21 outubro 2008

Marx explica a crise:


Há livros que são chamados de "clássicos" pelo motivo principal de, mesmo passados vários anos, continuarem "atuais". Tais livros devem ser continuamente relidos. Segue abaixo uma análise de um livro “clássico” que explica perfeitamente a crise da mundialização do capital.

"Em um sistema de produção em que toda a trama do processo de reprodução repousa sobre o crédito, quando este cessa repentinamente e somente se admitem pagamentos em dinheiro, tem que produzir-se imediatamente uma crise, uma demanda forte e atropelada de meios de pagamento.


Por isso, à primeira vista, a crise aparece como uma simples crise de crédito e de dinheiro líquido. E, em realidade, trata-se somente da conversão de letras de câmbio em dinheiro. Mas essas letras representam, em sua maioria, compras e vendas reais, as quais, ao sentirem a necessidade de expandir-se amplamente, acabam servindo debase a toda a crise.


Mas, ao lado disto, há uma massa enorme dessas letras que só representam negócios de especulação, que agora se desnudam e explodem como bolhas de sabão, ademais, especulações sobre capitais alheios, mas fracassadas; finalmente, capitais-mercadorias desvalorizados ou até encalhados, ou um refluxo de capital já irrealizável. E todo esse sistema artificial de extensão violenta do processo de reprodução não pode corrigir-se, naturalmente. O Banco da Inglaterra, por exemplo, entregue aos especuladores, com seus bônus, o capital que lhes falta, impede que comprem todas as mercadorias desvalorizadas por seus antigos valores nominais.


No mais, aqui tudo aparece invertido, pois num mundo feito de papel não se revelam nunca o preço real e seus fatores, mas sim somente barras, dinheiro metálico, bônus bancários, letras de câmbio, títulos e valores.


E esta inversão se manifesta em todos os lugares onde se condensa o negócio de dinheiro do país, como ocorre em Londres; todo o processo aparece como inexplicável, menos nos locais mesmo da produção."


Fragmento de "O Capital", Volume 3, Capítulo 30, Capital-dinheiro ecapital efetivo, Karl Marx.

E ainda tem gente por aí que insiste em dizer que Marx é ultrapassado. Tais pessoas ou nunca leram Marx, ou o leram com tanta sabedoria que entenderam o seu potencial e querem o calar, para que não ecloda mais nenhuma convulsão social. Não é a toa, que em tempos de crise, “O Capital” de Marx voltou a ser best-seller na Alemanha.

Marx é atual porque soube revelar todos os mecanismos de exploração utilizados pelo modo de produção capitalista, que aliás, é ainda hoje o modo de produção hegemônico. Claro que em Marx existem equívocos de interpretação, como por exemplo a sua visão sobre a América Latina e sobre Simon Bolívar, mas o principal legado deixado por Marx é o seu método de análise.

2 Comentários:

Às 21/10/08 11:24 AM , Blogger Mauro Sérgio disse...

Querem enterrar o velho Marx a qualquer custo. Só esqueceram de combinar com o finado, que, ao contrário do que todos pensam, continua esbanjando saúde e lucidez.

 
Às 22/11/08 12:39 PM , Anonymous Anônimo disse...

Penso que a obra de Marx continua viva, principalmente a relevancia que trouxe com a questão do método. Contudo,não podemos tirar Marx do seu contexto. É claro que, como vc ressaltou, alguns aspectos de sua obra são atuais, mais o capital já se reinventou por mais de um século desde então. Surgiu a experiência socialista, a qual deixou marcas no sistema capitalista, que incorporou alguns dos seus aspectos. Poderia ficar aqui citando outros exemplos, mas acredito que o mais importante é termos cuidado para não cairmos nos extremos. Que não sejamos marxistas ortodoxos e muito menos "neo"-liberais.
É mais ou menos isto.

 

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