04 novembro 2008

A política do Big Stick:

Quando os interesses dos cidadãos e dos capitalistas estadunidenses estavam “ameaçados” na América Latina, o governo dos Estados Unidos mandavam os seus marines para “proteger a vida e os interesses dos cidadãos norte-americanos”. Esta é a política do Big Stick (grande porrete). Duvida? Lei o depoimento dado em 1935, por um ex-comandante de tropa dos EUA que atuou na América Central.

“Passei 33 anos e quatro meses no serviço ativo, como membro da mais ágil força militar deste país: o Corpo de Infantaria da Marinha. Servi em todas as hierarquias, desde segundo-tenente até general-de-divisão. E durante todo este período, passei a maior parte do tempo em funções de pistoleiro de primeira classe para os Grandes Negócios, para Wall Street e para os banqueiros. Em uma palavra, fui um pistoleiro do capitalismo (...) Assim, por exemplo, em 1914 ajudei a fazer com que o México, e em especial Tampico, se tornasse uma presa fácil para os interesses petrolíferos norte-americanos. Ajudei a tornar Haiti e Cuba lugares decentes para a cobrança de juros por parte do National City Bank (...) Em 1909-12 ajudei a purificar a Nicarágua para a casa bancária internacional Brown Brothers. Em 1916, levei a luz à República Dominicana, em nome dos interesses açucareiros norte-americanos. Em 1903, ajudei a ‘pacificar’ Honduras em benefício das companhias frutíferas norte-americanas”.
(Smedley D. Butler)

A política do Big Stick não hesitava em derrubar presidentes, substituir ditadores ou implantar ditaduras, desde que, é claro, os novos governantes se comprometessem com a defesa dos interesses estadunidenses no país em questão. Pobre América Latina. Nas palavras do ex-presidente dos Estados Unidos William Howard Taft (1912):

“Não está longe o dia em que três bandeiras de listras e estrelas marcarão em três lugares eqüidistantes a extensão de nosso território: uma no Pólo Norte, outra no Canal do Panamá e a terceira no Pólo Sul. Todo o hemisfério será nosso, de fato, como já é nosso moralmente, em virtude de nossa superioridade racial (...) não exclui de modo algum uma ativa intervenção para assegurar a nossas mercadorias e a nossos capitalistas facilidades para as inversões lucrativas”.

E você ainda acredita que eles são os defensores da democracia e da liberdade?

Fonte: GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas da América Latina. Rio de Janeiro, Paz e Terra: 2007, p.141-142.

3 Comentários:

Às 4/11/08 9:52 PM , Blogger Mauro Sérgio disse...

Acho que os EUA não convencem mais como paladinos da democracia há muito tempo. Tortura a prisioneiros de guerra, racismo, intolerância religiosa, pena de morte... nada disso combina com democracia. E tudo isso a sociedade americana tem de sobra.

Eles não podem levar democracia a lugar algum porque não a respeitam em seu próprio território.

 
Às 6/11/08 8:20 PM , Anonymous Arthurius Maximus disse...

Você tem razão totalmente. Os americanos interferem em países que julgam ferir seus interesses.

Nosso próprio golpe foi grandemente influenciado e assessorado por eles.

Imaginar que eles, ou qualquer outro país, podem ser os guardiães do que quer que seja. E é uma falsa noção da realidade pensar assim.

Ninguém defenderá algo que possa causar prejuízos para si e para seus cidadãos. É importante olhar sob a propaganda e pesar com a realidade. Barbaridades todos cometem e ninguém é guardião de nada. A não ser de seus próprios interesses.

 
Às 28/2/10 5:03 PM , Blogger débora disse...

Por favor, vamos falar sério: eles NUNCA convenceram ninguém de nada. Acontece que os EUA foram inteligentes e souberam mostrar as armas num processo lento que vem desde a colonização.
O país hoje é a potência mundial, a qualidade de vida é fascinante - vocês acham que os americanos se importam com questões como democracia? o que, afinal, seria democracia? Uma igual à brasileira?

 

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