05 outubro 2008

Lutas Sociais na América Latina:


Como já postei neste Blog, estive entre os dias 24 e 26 de setembro na Universidade Estadual de Londrina (UEL) participando do III Simpósio Lutas Sociais na América Latina, organizado pelo GEPAL (Grupo de Estudos de Política da América Latina).

A mesa de aberta na quarta-feira pela manhã teve como tema “Estado, ideologia e meios de comunicação”. O jornalista do Brasil de Fato e da Caros Amigos, Hamilton de Souza abriu a mesa falando acerca do papel dos meios de comunicação no domínio de classe, apresentando dados e exemplos; Francisco Fonseca da (FGV-SP) foi no mesmo sentido e Carla Luciana Silva (Unioeste) enfatizou a Revista Veja.

A tarde ocorreram as comunicações. Apresentei meu trabalho no GT6 “Socialismo no século XXI: perspectivas para a América Latina”. O primeiro trabalho foi de Gilberto Calil falando de Mariátegui e Che Guevara; Carlos Prado falou sobre as comparações entre Che e Lênin; Eu apresentei a recepção de Gramsci na América Latina; Cléber Petró falou sobre o Foro de São Paulo.

A noite a mesa teve como tema “(In)Definições da questão agrária hoje”. Aldo Duran (UFU-MG) apresentou aspectos da política agrária de Evo Morales, os avanços (distribuição de terras e assistência financeira e técnica) e retrocessos (política de concertación – pacto com a direita fascista boliviana) no processo de mudança na Bolívia; Marcelo Buzetto (MST) falou sobre as experiências do MST e da luta pela terra no Brasil; Eliel Machado (UEL) comentou sobre a potencialidade dos movimentos agrárias que são fruto da luta pela própria sobrevivência humana, mas não esqueceu de salientar os limites da luta e suas fragmentações.

Na quinta pela manhã a mesa teve como tema “Classes sociais e transformações no mundo do trabalho”. Nicolas Iñigo Carrera (PIMSA-Argentina) apresentou o mundo do trabalho na Argentina antes e pós crise econômica do início do século; Armando Boito Júnior (UNICAMP) comentou uma interpretação sobre o conceito de classe em Marx, que segundo ele teria dois usos: um revolucionário (Manifesto do PC) e outro reformista (18 de Brumário); Ruy Braga (USP) falou que a nova forma de acumulação neoliberal dificulta a solidariedade e conquentemente a tomada de consciência de classe.

Na tarde do segundo dia continuei participando do GT6. Ocorreram as apresentações dos trabalhos de Ricardo Festi sobre a fábrica Zanon na Argentina e Julia Souza sobre a especificidade da Bolívia no contexto atual da América Latina.

A noite a mesa teve o tema “Política e economia na América Latina”. Luiz Bernardo Pericás (FLACSO-Brasil) falou sobre Cuba e os rumos da Revolução Socialista na ilha; Juan Carlos Leyton (Uni. ARCIS-Chile) fez uma excelente análise sobre a conjuntura chilena e como Pinoche transformou seu país no modelo de neoliberalismo para a América Latina; Virgínia Fontes (UFF) é simplesmente o máximo falando sobre qualquer assunto. Ela consegue falar sério enquanto é irônica. Simplesmente a melhor fala que ouvi no encontro. Sobre o que ela falou? Isso não tem importância...

Mas a melhor mesa ficou para sexta-feira, o último dia do evento, quando representantes de movimentos sociais tiveram a palavra e expuseram suas idéias, ações e desavenças para com a academia. Weber Lopes falou sobre o Movimento Hip-Hop; Daniela Damaceno sobre o Movimento Sem-Teto e Cristóbal Paz sobre a experiência da fábrica Zanón, na Argentina.

Na sexta a tarde o GT6 também foi muito produtivo. Daniel Antiquera comparou Marx a Bolívar; Clara Camargo falou do socialismo do século XXI na Venezuela e Mariana Lopes sobre os avanços e limites do processo bolivariano. Pena que a logística me impediu de acompanhar os demais trabalhos, bem como a mesa de encerramento com o tema “Socialismo no século XXI: quais perspectivas na América Latina?”.

Mas o Simpósio também foi interessante na parte de trocas de experiências com outros alunos, feira de livros, mas principalmente, pelos filmes/documentários que foram exibidos: “La batalla de Chile” sobre o golpe contra Allende; “Migrante” e “Califórnia à Brasileira” sobre os nordestinos que vem para o interior paulista cortar cana; “50 años de morte” sobre as FARC; “CHE- El diário de Bolívia”; “Fasinpat” sobra a fábrica Zanon na Argentina, e etc...

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