Diariamente nas TVs abertas do Brasil assistimos programações no mínimo vazias, programas de auditórios imbecis que nada servem para contribuir ao intelecto de seus telespectadores. As emissoras de TV brigam entre si pela audiência, porém a qualidade das programações são baixíssimas, não tendo nada construtivo a apresentar para uma população consumidora de suas programações.

É de total baixaria certos programas das tardes, buscando solucionar problemas particulares de pessoas anônimas, escândalos amorosos de beltrana que saiu com marido de cicrana. Apresentam-nos problemas confidenciais de famosos, como que isto fosse de suma importância para a nossa formação e também com coisa que temos que nos preocupar com questões alheias que não nos diz respeito.

Tem sido insuportável, programações baseadas em disse que disse em torno de cantores de mau gosto, atores, modelos e toda sorte de gente que compõe a mídia. No país do futebol, programas esportivos se centralizam em uma ou duas equipes de futebol do Rio de Janeiro ou de São Paulo, com apresentadores e comentaristas num bla-bla-bla indecifrável considerando-se doutores e filósofos da bola.

Durante as noites há novelas pouco satisfatórias e outra vez programas de auditório pouco proveitosos onde em pauta estão sempre a nudez de determinadas modelos, dançarinas ou ainda a suposta beleza deste cantor ou daquele determinado ator.

As grandes TVs do Brasil estão contribuindo para a má formação intelectual de nossa gente, porcarias como Big brother Brasil, são apresentados como prato fino de degustação apreciável, mas não passam de idiotices onde leigos do senso comum se acham artistas de primeira grandeza, são na verdade indivíduos de fama efêmera, que até ontem eram anônimos, e hoje pousam em nossas telas com ares de pessoas importantes e formadores de opinião. Nos poupe rede globo, nem só de tolos é formado este país.

É impossível rirmos de certos programas de humor, onde supostos humoristas se expõem ao ridículo fazendo as mais diversas ginásticas faciais tentando fazer engraçado, coisas fatalmente sem graça, piadas centenárias são repetidas com freqüência e desta forma tentam nos arrancar o riso.

Gugu Liberato apresenta aos domingos o pior programa de auditório do mundo, aliás, domingo é o pior dia para se assistir TV, Faustão outro insuportável consegue a proeza de deixar o domingo muito mais entediante. Certos programas de receita, de culinária ensinam guloseimas que a população pobre jamais irá comer, outros de enrolação onde um tema é exposto e durante hora e meia, fica-se falando sobre determinada coisa com interrupções para venda de chá disso e daquilo, venda de máquinas fotográficas e tantas outras coisas que é de se tirar a paciência de qualquer vivente.

Deixamos aqui nossa indignação pela falta de qualidade em nossa TV, e o pedido para que nos apresente uma programação mais atrativa, que nos façam saciados de boa qualidade, caso contrário será em vão todo investimento em aparelhos de TV digital com virtudes indescritíveis. Que a qualidade da programação acompanhe a tecnologia dos atuais aparelhos, pois a tecnologia sofisticou as TVs, mas a programação regrediu tornando-se inferior aos tempos em que nossas casas tinham as antigas TVs valvuladas e em preto e branco.

Por: Mateus Brandão de Souza, graduado em história pela FAFIPA.

25 março 2009

Educar para a PAZ:

Quando falamos em educação pela Paz, deparamos com situações cotidianas que nos remetem muitas vezes ao inconformismo, às fatalidades e tragédias presentes a todo momento em nosso viver, entendendo não caber falar algo que seja ao contrário dessa questão.

Friamente analisando, não se concebe que haja razões para que possamos mostrar que a traquilidade venha reinar em nosso comportamento e assim mantivermos em harmonia nossos relacionamentos com as pessoas no trabalho, na rua e em nosso lar.

Mas, como cidadãos conscientes, com conhecimentos acadêmicos, devemos compartilhar a sabedoria no sentido em podermos estar bem com nossa sociedade, evitando o caos, porque não resolve; é preciso respeito, olhar, ouvir, entender, interpretar.

Após esse procedimento, dialogarmos com todos, tentando argumentar, educar com ações que conduzem à Paz os seres, conquistando dessa forma os objetivos satisfatórios à comunidade.

Acreditamos que é complexo tais tarefas, porém como educadores e formadores de opinião, contribuiremos em amenizar as angústias e talvez mágoas, ódios e rebeldias diante de um mundo competitivo em que os valores estão em posição inversa da sua normalidade, em que se privilegie o errado em detrimento ao certo.

Por: Prof. Roberto Tsunokawa: Graduado em Farmácia e Letras pela UFSM; especialização em Psicopedagogia; professor da rede pública do Paraná; ex-vice diretor do Colégio Ary João Dresch; vereador na legislatura 2005-2008; segundo colocado nas eleições municipais de Nova Londrina com 35% dos votos.

20 março 2009

Hierarquias e preconceitos:

O mundo é hierarquizado. Não que tenha sido sempre, mas como disse o filósofo iluminista Rousseau, desde que o primeiro homem teve a idéia de cercar uma terra e dizer “isso é meu” e encontrou pessoas suficientemente simples para concordar.

Pois bem. No entanto, várias pessoas dedicam a sua vida na luta contra esta hierarquização. E não digo apenas econômica, mas principalmente daquela hierarquização que passa despercebida em nosso dia-a-dia.

Observem a imagem abaixo:


Nós todos lutamos contra a hierarquia que nos desfavorece, no entanto, reproduzimos, mesmo sem nos dar conta, a hierarquia que nos favorece. Exemplo: a classe média branca brasileira fica revoltada quando é barrada em algum aeroporto europeu. Faz-se reportagens na TV e até mesmo o governo federal se pronuncia. Mas, quantos brasileiros negros, mulatos, pardos e pobres são barrados por esta mesma classe média branca nos bancos, escolas, lojas, indústrias e universidades brasileiras todos os dias? Cadê a TV e o governo federal? Pense nisso!

19 março 2009

Haiti:

Século XVIII, do Haiti provinha a maior produção açucareira do mundo ocidental, a escravidão do negro era uma realidade explícita, no Brasil por exemplo, o trabalho escravo só teria fim noventa e sete anos depois daquele memorável acontecimento que se deu no Haiti.

Corria o ano de 1791, os franceses eram os colonizadores desta parte das Antilhas, o Haiti, importante colônia produtora de cana-de-açúcar, onde vivia uma imensa população de homens, mulheres e crianças de cor negra, subjugados pela escravidão e maltratados pelo penoso trabalho da cultura do açúcar. Porém, um levante do povo negro escravo no Haiti, poria um fim ao julgo em que eram submetidos e a revolução haitiana entraria para a história sendo a mais importante ação anti-sujeição do povo negro africano e escravo nas Américas.

Os colonizadores franceses foram expulsos e mortos, e a população escrava do Haiti assumiria o país onde a monocultura do açúcar enriqueceu muitos europeus exploradores. Embora tenha sido omitida, sendo assunto falado apenas nas rodas dos senhores de escravos para não motivar levantes nas demais colônias dispersas na América, o povo negro de todo este continente era ciente do que se deu no Haiti e se orgulhavam deste feito, desde então, a revolução daquele país inspirou muitos negros lutar por sua liberdade nos pontos mais dispersos da América escravocrata.

Após a derrota dos franceses, a Inglaterra ainda tentou invadir as terras haitianas, ocupar o Haiti era motivo de honra, pois tomar uma ex-colônia outrora pertencente aos seus arqui-rivais franceses, seria para a Inglaterra uma auto massagem no ego e uma maneira de mostrar a fragilidade e incompetência da França. Porém, a Inglaterra também se esbarrou na resistência dos guerreiros haitianos e em 1793, os ingleses foram derrotados tornando a revolução haitiana muito mais importante e vitoriosa, uma vez que derrotou as duas maiores potencias capitalistas do século XVIII.

Hoje talvez nos perguntamos, o que aconteceu ao Haiti, que frutos foram colhidos dessa revolução, que caminhos percorreu este país para se tornar o que é hoje? Tal como se sucedeu com Cuba no século XX, ao Haiti do século XVIII foi imposto um embargo comercial, e aquele país devido sua revolução, deixou de ser o maior exportador de açúcar para a Europa .

Vitimados pelo isolamento capitalista, e por indenizações pagas a investidores estrangeiros, o Haiti pode não ter se tornado um país de fato independente economicamente, mas certamente se tornou desde sua revolução no século XVIII, um importante exemplo de luta de classes, onde o povo negro, sujeito a escravidão, quebrou as correntes e derrotou seu principais algozes. Este é o orgulho haitiano, a honra deste povo guerreiro que enquanto a escravidão negra era vigente, foi uma ameaça e um temor a toda America dominada por escravocratas.

Por: Mateus Brandão de Souza. Graduado em História pela FAFIPA.

18 março 2009

Educar para a Caridade:

Quando se fala em educar, pensa-se em orientar, disciplinar alguém para alguma coisa que se acredita. Porém, educar para a caridade, é preciso muito mais ações pessoais que apenas o ato de “educar”.

Em primeiro momento, deve-se ter claro que o ser humano é desprovido de muitas deficiências, até por que ninguém é perfeito, sempre está buscando um ponto de equilíbrio, harmonia, autocontrole.

Educar para a caridade, antes, é necessário estar internalizado em nosso “eu”, nosso íntimo, o ato de ser e ter caridade. Tendo isso evidente em nosso ego, poderemos instrumentalizar as pessoas para tal ato.

O nosso comportamento diário é o espelho em uma sociedade, as idéias que expomos, as ações que desenvolvemos, a prática do que falamos e agimos são as ferramentas para termos “moral” para termos crédito junto à comunidade.

De posse disso, a orientação no sentido de educar para a caridade torna-se um caminho suave e potente, pois a primeira prerrogativa já a temos, o restante vem pelo respaldo, engajamento de outros parceiros com o mesmo perfil de integridade moral.

A partir desse momento, começar-se-á o trabalho de educação para a caridade. Um planejamento em equipe, metas, objetivos traçados e definidos, iniciam essa tarefa de educar.

A caridade, não significa esmola, humilhação, mas é auxiliar, ajudar o próximo da melhor forma possível. É fazer o indivíduo ser mais gente, acreditar que pode compartilhar com experiências significativas que irão resolver parte de problemas cotidianos da vida de uma pessoa.

Não é só saciar a fome de comida, é levar esperanças e solidariedade no sentido de resgatar a dignidade e o cidadão sentir útil e feliz com o mundo que o cerca.

É entender que os problemas existem e podem ser resolvidos com paciência, perseverança e com tempo. Caridade está no convívio pessoal em nosso trabalho, em nossa família, em nossos relacionamentos vários que temos no decorrer do dia e da vida, são todos os momentos.

Se conseguirmos educar dessa forma, vamos aumentar a auto-estima de muitos, conseqüentemente, vamos conviver melhor; sem tumultos, discórdias, ódio.

Logo, praticar essa missão e ter resultados positivos são fáceis, basta que tenhamos a sabedoria da vontade e agirmos com extrema benevolência com e para as pessoas.

Por: Prof. Roberto Tsunokawa: Graduado em Farmácia e Letras pela UFSM; especialização em Psicopedagogia; professor da rede pública do Paraná; ex-vice diretor do Colégio Ary João Dresch; vereador na legislatura 2005-2008; segundo colocado nas eleições municipais de Nova Londrina com 35% dos votos.

16 março 2009

Pensamento bipolar ou oposição binária:

O europeu e por conseqüência a classe média branca das Américas, possuem um esquema de pensamento bipolar, isto é, estabelece dois pólos. De um lado o que é bom e do outro o que é ruim. Observem o quadro abaixo:

Ou seja, coloco de um lado o que penso ser de Deus e do outro o que penso não ser de Deus, que conseqüentemente, só pode ser do Diabo.

Esta oposição está presente em nossa fala cotidiana, sem que nos demos conta disso. Por exemplo: “_Entendeu? Ficou claro?”; “peste negra”. O racismo contra o que não é o pensamento europeizado já está enraizado em nossa sociedade.

Fonte: Estudos Culturais e Ação Educativa - Walter Lúcio de Alencar Praxedes

12 março 2009

Notícias rápidas de Nova Londrina:

Reforma: Visitei a trabalho a prefeitura municipal por estes dias, e fiquei observando os funcionários trabalhando a vista de todos. Legal o “burburinho” e a sensação de transparência que isso passa ao visitante. No entanto, como comentei com um amigo naquele local, veio em minha cabeça as explicações de Michel Foucault.

Audiência Pública: Apesar de quase nenhuma divulgação, aconteceu no dia 27/02, na câmara municipal, uma audiência pública para avaliação e cumprimento das metas fiscais do 4º trimestre de 2008, tanto do executivo quanto do legislativo municipais. Eu mesmo fiquei sabendo disso apenas no dia 28. Uma pena.

Reversões: O executivo municipal reverteu esta semana duas doações de terrenos feitas em outras administrações. O argumento é de que os beneficiados não utilizaram o terreno da forma prevista em lei, isto é, não construíram nada no local. São dois lotes na zona industrial da cidade (saída para Paranavaí, ao lado da AACC, subindo para o Santa Mônica) doados em 1988 e outro atrás da AABB (um terreno onde existe/existia um campo de futebol – não é o campo do Edson Gradia), doado em 1996. Gostei da medida. Resta saber qual critério será usado para a escolha de possíveis novos beneficiados e se todas as doações serão revertidas ou então se outros terrenos não utilizados serão declarados de utilidade pública.

Conselho Tutelar: Haverá eleição para 03 vagas no Conselho Tutelar de Nova Londrina, e mais 05 suplentes. Inscrições na Secretaria de Ação Social (prédio atrás da Prefeitura) entre os dias 05/03 a 20/03. Participem da votação.

“Imframador”: Este blogueiro foi chamado por um interlocutor e na presença de várias pessoas, de ser apenas um “imframador” (sei que o m só dá a mãozinha para o p e o b, mas como meu interlocutor trocou o l pelo r, pode muito bem também trocar o n pelo m, vai saber né!), ou seja, que eu estaria torcendo contra a administração pública e etc. Um absurdo, além de ser uma injúria e difamação.

Oposição: Boatos que circulam nas conversas ao pé do ouvido em Nova Londrina, dão conta de que a “oposição” (aqueles que não concordam com a forma de administrar atual, e possuem propostas um pouco diferente) está em processo de organização já com vistas às eleições municipais de 2012. Parece até que reuniões tem sido realizadas.

NLonline 01: Este simples Blog parece estar atingindo o efeito desejado. O site do NLonline também vem divulgando a alguns dias informações sobre a administração municipal. Pena que limita-se a apenas informar, parecendo-se mais com um órgão de divulgação oficial.

NLonline 02: Mas, o site do NLonline possui um projeto que visa agregar em sua página cerca de dez colunistas com espaço para escrever sobre os mais diversos assunto. Algo semelhante ao que este Blog já vem tentando fazer. Inclusive, este blogueiro foi convidado a ter o seu espaço no NLonline.

Placas: Podemos observar em algumas ruas da cidade, a colocação de placas informando os nomes. Bela atitude que contribui para o deslocamento de toda a população. No entanto, aqui perto de minha casa tem uma placa com a informação errada. Na esquina do Hospital Municipal, onde lê-se “Av. Fioravante J. Montanher” deveria estar escrito “Rua Justino Celestino Slaviero”, que é o nome correto da rua onde a placa se encontra. Esperamos que seja arrumada o mais rápido possível.

Buracos: Ao contrário do que divulgado, a chamada “operação tapa-buracos” anda lenta demais. Apenas aqueles da avenida Londrina foram tampados. Hoje pude ver que os da rua da câmara municipal até a 180 casas foram tampados, pena que apenas com algumas pedrinhas que penso não durarão até a primeira chuva. Detalhe: os buracos que ficam exatamente em frente a casa do ex-prefeito não foram tampados.

Aniversário da cidade: Está chegando o dia de comemorar mais um aniversário da cidade de Nova Londrina. Entretanto, até agora nada foi divulgado acerca de possíveis comemorações.

O cangaço.

“Nordeste terra das secas
Dos valentes cangaceiros
Dos velhos homens honestos
Dos corajosos vaqueiros
Das mulheres carinhosas
Das sertanejas formosas
Dos famosos violeiros”...
(Manoel D’Almeida Filho – Vida, vingança e morte de Corisco)

O nordeste do Brasil, marcado por sua beleza litorânea, pela desigualdade social e também pelas longas estiagens em virtude de sua posição geográfica, foi também cenário do movimento formado por homens temidos, destemidos, periculosos e lendários, época de coronelismo forte conhecido como cangaço.

O tempo do cangaço se estendeu dos meados do século XIX até 1940, com a morte de Corisco, nome pelo qual ficou conhecido Cristino Gomes, membro do primeiro escalão de Virgulino, o Lampião.

O primeiro cangaceiro a se tornar notável foi Lucas da Feira, baiano de Feira de Santana, Lucas era negro e filho de escravos, sua atuação foi ainda nos tempos de D. Pedro II, Lucas da Feira foi no entanto o pioneiro do cangaço.

Jesuíno Brilhante, muito mais famoso que Lucas da Feira, Jesuino foi um cangaceiro querido pelos menos abastados, conhecido como cangaceiro romântico, seguiu uma linhagem Rob Hodiana, Jesuíno, saqueava cargas, roubava os ricos e distribuía aos pobres. Valente, sagaz e habilidoso, Jesuíno Brilhante tornou o cangaço conhecido além das divisões territoriais nordestinas.

Cabeleira, cangaceiro cruel, ele era a lei no sertão pernambucano, assombrou também os estados da Paraíba e Rio Grande do Norte, Cabeleira se tornou lenda, seu nome esteve em canções populares. As mães do seu tempo, sabendo dos atos desumanos do cangaceiro, ameaçavam seus filhos usando o nome de Cabeleira para conquistar-lhes a obediência, Cabeleira era mencionado como uma espécie de bicho-papão que as crianças temiam.

Antonio Silvino, o rifle de ouro, Cangaceiro infame, está entre os primeiros do cangaço, era conhecido como governador do sertão, Antonio Silvino antecedeu Lampião, tornou-se famoso por sua valentia e por ser o único cangaceiro a cumprir pena judicial e morrer de morte natural, Antonio Silvino foi o cangaceiro de maior longevidade morreu em 1944 com setenta anos.

Virgulino Ferreia da Silva, o Lampião, foi o mais destacado entre todos os cangaceiros, se Antonio Silvino foi o governador do sertão, Lampião foi o rei do cangaço, o pernambucano Virgulino entrou para este movimento, junto com seus irmãos Antonio, João, Ezequiel e Livino, este último grande aliado e companheiro de lampião, os irmãos Ferreira da Silva entraram para o cangaço para vingar a morte de seus pais. 1929 foi o ano que aparece a feminilidade de Maria Bonita no cangaço, tornando-se esposa de Lampião. Deste grupo destacam-se cangaceiros de destreza admirável, homens de notáveis apelidos como, meia-noite, sabonete, jararaca, correnteza e corisco.
Antes de Lampião, existiram ainda João calangro e Inocêncio vermelho, mas, três nomes fizeram o cangaço notório em tempos diferentes. Jesuíno Brilhante, Antonio Silvino e Lampião, estes foram os maiores cangaceiros que existiram, seguindo estes despontaram vários outros com muitas façanhas, mesclando em torno de seus nomes verdades e lendas que enriquecem os relatos sobre o cangaço. Corisco, fechou a época, o diabo loiro foi o último dos cangaceiros atuantes e morreu em 1940 num confronto com a polícia do estado da Bahia.

Por: Mateus Brandão de Souza. Graduado em História pela FAFIPA.

11 março 2009

Dignidade:

A sociedade mundial apresenta como elo de convivência entre os povos , a dignidade. Sabe-se que a cada conflito gerado no planeta, o rompimento aconteceu pelo fato de as pessoas não observarem o respeito de limites e condições às partes envolvidas. Como manter a dignidade, mesmo que essa seja transgredida entre povos e pessoas?

Observa-se que as nações passam por momentos delicados na economia, conseqüentemente desencadeando dificuldades em setores vitais da humanidade como educação e o aspecto social. Pela globalização, o Brasil, de uma forma, é afetado por isso.

Esse transtorno faz a concentração de renda ser distribuída de forma desequilibrada, em vez de Ter sido equânime entre os povos, favorecendo o aniquilamento do processo educacional-social.

Em nosso país, a situação é semelhante, a valorização do setor educacional e social é inexistente, pois o sistema capitalista não prioriza a produção intelectual e uma qualidade de vida essencial aos seres humanos, pelo contrário, busca-se a massificação de pessoas a não-pensar.

Isso contribui para que os princípios de um cidadão sejam ignorados, o ser humano não tem acesso a informação que o leve a conhecer os seus direitos, já é educado para cumprir com os deveres.

A partir dessa visão, entende-se que a dignidade será preservada se todos tiverem a oportunidade de Ter uma escola pública de qualidade, sejam proporcionados aos indivíduos o lazer, a cultura, a liberdade de expressão, enfim, qualificação no saber e na vida social.
A manutenção da dignidade parte da questão que o homem que pensa, raciocina e que esteja inserido em uma sociedade democrática possa viver em plena satisfação, garantindo o respeito entre os elementos que integram a comunidade.

Portanto, a educação e o social valorizados, com certeza, não teremos à mostra a corrupção generalizada em setores governamentais, como a administração financeira, educacional e social que assola o mundo e o nosso país na atual conjuntura. Ter-se-á, sim, um país digno com dignas pessoas.

Por: Prof. Roberto Tsunokawa: Graduado em Farmácia e Letras pela UFSM; especialização em Psicopedagogia; professor da rede pública do Paraná; ex-vice diretor do Colégio Ary João Dresch; vereador na legislatura 2005-2008; segundo colocado nas eleições municipais de Nova Londrina com 35% dos votos.

08 março 2009

Sobre a excomunhão:

Apóio integralmente a decisão da Igreja Católica em excomungar toda a equipe médica que realizou o aborto naquela pobre menina de nove aninhos que foi estuprada e estava grávida de gêmeos.

Calma gente, não sou nenhum retrógrado. Apóio porque, segundo as leis da Igreja (leis feitas por homens) é isso que deve acontecer. A Igreja é uma instituição como qualquer outra da nossa sociedade, e possui as suas regras de conduta, assim como vários outros “clubes de serviço” por aí.

As pessoas são livres para serem ou não membros desta ou daquela Igreja, deste ou daquele clube. Então assim, há uma “prateleira de igrejas” e você, cidadão livre, pode escolher dentre todas elas, uma que “melhor lhe agrade”. Se você não concorda com os regramentos de sua igreja, pode muito bem “sair dela” e ir procurar outra. Afinal, por mais que mudem as igrejas, o Deus é um só.

Apóio a atitude os médicos. São cientistas e trabalham com probabilidades. E a probabilidade de uma criança de nove anos gerar em seu útero duas crianças e ainda sobreviver é muito baixa. Vocês imaginem uma criança de nove anos estuprada, o trauma que ela está sentindo e ainda ter que criar duas crianças geradas por este trauma só a deixaria ainda mais traumatizada. Um absurdo!

Ser excomungado pelas leis da Igreja não é, necessariamente sinônimo, de ser excomungado pelas leis de Deus.

Calúnia, injúria e difamação:

Há pessoas que pensam, erradamente, que calúnia, injúria e difamação é tudo a mesma coisa. Mas não é. E como este blog tem também uma “função educacional”, vamos tentar dirimir algumas dúvidas.

Calúnia (art.138 do CP): “caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime”. Ou seja, você é caluniado quando alguém sai espalhando por aí que você cometeu um crime, sendo importante que esta acusação seja falsa.

Injúria (art.140 do CP): “injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro”. Ou seja, você é injuriado quando alguém ofender aquilo que você pensa sobre você mesmo. Em outras palavras, chamar você de idiota, gay, safado e etc ofende o seu íntimo, aquilo que você mesmo pensa sobre você, lhe impõe uma qualidade “negativa”.

Difamação (art.139 do CP): “difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação”. Ou seja, você é difamado quando alguém sai espalhando por aí que você é idiota, gay, safado e etc. A diferença da injúria é que neste caso tais qualidades são ditas e ofendem a sua reputação, isto é, o que as outras pessoas pensam de você.

Então, por exemplo, quando for dizer/acusar alguém de estar jogando as pessoas contra outro alguém, isto é difamação e não calúnia ou injúria. Até porque, acusar falsamente alguém de calúnia é crime! Entendeu ou quer que desenhe?

06 março 2009

Cálice!

Talvez o momento interiorano seja propício para mais uma música do grande Chico Buarque de Hollanda. Para bom entendedor, uma simples letra de música é um tratado filosófico, ou quem sabe seja apenas uma letra de música. Cale-se!

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...(2x)

Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cálice!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cálice!)
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cálice!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cálice!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cálice!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cálice!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cálice!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Cálice!)

05 março 2009

Antonio Conselheiro:

Em sua grande maioria, segundo a história que nos é passada, Antonio Conselheiro tem a imagem de um louco, de um beato de mente transtornada que se tornou uma afronta ao progresso e à ordem em que o Brasil vinha passando, uma vez que a república vivia seus primeiros momentos.

Esta é a opinião que prevalece sobre o homem que liderou o levante de Canudos e trouxe para junto de si, uma leva de seguidores das mais diferentes camadas sociais. O intuito de ofuscar o brilho de Antonio Mendes Maciel, o Antonio Conselheiro, foi e é para mostrar que a legalidade e a razão estava, com a classe dominante e não com aqueles rebeldes e fanáticos que se aglomeraram no Monte Santo.

Porém outra visão sobre o que aconteceu na Bahia nos primeiros anos da república é permitido. Desde que tomemos cuidado em analisar sobre outra ótica, o que foi o episódio de Canudos e o que pregavam Antonio Conselheiro e seus seguidores mais próximos.

Na carência de líderes, de homens de carisma e persuasão, Antonio conselheiro se destaca não só no Brasil, mas também na América Latina ou até mesmo no mundo. Muita coisa foi escrita tentando tirar o destaque ou até mesmo não apontando as qualidades deste homem que se posicionou contra os dominantes e opressores do seu tempo, governos, igreja, coronéis e imprensa, confabularam contra o homem que construiu no nordeste, um refúgio onde era possível assistir aos oprimidos e os miseráveis, encontrando no discurso e nas ações de Conselheiro, verdades que iam de encontro aos seus anseios.

Nem só de flagelados era formado o grupo e Antonio conselheiro, juntos com este estiveram, doutores, intelectuais e outros que não suportavam as injustiças nem os desmandos das classes dominantes.

O levante de Canudos destacou-se por seu sucesso contra os poderosos no Brasil, por três vezes, conselheiro e seu grupo derrotaram as investidas do governo de Prudente de Moraes, o Arraial de Canudos só foi derrotado, quando uma mobilização do governo republicano, levou até a Bahia uma artilharia em dimensões desproporcionais ao exército de conselheiro, quando também um grande número de soldados de todos os estados da federação, aniquilaram os sonhos de liberdade pregados em terras de conselheiro.

Com o fim do arraial de Canudos e de Antonio Conselheiro, ficaram ainda seus discursos, plantados nas mentes dos sobreviventes e de todos que anseiam por liberdade. Liberdade também defendida antes por Zumbi dos Palmares e depois por Ernesto Che Guevara, a luta pela justiça onde a igualdade e a dignidade abrace a todos os homens, independente de sua origem ou posição social e geográfica. Viva Antonio Vicente Mendes Maciel, Viva o Arraial de Canudos, Viva o ato de Conselheiro.

Por: Mateus Brandão de Souza. Graduado em História pela FAFIPA.

04 março 2009

Conquistas:

Todos sonham um futuro melhor, uma vida confortável, uma profissão bem sucedida, uma família em paz. Sonhar...sonhos...não podemos ter tudo isso na “real”?

Claro que sim, é só termos um projeto de vida com metas, objetivos bem definidos, buscar com estratégias adequadas, almejar passo a passo.

Nós, quando nascemos, não chegamos ao mundo apenas pra ser mais um habitante na Terra, viemos para construir algo que nos deixarão satisfeitos, felizes, com bem-estar, sentindo-se úteis.

E, isso, vamos conquistando degrau a degrau na imensa escada de nossa vida; às vezes, tropeçamos nos degraus, levamos tombos, machucamos, quebramos a “cara”.

Mas, não são esses obstáculos que vencerão nossas ambições, sempre encontraremos forças com a família, amigos e a escola.

Na família, teremos nossos pais, irmãos que nos incentivarão em busca de algo melhor para o nosso futuro.

Com os amigos, vamos ter amizade, solidariedade para auxiliar nos projetos que traçamos ao longo de nossa vida.

Já, a escola, é mais uma integrante que nos orientará no sentido de facilitar nossos caminhos com sabedoria, conhecimentos, diminuindo nossa ignorância em muitos assuntos e, assim, teremos possibilidades de subirmos mais rápido os degraus da escada, chegando às nossas conquistas.

Vejam, como os sonhos podem ser realizados, não são tão difíceis, são necessários apenas paciência, inteligência e persistência.

Se vivermos e aproveitarmos o momento presente com intensidade, com vontade de saber, conhecer, ir à luta, com certeza, seremos vitoriosos em nossa caminhada.

Basta termos idealismo, perseverança, caminharmos ao encontro de alegrias, conforto, satisfação que nos levarão ao que nós almejamos.

Por: Prof. Roberto Tsunokawa: Graduado em Farmácia e Letras pela UFSM; especialização em Psicopedagogia; professor da rede pública do Paraná; ex-vice diretor do Colégio Ary João Dresch; vereador na legislatura 2005-2008; segundo colocado nas eleições municipais de Nova Londrina com 35% dos votos.

01 março 2009

Eu falo “brasileiro”. E você?

“A famigerada ‘colocação pronominal” vem ocupando as discussões há pelo menos 150 anos. Representa decerto o melhor exemplo do esforço insano dos puristas em impedir o reconhecimento de uma língua brasileira. (...) Colocar ‘corretamente’ pronomes virou marca, o conhecimento de alguma coisa ‘sofisticada’ que exige algum grau de inteligência superior, necessário para separar os que merecem ocupar os postos de comando da sociedade dos que merecem ficar em posição subalterna. É preciso denunciar essa história como uma grande baboseira, um desserviço à cidadania. (...) As regras funcionam bem para os portugueses – simplesmente porque correspondem aos usos que os portugueses fazem dos pronomes, usos que decorrem das características fonético-fonológicas da língua deles. Os portugueses não ‘erram’ porque, para sorte deles, as colocações ‘certas’ são as que eles já usam, naturalmente. Por que não pode ser assim também no Brasil?

Assinale a alternativa que corresponde ao seu modo de falar mais natural e espontâneo.

1)
a- Você pode me emprestar uma caneta?
b- Você pode emprestar-me uma caneta?
c- Você me pode emprestar uma caneta?

2)
a- O trabalho tem me ocupado demais ultimamente.
b- O trabalho me tem ocupado demais ultimamente.

3)
a- Me disseram que você parou de fumar, é verdade?
b- Disseram-me que você parou de fumar, é verdade?

4)
a- Me ajuda aqui!
b- Ajuda-me aqui!

5)
a- A festa se realizará no saguão da igreja.
b- A festa realizar-se-á no saguão da igreja.

Se você assinalou, em todos os casos, as alternativas com a letra “a”, parabéns: você é um legítimo falante do português brasileiro contemporâneo.”


Por: Marcos Bagno – lingüista e escritor.

Fonte: Revista Caros Amigos – Janeiro de 2009.



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