17 outubro 2008

Eleições 2008 – Nova Londrina


Fim do pleito eleitoral na cidade de Nova Londrina – PR, é hora de sonhar com a tão esperada e utópica união dos “políticos” em prol do bem comum de nossa cidade. Antes, porém, são necessárias algumas reflexões sobre estes três meses de campanha, bem como dos rumos que a cidade pode tomar e me sinto bastante a vontade para isso, uma vez que, devido à minha função perante a Justiça, não participei ativamente do processo eleitoral, embora todos soubessem e a minha opinião.

Desde os idos dos anos 1980, a cidade de Nova Londrina foi administrada pelo mesmo grupo político, salvo o período entre 1996 e 2000. O atual prefeito, ex-deputado estadual e principal líder e articulador deste grupo, aparenta ter encerrado a vida pública, e o que é pior, sem ter conseguido deixar uma nova liderança com sua popularidade e espírito de timoneiro, capaz de dar continuidade em sua vencedora carreira política.

O grupo que venceu as eleições em 2008 é justamente aquele que esteve na administração municipal no período entre 1996 e 2000, claro que com algumas mudanças que o tempo exige. Período aquele, como este, de grandes expectativas.

Nestas eleições, as alianças políticas foram um tanto curiosas, como sempre em cidades pequenas. O PMDB, na contramão do que pretende sua executiva nacional, em clara preferência a uma aliança programática com o PT, forneceu o vice ao PSDB. O DEMOcratas, o partido da ditadura militar, teve como vice um candidato do PPS, o PCB dos velhos tempos, no entanto, a nível nacional, tais partidos têm se aproximado ultimamente, ainda mais agora que o PPS é objeto de barganha de seu líder maior Roberto Freire. Mas que é estranho ver os liberais com os comunistas, isso é. Tudo bem, sei que a nível local as coisas são bem diferentes!

Esta campanha foi marcada pela nova forma de ser fazer propaganda. Bandas não são mais permitidas e os comícios passaram a ser feitos de forma mais localizada, em residências nos bairros. Isso não impediu um belo comício de organização e público, do candidato do PT, o único que tive a possibilidade de acompanhar. A poluição visual saiu dos muros e passou para os carros, em troca é claro de uma ajuda nos combustível, além da irritante poluição sonora que atrapalha o nosso descanso.

Fato novo também foram as “cartas anônimas” que circularam pela cidade contra o candidato do DEMOcratas, que no fundo, serviram mais para impulsionar a sua candidatura do que o contrário. Li a primeira carta (que inclusive sou suspeito de a ter redigido, mas já disse e repito que não tenho nada com isso e quem falar o contrário vai ter que provar) e recebi outras duas por e-mail, em tom mais “desesperador” que a primeira. Como costumo dizer, este é o preço que se paga pelo fato de a cidade não possuir um veículo de comunicação impresso que seja democrático, onde cada “grupo político” possa expressar de forma clara e nos moldes da civilidade as suas posições, críticas e queixas.

A participação de figuras ilustres da política estadual e federal nunca foram tão fortes nas eleições de Nova Londrina como neste ano. Enquanto a coligação PSDB-PMDB-PP e PRP, colou na pessoa do governador Roberto Requião e do deputado estadual Hermes Frangão Parcianello, sob o slogan do “A Parceria é Fundamental!”, o PT-PSC apostou suas fichas na figura do presidente Lula, de deputados que gravaram falas para o programa eleitoral, bem como de um vídeo exibido em seu comício de encerramento, em que o Ministro do Planejamento Paulo Bernardo, pedia voto para o candidato a prefeito no município. Já a coligação DEMO-PPS-PTB-PDT e PSB, não pôde se utilizar destes recursos, uma vez que a lei eleitoral proíbe a aparição de pessoas não filiadas ao partido e seus apoios, por ironia do destino, são de um deputado estadual e outro federal do PMDB.

È importante ressaltar que a vitória da coligação liderada pelo DEMOcratas deu-se, além de diversos fatores, pela sapiência em, durante quatro anos, desde a derrota no último pleito, aglutinar várias forças em torno de sua candidatura. Conseguiram “tomar” um partido político forte, e “montar” outro. Pularam dos 18 candidatos a vereador da eleição passada para os atuais 26 (4.647 votos), o que possibilitou mais corpo a campanha, bem com a eleição da maioria dos vereadores. Enquanto isso, a situação PMDB-PSDB contou com apenas 13 candidatos (2.014 votos) e a terceira-via PT com 5 candidatos (369 votos).

Apesar deste grande número de candidatos a vereador, tal não se traduziu em esmagadora maioria de votos para o candidato a prefeito, como era de se supor e esperar. O candidato eleito pelo DEMOcratas, fez 3.598 votos (47%), ou seja, 1.000 votos a menos que a soma de seus candidatos a vereador. O segundo colocado, o candidato da terceira-via representada pelo PT, fez 2.759 votos (36%), bem mais que seus candidatos a vereador. O terceiro colocado, o candidato da situação PSDB-PMDB fez 1.150 votos (15%), também muito abaixo do total de votos de seus candidatos a vereador. Tais números podem nos levar a uma conclusão: por mais que a quantidade de candidatos a vereador seja importante numa disputa eleitoral, e neste caso o foi, a pessoa do candidato a prefeito, no caso o do PT, e seu prestígio junto à comunidade local ainda é um fator a ser considerado, por mais que se diga por aí que os votos ao candidato do PT não foram conquistados por ele, mas sim votos de protesto. Protesto contra o que eu não sei!

Falando em vereadores, dos nove atuais, um não tentou a reeleição, dois tentaram o cargo de Prefeito e quatro foram reeleitos e dois ficaram de fora. A nova câmara municipal é marcada pela juventude dos vereadores. Quatro vereadores que apoiaram o prefeito eleito possuem como característica principal o perfil ligado à juventude.

Os desafios aos eleitos são dos maiores. Primeiro a crise financeira que se anuncia como recessão econômica; segundo que durante os dois primeiros anos de administração, quer queiramos e concordemos ou não, o governo Estadual e Federal não são alinhados ao partido que comandará o executivo municipal; terceiro, apesar de contar em seu grupo com algumas pessoas já experientes no trato com a coisa pública e alguns inexperientes possuírem grande capacidade, até a engrenagem funcionar a todo vapor leva algum tempo; quarto, o novo e sua promessas sempre geram expectativas e caso as coisas não caminhem conforme o planeja e desejado, o apoio da população poderá diminuir e a frase do grande romancista português de Eça de Queiroz fará ainda mais sentido “Os políticos e as fraldas devem ser mudados freqüentemente e pela mesma razão!”. No caso de Nova Londrina, dizem os mais céticos, 2012 poderá representar a volta do atual prefeito.

Enfim, cervejada, churrascada, combustível, ameaças, dinheiro vivo, cartas, carros, placas, propostas, promessas, discursos e outros meios à parte, o negócio é que o período de campanha já se findou, e Nova Londrina estará nas mãos de pessoas escolhidas pela maioria de sua população e que, com certeza, contam e poderão contar com o apoio e expectativa de toda a cidade, mas, desde que aceite as críticas como construtivas, afinal, como diria Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra!”.

2 Comentários:

Às 18/10/08 6:51 PM , Blogger Mauro Sérgio disse...

Aqui no Rio, termos no 2º turno, dois blocos perfeitamente definidos entre os grupos que apóiam o governo federal e os que lhe fazem oposição. Triste é constatar que os dois estão cheios de figuras deploráveis da política brasileira.

De um lado, está Fernando Gabeira, do PV. Ele tem apoio do DEMO, do PSDB e do PPS.

Do outro está Eduardo Paes, do PMDB. Ele tem apoio de PT, PCdoB, PDT e do PRB da Igreja Universal.

Ficou bem delineado: governo de um lado, oposição do outro. Eu sigo PSOL e PSTU e voto nulo, uma pena.

 
Às 18/10/08 7:37 PM , Blogger Prof Toni disse...

Pois é meu caro, ainda continuamos com os acertos locais, isso demonstra cabalmente a ausência de partidos políticos no nosso país...

 

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