01 novembro 2008

A apatia me incomoda!

Como já disse muitas vezes por aqui, este Blog é para ser um espaço de provocações, para remexer o leitor da cadeira, para tentar tirá-lo do estado de apatia e de naturalização que reina no mundo pós-moderno. A incapacidade de se indignar, de buscar seus direitos e melhorias para a sua vida, que as pessoas adquiriram hoje em dia é que tentam ser combatidos neste Blog.

Pois bem, recentemente passei por uma experiência interessante e que pode ilustrar bem o que quero dizer aqui.

Aqui na cidade de Nova Londrina-PR, uma cidadezinha com pouco mais de 10.000 habitantes, ocorreu em um fim de semana uma festa sertaneja. O convite para cada noite custava R$ 15,00, mas você também tinha a possibilidade de comprar o passaporte por R$ 20,00 e entrar nas duas noites.

A festa da sexta-feira foi legal, pena que o tempo não ajudou e o organizador do evento teve prejuízo. No sábado, simplesmente não teve a festa. Várias pessoas chegaram a ir para o clube, com passaporte na mão, e encontrá-lo às escuras. Claro que na hora ficou todo mundo indignado. Sem problemas cancelar uma festa em cima da hora, mas e quem havia comprado o passaporte, como fica? O organizador avisou que devolveria R$ 5,00 para quem estava com o passaporte.

Dentro do universo de cerca de 200 passaportes vendidos, claro que muitos aceitaram receber os R$ 5,00. Eu não. Argumentei que o justo seria devolver R$ 10,00, e claro, passei minha opinião para frente e várias pessoas concordaram comigo quanto a isso.

Fui conversar com o organizador e seus colaboradores. Fui tachado por um deles de estar querendo me aparecer, me promover por causa de míseros R$ 5,00. Ora bolas, o problema não são os R$ 5,00. A questão é que comprei um produto (duas noites de festa) e só recebi a metade disso (uma noite de festa). Me senti enganado. O justo é eu receber devolva a metade do que paguei. Organizar festas é um negócio de risco, algumas vezes dá lucro e outras dá prejuízo. Quando dá lucro ninguém me chama para dividi-lo, então porque tenho que dividir o prejuízo?

Argumentaram comigo que apenas eu estava “fazendo confusão por causa de pouca coisa” e que todo mundo aceitava receber R$ 5,00. Ora, se a maioria das pessoas não tem a capacidade de lutar por seus direitos/interesses/idéias/opiniões, eu tenho. Respondo por mim. Se as pessoas não conseguem enxergar para fora da caverna, eu pelo menos tento. Me indispus por pouca coisa? Que seja. Hoje em dia o “ser passado para trás” está tão naturalizado, que se torna difícil “remar contra a maré”, e aqueles que o fazem, têm que agüentar o discurso ideológico que o tenta excluir como diferente, chato, encrenqueiro e etc. Apenas lutei pelo meu direito. Se isso é errado para algumas pessoas, me perdoem.

Já falei neste Blog uma vez, que é muito fácil ficar no sofá da sua casa, se indignando com a corrupção, o tráfico, a prostituição infantil, e etc durante o Jornal Nacional, e depois relaxar e se distrair com a novela diária. Isso tudo só existe porque não temos a capacidade de levantar do sofá e ir a luta. Por exemplo: você recebe uma fatura errada do seu telefone, mas é apenas R$ 5,00 e não vale a pena brigar por causa de R$ 5,00. A empresa quer mais é que você pense assim mesmo, afinal, se ela faz isso com todos os seus clientes e apenas uma meia-dúzia se indignar e entrar na justiça, ainda assim, houve lucro. Entendeu?

Ah, o leitor está curioso para saber se consegui meus R$ 10,00 de volta? Então, os organizadores bateram o pé no pagamento de R$ 5,00 e eu bati o pé que queria R$ 10,00. Houve até a chantagem do tipo: “se for pra pagar R$ 10,00 pra você e R$ 5,00 para o restante, eu não pago para ninguém e quem quiser que cobre na Justiça”, que foi complementado por um dos organizadores com esta pérola: “e vai ser culpa sua se ninguém receber! E eu vou mandar as pessoas ligarem para você!”. Culpa minha? Que liguem!

Final das contas, o organizador achou melhor realizar a festa que havia sido cancelada e quem ainda guardou seu passaporte, tem a entrada garantida. Se me senti “vencedor”? Sim, afinal, depois de mais de uma hora de conversa e acuado por quatro pessoas, consegui o que queria: fazer o meu passaporte valer o preço que eu paguei nele. É o exemplo prático de que ainda vale a pena lutar, mesmo que lhe rotulem de “advogadinho da mulekada!”.


Mais uma coisa: se vou na festa? Não sei. Também é meu direito decidir quanto a isso.


Obs: Para um maior entendimento deste texto, leia o post anterior.

2 Comentários:

Às 1/11/08 10:04 PM , Blogger Dorian disse...

Dedução perfeita. Duas noites por R$ 20,00 dá R$ 10,00 por cada. Não há o que contestar. Parabéns! É dessa forma que se desmascara o pilantra disfarçado de empresário.

 
Às 30/11/08 7:56 PM , Anonymous Anônimo disse...

Cássio, parabéns pela sua atitude; isso é exercício de cidadania, não podemos permitir que nos passem para trás.Se todos fizerem assim toda vez que se sentirem prejudicados,nós fatalmente acabaremos com essa mania de passar a perna nos outros.

 

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