05 fevereiro 2009

Músicas, o que estamos ouvindo?

Diz o conhecimento filosófico que, “mais prudente é o homem que ouve do que o que fala”, já a lei do morro é: ver ‘ouvir’ e calar. Mas, diante das circunstâncias, andam abusando do nosso indispensável sentido da audição, assim sendo, é impossível não falarmos.

Podemos afirmar com convicção que pagamos um preço por não sermos surdos, alguém tem que reclamar quanto a inexistência de qualidade em nossas músicas, alguém tem que implorar por algo edificante na sonoridade das mesmas. Onde estão o nexo, e o valor das músicas que habitualmente tocam em nossos meios de comunicação?

Os mais saudosos e os entendidos dizem que a decadência musical teve início com o advento da jovem guarda, antes tivesse parado por aí, à partir dessa época, a MPB passou a empobrecer, resultando hoje nas desconsideráveis danças do creu e quadrado.

Aquilo que a mídia nos tem empurrado goela abaixo e ouvido adentro é de uma podridão nauseante. Por exemplo, ter que aceitar como boas certas duplas do interior de Goiás como boas se dizendo sertanejas é de amargar.

Acabaram-se os clássicos, quase não se tem cantores de qualidade e os poucos que restam são esquecidos ou calados pela mídia que prefere ver o povo cantando e dançando músicas de duplo sentido que induz à pornografia, ao ver cidadãos pensantes e conceituosos.

Hoje há periguetes, há tantos Pena e Gabriel por aí que sinceramente nos provoca a ânsia de ‘chamar o Hugo’. Que diriam os ícones de nossa música se vissem ou ouvissem a decadência a qual chegamos?

Nos perdoe, Noel Rosa, Pixinguinha, Jacó do bandolim, Ataulfo e Francisco Alves. Antes nos tempos da vovó, as multidões cantavam com Orlando Silva, hoje nos oscilamos com esquizofrenias quinzenais ou mensais que vão desde eguinha pocotó até os insuportáveis titanics e garotas tantão.

Que bom seria se aparecessem outros Rauls, outros Renatos Russos ou até mesmo outros Cazuzas. Que bom seria se nas músicas regionais tivessem ainda outros Adonirans Barbosa, outros Gonzagões ou Teixeirinhas.

Quando partir a geração de Bethânia ou Chico Buarque, quem salvará nossa MPB? Zé Geraldo, Zé Ramalho, Elba este povo inda sustem a bandeira da qualidade, nos norteamos neles, quando morrerem estes, estaremos à deriva, fadados aos lixos efêmeros cantados muito mais por determinada parte do corpo que pela boca.

Realmente não dá mais pra se ouvir música, perdemos o direito de ligar um rádio e em raríssimas exceções de assistir a um programa de auditório. Toca-se sempre as mesmas banalidades vazias, incômodas e paupérrimas.

Povo, mentes pensantes, analisem, reflitam, o que estamos ouvindo? Ministério da Cultura, alguém por favor, socorram-nos.

Por: Mateus Brandão de Souza, graduado em História pela FAFIPA.

4 Comentários:

Às 5/2/09 1:07 PM , Anonymous Arthurius Maximus disse...

A perda de qualidade é geral. Fiz um artigo sobre isso também algum tempo baseado numa antiga foto que continha grandes músicos do passado. Se compararmos com o que rola hoje; é mais do que motivo para pedir o boné e abandonar esse país.

E pensar que já fomos grandes exportadores de ídolos e produtores de cultura mundialmente famosos; hoje estamos presos num círculo que sequer reflete a mediocridade; pois, é muito pior do que isso.

Um abraço.

 
Às 5/2/09 5:01 PM , Blogger Cássio Augusto disse...

Temos que assistir cada vez mais o excelente "Sr. Brasil" com Rolando Boldrin...

Mas sabe... ainda bem que existe a Internet para fazermos os downloads de quem não toca mais no rádio: Fagner, Belchior, Gal, Bethânia, e encontros impressionantes com Jessier Quirino, Taiguara e o novo e bom O Teatro Mágico!!!

 
Às 6/2/09 8:09 PM , Anonymous David Arioch disse...

Eu, particularmente, não ouço MPB, mas acho que o problema das pessoas é desejarem que seu gosto pessoal seja compartilhado com a maioria. Como os gêneros musicais que aprecio não se enquadram em música de massa; podendo ser denominados até mesmo como pertencentes a uma contracultura, aprendi bem cedo a me habituar a tal realidade. Acho que o gosto musical envolve uma série de fatores; experiência pessoal - seja individual ou coletiva, influência, personalidade; além do enquadramento cultural e social. Às vezes temos a impressão de que as pessoas ouvem música por ouvir, mas não é bem assim, existe todo um contexto por trás disso e que normalmente passa despercebido, até mesmo se tratando de música de péssima qualidade. Ponto curioso também é que a indústria fonográfica está praticamente falida. A tendência é que cada vez mais as bandas se tornem independentes. Assim, ao que tudo indica, o poder da mídia convencional em ditar moda será reduzido e muito. Quem hoje em dia, que tem acesso pela internet, nunca ouviu música pelo youtube, last.fm, myspace e muitos outros? Salve a democratização da música!

 
Às 28/2/09 9:50 PM , Anonymous Marília disse...

Bem, cada um escuta o que quer. Mas ultimamente a coisa tá ficando feia...principalmente para o lado da mulher, hoje ser chamada cachorra, piriguete ou ser associada a uma fruta virou coisa normal e bonita!!Poxa... se para algumas pessoas isso é elogio... Olha, me inclua fora dessa!!!
Em questão musical o Brasil já foi bem melhor!!!

Parabéns pelo seu blog!!!
Abraços!!!

 

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