23 outubro 2008

Pela expropriação de Zanon:


Quando de evento realizado na UEL, tive o privilégio de ser apresentado à experiência da fábrica Zanon, na Argentina e gostaria de dividir com os leitores deste Blog alguns aspectos de sua história, bem como solicitar o apoio à campanha pela expropriação/estatização da Fábrica Zanon sob controle operário.

A fábrica Zanon produz cerâmica, foi fundada em 1980, sob a ditadura militar Argentina, completamente subsidiada por recursos públicos, que nunca foram pagos pelo proprietário Luís Zanon. Durante o governo Menem, a fábrica recebeu vários subsídios e incentivos fiscais.

Acontece que durante a crise Argentina do início deste século, Luís Zanon demitiu funcionários e acenou para a possibilidade de fechar a fábrica. Os operários se mobilizaram e, diante do lock-out (abandono) patronal, ocuparam a fábrica e continuaram a produção.

Desde então, o imbróglio jurídico permanece. Venceu nesta semana a autorização para que a cooperativa FASINPAT (Fabrica Sin Patrones) mantenha o controle sobre a fábrica, sem que a justiça ou o governo acene para uma solução.

Assim, convido a todos os leitores engajados no sonho por um mundo sem exploração, para que participem da campanha em favor da FASINPAT. Acessem o Blog da campanha (http://zanonsobcontroleoperario.blogspot.com/), deixem a sua solidariedade. Meu nome já consta da lista, ao lado de pessoas ilustres como Leonardo Boff, Chico de Oliveira, Ricardo Antunes, Virgínia Fontes, Eliel Machado, dentre outros. Acesse também o site oficial de Zanon (http://www.obrerosdezanon.com.ar/html/index1.html). Participe também da comunidade recém criada no Orkut (http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=73636701&refresh=1).

Segue abaixo, parte do texto de Leonardo Boff sobre sua visita à FASINPAT.


Recentemente, tive a oportunidade de assistir o exercício democrático de produção dentro de uma fábrica de cerâmica na cidade de Neuquén no sul da Argentina, na porta de entrada da Patagônia. Trata-se da Cerâmica Zanon, que pertencia a um grupo econômico multinacional, cujo dono principal era Luis Zanon, da empresa Ital Park, testa de ferro da privatização das Aerolineas Argentinas e um dos cem empresários mais ricos na Argentina. Este empresário, em 2001, estava prestes a decretar a falência da empresa. Chegou a demitir 380 operários e, ao mesmo tempo, tomava milionários empréstimos de vários organismos financeiros, para com a falência sair enriquecido. Tratava-se, portanto, de uma falência fraudulenta, como depois foi provado.

Os operários resistiram, começaram a se organizar e se articular com outras entidades sindicais, movimentos sociais, universidades, igrejas e diretamente mobilizando a sociedade civil local e até a nacional. Todos os intentos por parte da polícia de desaloja-los foram frustrados. Os operários assumiram a direção da fábrica de forma democrática, organizaram a complexa produção de cerâmica, de alta qualidade, com maquinaria moderna de origem italiana. Decretada a falência em 2005, trocaram o nome da fábrica. Agora se chama “Fasinpat”(fabrica sin patrones).


Democraticamente ajustaram os departamentos, introduziram a rotatividade nas funções para todos poderem aprender mais, fizeram parcerias com a universidade local. Não só. A fábrica não se reduz a produzir produtos materiais mas também cultura, com biblioteca, visitação de escolas, shows multitudinários no grande pátio, colaboração com os indígenas mapuche que ofereceram sua rica simbologia assumida na produção. Lá trabalham 470 operários produzindo mensalmente 400 mil metros quadrados de vários tipos de cerâmica de comprovada qualidade.


Fazia gosto de ver o rosto dos operários desanuviados, libertos da servidão do trabalho alienado, contentes de estar levando avante a democracia real nas relações produtivas que se revertiam em relações humanizadoras entre eles. Sua postulação é que o Estado exproprie a fábrica, sem pagar as dívidas por terem sido fraudulentas e entregue a gestão aos próprios operários a serviço da comunidade através de obras públicas como construção de casas populares, postos de saúde, colégios e outros fins sociais. Como se depreende, a democracia pode sempre crescer e mostrar seu caráter humanizador.

“Uma fábrica sem operários não funciona, mas uma fábrica sem patrões, sim, funciona!”

2 Comentários:

Às 24/10/08 5:45 PM , Blogger Mauro Sérgio disse...

Curioso. Meio de produção sob controle dos trabalhadores. Tem um nome para isso: chama-se SOCIALISMO.

Não dizem que o socialismo não existe, não funciona, está morto e enterrado?

Pois, é. E agora, o q vão dizer?

 
Às 1/11/08 10:01 PM , Blogger Dorian disse...

Quero um emprego nessa fábrica. De preferência no escritório... Já sei. De ajudante, aprendiz, auxiliar júnior nível 1. Como é uma empresa socialista meu salário deve ser igual ao do presidente. Viva o socialismo!!!

 

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