06 janeiro 2009

Judeus x Palestinos

Para não deixar o ano de 2008 “passar em branco”, Israel iniciou na última semana do ano mais um bombardeio aéreo à Faixa de Gaza e no início de 2009 começou a operação por terra. Vemos nos noticiários, sempre emitidos do lado israelense da fronteira, que o ataque é uma resposta defensiva de Israel aos mísseis que o Hamas dispara a partir de Gaza. Os Estados Unidos e a União Européia, apesar de não dizerem publicamente, apóiam a incursão israelense.

Quem não vive no mundo da lua, pode perceber que cotidianamente Israel é o centro dos conflitos no Oriente Médio. Você sabe por quê? Sabe como, onde e quando tudo isso começou? Será que é apenas um bando de fundamentalistas religiosos se matando em defesa do seu deus?

A região onde que é hoje o palco do conflito, conhecida como Palestina, começou a ser ocupada por volta do ano 3.500 a.C. Lá pelo ano 1.000 a.C., fundou-se ali, segundo a bíblia, o primeiro estado Judaico, sob o reino de Davi e apogeu com Salomão. Mas a região, e seus povos ali viventes, tanto os judeus quanto os palestinos, foram dominados por outras civilizações como os babilônios, persas, assírios, gregos e romanos. Sob o domínio romano, Tito destrói Jerusalém e os judeus se dispersam pelo mundo. Os árabes ocupam o território por volta do ano 630 e convertem a maioria da população ao Islã. Entre 1517 e 1917 o Império muçulmano Turco-Otomano domina a região palestina.

Como se pode perceber, os judeus são, desde o primeiro século da era Cristã, um povo sem pátria, sem Estado nacional, sem território. A região palco do conflito é ocupada pelo povo árabe/muçulmano a cerca de 1.500 anos.

Durante a primeira Guerra Mundial, a Inglaterra expulsa os turco-otomanos e o chanceler britânico Arthur Balfour apóia a migração de judeus para a Palestina, desde que respeitados os direitos dos árabes ali viventes. No entanto, cria-se uma situação de conflito não apenas religioso, mas também econômico, uma vez que os judeus passam a ocupar as terras mais férteis da região, aliás, os judeus baseados nos argumentos bíblicos, consideram a Palestina o seu “lar doce lar”. Está instalado o problema, que antes da migração não existia na região. Entre 1936-39 eclode a primeira guerra civil, ainda sob domínio inglês.

Com a segunda Guerra e os holocausto nazista, a migração de judeus para a Palestina se acentua, bem como o apoio internacional à criação de um Estado Judeu.

Terminada a segunda Guerra, a ONU, sem consulta prévia aos povos árabes/palestinos possuidores da região, vota uma resolução que divide o território palestino em dois, um para os judeus e outro para os palestinos. A divisão é favorável aos judeus que ficam com as melhores terras cultiváveis. Os países árabes vizinhos são contra a divisão e atacam o recém criado Estado de Israel. Com apoio militar estadunidense, os israelenses se defendem e conseguem aumentar o seu território original cedido pela ONU. Desde então as hostilidades entre os dois lados não cessam e a migração de judeus para Israel e o engajamento dos árabes na luta vem aumentando.

É esta a origem do conflito entre Israel e a Palestina, que é também a origem do conflito entre parte do mundo árabe e do mundo ocidental. A crise do Petróleo de 1973 está neste contexto, bem como os ataques “terroristas” aos EUA. Maldita foi a idéia de incentivar a migração de judeus para a Palestina, bem como o desfecho de criar o Estado de Israel. Não posso concordar com a idéia de que “se fez justiça ao povo judeu criando-se o Estado de Israel”. A história não pode ser “consertada”. A história é processo e os judeus foram derrotados a mais de dois mil anos. Mas tudo bem, então vamos reverter os saques europeus à América Latina; devolver o território e a autonomia aos descendentes dos Incas, Maias, Astecas, Guaranis e aos Apaches; restabelecer os territórios tribais da África; devolver as terras roubadas dos mexicanos pelos EUA; indenizar os negros escravos e etc. Não que eu seja contrário às políticas destinadas à amenizar o sofrimentos dos povos explorados, mas criar o Estado de Israel desalojando a população palestina ali existente, com certeza, não foi uma boa idéia.

Hoje Israel é o principal aliado dos EUA no Oriente Médio. Possui o segundo exército mais bem equipado do mundo (perde apenas para os EUA) e, apesar de estar localizado em uma região árida, exporta frutas e legumes para a Europa, com tecnologia “emprestada” pelos EUA.


O Blog do Prof. Vanderlei contém vários textos sobre o tema.

10 Comentários:

Às 7/1/09 2:20 AM , Anonymous Arthurius Maximus disse...

É o típico conflito imbecil. Israel se arvora no poderio militar para tentar varrer os "infiéis" da "Terra Santa" e os árabes querem varrer "os sionistas imundos".

Ninguém tem razão e todos estão certos. O problema é que os interesses econômicos e políticos de ambos os lados pesam sempre mais do que a lógica e a razoabilidade.

 
Às 10/1/09 2:10 PM , Blogger Mauro Sérgio disse...

Discordo desse papo de que ninguém tem razão. Ao contrário do que a imprensa quer fazer crer, Israel e os árabes não são dois bicudos que não se beijam.

A criação de Israel foi uma arbitrariedade, na qual um povo foi expulso de sua terra para que um outro fosse colocado por lá. A própria existência de Israel é o fator maior de instabilidade daquela região.

 
Às 10/1/09 2:32 PM , Blogger Cássio Augusto disse...

Concordo plenamente contigo Mauro. É justamente isso que tentei demonstrar no meu post.

 
Às 10/1/09 4:05 PM , Blogger Trick disse...

Correcao cassio , 3 exercito mais bem equipado, que se conhece, nao se sabe bem ao certo o poder Russo, Alemao e outros !

 
Às 12/1/09 10:43 PM , Blogger MePhIsThO disse...

Referenciei teu bom post no meu blog.
Abraços

 
Às 13/1/09 1:54 PM , Anonymous Eduardo Bajo disse...

Essa guerra mostra como a ONU não passa de um elefante branco, porque que a ONU neste caso não ocupou a fronteira dos países e fiscalizou as atividades de ambos a anos atrás, com fez em outras situações.
Israel pede para que os cidadãos palestinos não abriguem guerrilheiros em suas casas, como se eles tivessem escolha. Depois que uma geração inteira de palestinos nasceu e cresceu em meio a miséria e a guerra, a única verdade que eles conhecem é a de que a culpa é toda dos israelenses. E com uma certa razão, pois enquanto eles atiram pedras e paus os israelenses com apoio americano utilizam caças de "precisão cirurgica".

 
Às 14/1/09 8:20 AM , Blogger Dorian disse...

Nessa história toda o maior erro é colocar o Hamas como porta-voz do povo palestino. Os verdadeiros culpados pelo conflito são os terroristas islâmicos (que não são todos os palestinos) que não consideram a existência de uma solução negociada. Por quê o Hamas assassinou (de uma só vez) mais de 100 integrantes do Fatah? Simplesmente porque tem uma visão de mundo em que não cabem aqueles que discordam de suas idéias. As mortes fratricidas, ou seja, palestino matando palestino é bastante superior as mortes atribuidas pela campanha militar de Israel.

 
Às 30/1/09 3:57 PM , Blogger ovidiov disse...

Muito boa sua exposição, Cassio. Os fatos são esses. Só não concordo quando no final voce diz apenas que a criação de Israel "não foi uma boa idéia". Na realidade não foi uma "idéia". Foi um ato de dominação e expansão imperialista das potencias ocidentais, inicialmente Inglaterra e depois EU. E por trás disso tem a coisa da "culpa" pelo holocausto para justificar essa ocupação. Como querer paz com quem invade suas terras, te expulsa de lá e te impede de voltar? semelhante barbárie sòmente foi vista na ocupação dos territórios indígenas nas américas onde os europeus "civilizados" matavam e expulsavam os índios "não civilizados" para ocuparem suas terras.

 
Às 10/2/09 8:34 PM , Anonymous Regis Venutto disse...

Não dou razão para ninguem aqui, reconheço a dor do povo palestino, com todos os seus motivos, mas trata-se de uma questão, que vai muito além da compreenção de quem está do lado de fora, é inútil tentar explicar, pois em um coração completamente laico não cabe a grandesa da resposta para tudo isto que o mundo assiste de camarote. O fosso existênte entre Israel e Palestina é profético e ainda vai continuar, por um tempo, mas o seu inexorável fim está proximo, então meu povo Israel finalmente voltará seus olhos para o que realmente ineressa: O cumprimento da maior de todas professias "yeshua hamashiach"...

 
Às 2/11/11 10:50 PM , Blogger Lara Chiara disse...

Desculpa mais Deus não vai deixar perecer seu povo .Deus te abençoe.

 

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