22 janeiro 2009

Acabou a escravidão no Brasil?

“Senhor Deus dos desgraçados, dizei-nos vós senhor Deus, se é mentira ou se é verdade tanto horror perante os céus.” ( Castro Alves )

Este é um trecho do poema Navio Negreiro, uma das mais belas e conceituadas páginas da poesia nacional, aqui, Castro Alves indigna-se contra a desumana condição a qual eram submetidos os negros no tráfico de escravos num tempo onde a escravidão era vigente no Brasil. Castro Alves ficou conhecido como o poeta dos escravos e através de suas poesias, observamos sua intenção de falar pelo povo negro e gritar contra suas dores e sofríveis condições de vida.

A história, é testemunha das diversas fases da escravidão no Brasil, das leis e dos movimentos anti-escravocratas até culminar naquele memorável dia 13 de maio de 1888 onde a princesa Isabel assinou a lei Áurea “pondo um fim à sujeição do povo negro”. A partir de então nos é ensinado em nossas escolas, nos grandes meios de comunicação, que a escravidão é extinta no Brasil. A classe dominante que sempre primou por seus próprios interesses e não pelo interesse coletivo prega seu heroísmo no ato de extinguir a escravidão e buscam convencer este ato como uma prática humanitária.

120 anos nos separam daquele 13 de maio de 1888, 120 anos do fim da escravidão legalizada no Brasil, não há mais a senzala, o tronco, o feitor, nem o chicote, acabou-se o tráfico de seres humanos, mas e a dignidade deste povo onde anda? se analisarmos de forma apurada, a escravidão de foto acabou-se no Brasil? Sendo assim, podemos dizer sem receio que NÃO, a escravidão não acabou nem no Brasil, nem neste mundo dominado pelo sistema capitalista.

Basta vermos as condições de vida do nosso povo, negros, nordestinos, índios e pobres, estes guerreiros, estas pessoas, sempre foram usadas como esteios do progresso, neste país que jamais repartiu, nas condições desfavoráveis deste povo que lhes foram negado as condições básicas de sobrevivência, nestas pessoas que são usadas como forma para o acúmulo de riquezas chegar nas mãos dos poderosos dominantes.

Hoje a escravidão é psicológica, é na forma de coação, é o medo do desamparo, os escravos de hoje não tem suas costas lanhadas pelo chicote, mas tem suas consciências fustigadas pelo medo do desemprego, hoje os escravos são castigados por seus salários irrisórios. Os navios negreiros de hoje, transportam pais e mães de família para os mesmos canaviais de outrora, onde vendem sua força de trabalho para o patrão deleitar-se no doce conforto que o capitalismo excludente proporciona para os poucos que desfrutam de suas delícias.

É na pobreza de nossa gente, é na miséria do nosso povo, é na falta de acesso às escolas e à leituras, que podemos afirmar que a escravidão não acabou, e que as observações de Castro Alves continuam atuais, pois ainda somos os mesmos desgraçados, humilhados não pela escravidão do chicote, mas pela escravidão que nos deixa à margem do conforto, a escravidão dentro de nossas fábricas, de nossas indústrias, é no grande número de empregos informais e na subvida deste povo marcado e feliz, desta nossa gente de consciência roubada, destes homens e mulheres manipulados, adestrados e moldados para competir, para o sistema selvagem e bruto que vê no acúmulo de sifras seus principais idéias. “liberdade, liberdade, bata as asas sobre nós.”
Por: Mateus Brandão de Souza - graduado em História pela FAFIPA.

5 Comentários:

Às 22/1/09 2:52 PM , Anonymous Anônimo disse...

E DIZEM QUE NAO HÁ ESCRAVIDAO...QUANTA HIPOCRISIA ...PARABENS PELO TEXTO JOVEM PROF

 
Às 22/1/09 5:42 PM , Blogger Cássio Augusto disse...

Belo texto de estréia meu caro amigo Mateus... espero que venham outros e nossa parceria aqui no Blog perdure!!!

 
Às 22/1/09 7:15 PM , Blogger Dorian disse...

Se não acabou no Brasil imagine em Cuba, a ilha-senzala!! Onde a tentativa de fuga recebe punição maior que o tronco: O PAREDÃO!!

 
Às 22/1/09 10:03 PM , Anonymous Mateus Brandão disse...

Pobre Cuba, o maior castigo do povo Cubano foi ter sido colonizado por espanhois e logo após sua independência, tornou-se quintal do governo dos Estados Unidos da América, Com a queda de Fulgêncio Batista, Cuba se tornaria livre da interferência Americana em sua política e constituição, restou aos Estados Unidos, o baixo golpe do embargo que privou o povo cubano de um sucesso maior em sua revolução, mas Cuba sobreviveu. graças a Cuba e sua política social, muitos cidadãos americanos vão até aquele país buscar tratamento e conhecimento médico que os Estados Unidos com toda sua política capitalista paradisíaca não oferece aos seus cidadãos. Quem mais matou gente no mundo, o suposto paredão Cubano ou as bombas atiradas contra cidadãos indefesos pelos aviões estado-unideses?

 
Às 24/1/09 5:25 PM , Anonymous Arthurius Maximus disse...

Texto muito bom mesmo. A escravidão hoje é maior do que a do passado. Dizem que para manter um escravo (em valores atualizados) gastaria-se mais de dois mil reais. Já hoje, basta pagar um salário mínimo e está "safo".

E olha que tem gente querendo evitar até de pagar isso.

A miséria prende o indivíduo numa tal rede, que torna impossível sua libertação. Sem educação e instrução adequadas, a miséria acaba empurrando os "sem oportunidades" para os braços dos programas sociais eleitoreiros e que valorizam apenas a esmola.

O marasmo e a acomodação destroem o resto de chances para uma vida melhor e acaba-se formando uma legião de seres acostumados a miséria e que vivem "da graça de Deus"; presas fáceis para os aproveitadores de plantão e que gerarão mais uma horda de desesperançados miseráveis.

Uma educação de qualidade e com ênfase no profissionalizante e no empreendedorismo, além de apoio, é a única forma de quebrar esse círculo e libertar essas almas cativas.

 

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