30 outubro 2008

Ler deveria ser proibido!

Texto que circula pela Internet e possui um interessante montagem no YouTube. A primeira vez que o li foi em um periódico aqui da região, editado por um companheiro de luta. Vale a pena a leitura. A ironia da autora nos coloca diante de uma reflexão interessante. Ler deveria ser proibido!

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebida. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
Por Guiomar de Grammon.
Obs: A leitura deste texto é importante para o entendimento do próximo post.

26 outubro 2008

“Fazei isto em memória de mim!”


Quando vi no cinema o filme “A Paixão de Cristão”, a cena que mais me impressionante foi a que retratava a última ceia de Jesus com seus discípulos. Mas que significado tem esta passagem para você Cristão e seguidor de Jesus? Não sou teólogo, mas vou dar meus pitacos aqui.

Ao repartir o pão e dar a todos os que estavam ao seu redor dizendo-lhes “fazei isto em memória” de mim, Jesus ensinava aos seus seguidores que todos são iguais perante Deus, e que não deve haver entre os homens na terra qualquer diferença ou privilégios. Tudo deve ser repartido, principalmente a comida e a bebida.

É sempre bom lembrar que os primeiros cristãos viviam em sistema de coletividade. Ou seja, tudo o que plantavam, colhiam e produziam era repartido por igual entre todos os membros da comunidade. Será que só eles entenderam realmente a mensagem de Cristo?

O Cristianismo tornou-se a maior religião do mundo por questões de interesse político por parte do antigo Império Romano, e claro, apenas a parte da doutrina que interessava é mantida, o restante sofreu diversas alterações de interpretação ao longo dos anos.

Hoje em dia, o ato de comungar se reduziu a uma hóstia consagrada como “o corpo e o sangue de Jesus” dada pelo padre no altar à aqueles que “não possuem pecados”. Se você faltou na missa no domingo passado, precisa se confessar para poder comungar. É o monopólio da fé e da salvação.

Me desculpem aqueles que vêem Jesus apenas como o enviado de Deus para salvar as almas. Eu vejo Cristo como uma pessoa que queria também salvar a carne, dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem cede, comungando com seus irmãos e repartindo o pão entre todos.

23 outubro 2008

Pela expropriação de Zanon:


Quando de evento realizado na UEL, tive o privilégio de ser apresentado à experiência da fábrica Zanon, na Argentina e gostaria de dividir com os leitores deste Blog alguns aspectos de sua história, bem como solicitar o apoio à campanha pela expropriação/estatização da Fábrica Zanon sob controle operário.

A fábrica Zanon produz cerâmica, foi fundada em 1980, sob a ditadura militar Argentina, completamente subsidiada por recursos públicos, que nunca foram pagos pelo proprietário Luís Zanon. Durante o governo Menem, a fábrica recebeu vários subsídios e incentivos fiscais.

Acontece que durante a crise Argentina do início deste século, Luís Zanon demitiu funcionários e acenou para a possibilidade de fechar a fábrica. Os operários se mobilizaram e, diante do lock-out (abandono) patronal, ocuparam a fábrica e continuaram a produção.

Desde então, o imbróglio jurídico permanece. Venceu nesta semana a autorização para que a cooperativa FASINPAT (Fabrica Sin Patrones) mantenha o controle sobre a fábrica, sem que a justiça ou o governo acene para uma solução.

Assim, convido a todos os leitores engajados no sonho por um mundo sem exploração, para que participem da campanha em favor da FASINPAT. Acessem o Blog da campanha (http://zanonsobcontroleoperario.blogspot.com/), deixem a sua solidariedade. Meu nome já consta da lista, ao lado de pessoas ilustres como Leonardo Boff, Chico de Oliveira, Ricardo Antunes, Virgínia Fontes, Eliel Machado, dentre outros. Acesse também o site oficial de Zanon (http://www.obrerosdezanon.com.ar/html/index1.html). Participe também da comunidade recém criada no Orkut (http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=73636701&refresh=1).

Segue abaixo, parte do texto de Leonardo Boff sobre sua visita à FASINPAT.


Recentemente, tive a oportunidade de assistir o exercício democrático de produção dentro de uma fábrica de cerâmica na cidade de Neuquén no sul da Argentina, na porta de entrada da Patagônia. Trata-se da Cerâmica Zanon, que pertencia a um grupo econômico multinacional, cujo dono principal era Luis Zanon, da empresa Ital Park, testa de ferro da privatização das Aerolineas Argentinas e um dos cem empresários mais ricos na Argentina. Este empresário, em 2001, estava prestes a decretar a falência da empresa. Chegou a demitir 380 operários e, ao mesmo tempo, tomava milionários empréstimos de vários organismos financeiros, para com a falência sair enriquecido. Tratava-se, portanto, de uma falência fraudulenta, como depois foi provado.

Os operários resistiram, começaram a se organizar e se articular com outras entidades sindicais, movimentos sociais, universidades, igrejas e diretamente mobilizando a sociedade civil local e até a nacional. Todos os intentos por parte da polícia de desaloja-los foram frustrados. Os operários assumiram a direção da fábrica de forma democrática, organizaram a complexa produção de cerâmica, de alta qualidade, com maquinaria moderna de origem italiana. Decretada a falência em 2005, trocaram o nome da fábrica. Agora se chama “Fasinpat”(fabrica sin patrones).


Democraticamente ajustaram os departamentos, introduziram a rotatividade nas funções para todos poderem aprender mais, fizeram parcerias com a universidade local. Não só. A fábrica não se reduz a produzir produtos materiais mas também cultura, com biblioteca, visitação de escolas, shows multitudinários no grande pátio, colaboração com os indígenas mapuche que ofereceram sua rica simbologia assumida na produção. Lá trabalham 470 operários produzindo mensalmente 400 mil metros quadrados de vários tipos de cerâmica de comprovada qualidade.


Fazia gosto de ver o rosto dos operários desanuviados, libertos da servidão do trabalho alienado, contentes de estar levando avante a democracia real nas relações produtivas que se revertiam em relações humanizadoras entre eles. Sua postulação é que o Estado exproprie a fábrica, sem pagar as dívidas por terem sido fraudulentas e entregue a gestão aos próprios operários a serviço da comunidade através de obras públicas como construção de casas populares, postos de saúde, colégios e outros fins sociais. Como se depreende, a democracia pode sempre crescer e mostrar seu caráter humanizador.

“Uma fábrica sem operários não funciona, mas uma fábrica sem patrões, sim, funciona!”

21 outubro 2008

Marx explica a crise:


Há livros que são chamados de "clássicos" pelo motivo principal de, mesmo passados vários anos, continuarem "atuais". Tais livros devem ser continuamente relidos. Segue abaixo uma análise de um livro “clássico” que explica perfeitamente a crise da mundialização do capital.

"Em um sistema de produção em que toda a trama do processo de reprodução repousa sobre o crédito, quando este cessa repentinamente e somente se admitem pagamentos em dinheiro, tem que produzir-se imediatamente uma crise, uma demanda forte e atropelada de meios de pagamento.


Por isso, à primeira vista, a crise aparece como uma simples crise de crédito e de dinheiro líquido. E, em realidade, trata-se somente da conversão de letras de câmbio em dinheiro. Mas essas letras representam, em sua maioria, compras e vendas reais, as quais, ao sentirem a necessidade de expandir-se amplamente, acabam servindo debase a toda a crise.


Mas, ao lado disto, há uma massa enorme dessas letras que só representam negócios de especulação, que agora se desnudam e explodem como bolhas de sabão, ademais, especulações sobre capitais alheios, mas fracassadas; finalmente, capitais-mercadorias desvalorizados ou até encalhados, ou um refluxo de capital já irrealizável. E todo esse sistema artificial de extensão violenta do processo de reprodução não pode corrigir-se, naturalmente. O Banco da Inglaterra, por exemplo, entregue aos especuladores, com seus bônus, o capital que lhes falta, impede que comprem todas as mercadorias desvalorizadas por seus antigos valores nominais.


No mais, aqui tudo aparece invertido, pois num mundo feito de papel não se revelam nunca o preço real e seus fatores, mas sim somente barras, dinheiro metálico, bônus bancários, letras de câmbio, títulos e valores.


E esta inversão se manifesta em todos os lugares onde se condensa o negócio de dinheiro do país, como ocorre em Londres; todo o processo aparece como inexplicável, menos nos locais mesmo da produção."


Fragmento de "O Capital", Volume 3, Capítulo 30, Capital-dinheiro ecapital efetivo, Karl Marx.

E ainda tem gente por aí que insiste em dizer que Marx é ultrapassado. Tais pessoas ou nunca leram Marx, ou o leram com tanta sabedoria que entenderam o seu potencial e querem o calar, para que não ecloda mais nenhuma convulsão social. Não é a toa, que em tempos de crise, “O Capital” de Marx voltou a ser best-seller na Alemanha.

Marx é atual porque soube revelar todos os mecanismos de exploração utilizados pelo modo de produção capitalista, que aliás, é ainda hoje o modo de produção hegemônico. Claro que em Marx existem equívocos de interpretação, como por exemplo a sua visão sobre a América Latina e sobre Simon Bolívar, mas o principal legado deixado por Marx é o seu método de análise.

17 outubro 2008

Eleições 2008 – Nova Londrina


Fim do pleito eleitoral na cidade de Nova Londrina – PR, é hora de sonhar com a tão esperada e utópica união dos “políticos” em prol do bem comum de nossa cidade. Antes, porém, são necessárias algumas reflexões sobre estes três meses de campanha, bem como dos rumos que a cidade pode tomar e me sinto bastante a vontade para isso, uma vez que, devido à minha função perante a Justiça, não participei ativamente do processo eleitoral, embora todos soubessem e a minha opinião.

Desde os idos dos anos 1980, a cidade de Nova Londrina foi administrada pelo mesmo grupo político, salvo o período entre 1996 e 2000. O atual prefeito, ex-deputado estadual e principal líder e articulador deste grupo, aparenta ter encerrado a vida pública, e o que é pior, sem ter conseguido deixar uma nova liderança com sua popularidade e espírito de timoneiro, capaz de dar continuidade em sua vencedora carreira política.

O grupo que venceu as eleições em 2008 é justamente aquele que esteve na administração municipal no período entre 1996 e 2000, claro que com algumas mudanças que o tempo exige. Período aquele, como este, de grandes expectativas.

Nestas eleições, as alianças políticas foram um tanto curiosas, como sempre em cidades pequenas. O PMDB, na contramão do que pretende sua executiva nacional, em clara preferência a uma aliança programática com o PT, forneceu o vice ao PSDB. O DEMOcratas, o partido da ditadura militar, teve como vice um candidato do PPS, o PCB dos velhos tempos, no entanto, a nível nacional, tais partidos têm se aproximado ultimamente, ainda mais agora que o PPS é objeto de barganha de seu líder maior Roberto Freire. Mas que é estranho ver os liberais com os comunistas, isso é. Tudo bem, sei que a nível local as coisas são bem diferentes!

Esta campanha foi marcada pela nova forma de ser fazer propaganda. Bandas não são mais permitidas e os comícios passaram a ser feitos de forma mais localizada, em residências nos bairros. Isso não impediu um belo comício de organização e público, do candidato do PT, o único que tive a possibilidade de acompanhar. A poluição visual saiu dos muros e passou para os carros, em troca é claro de uma ajuda nos combustível, além da irritante poluição sonora que atrapalha o nosso descanso.

Fato novo também foram as “cartas anônimas” que circularam pela cidade contra o candidato do DEMOcratas, que no fundo, serviram mais para impulsionar a sua candidatura do que o contrário. Li a primeira carta (que inclusive sou suspeito de a ter redigido, mas já disse e repito que não tenho nada com isso e quem falar o contrário vai ter que provar) e recebi outras duas por e-mail, em tom mais “desesperador” que a primeira. Como costumo dizer, este é o preço que se paga pelo fato de a cidade não possuir um veículo de comunicação impresso que seja democrático, onde cada “grupo político” possa expressar de forma clara e nos moldes da civilidade as suas posições, críticas e queixas.

A participação de figuras ilustres da política estadual e federal nunca foram tão fortes nas eleições de Nova Londrina como neste ano. Enquanto a coligação PSDB-PMDB-PP e PRP, colou na pessoa do governador Roberto Requião e do deputado estadual Hermes Frangão Parcianello, sob o slogan do “A Parceria é Fundamental!”, o PT-PSC apostou suas fichas na figura do presidente Lula, de deputados que gravaram falas para o programa eleitoral, bem como de um vídeo exibido em seu comício de encerramento, em que o Ministro do Planejamento Paulo Bernardo, pedia voto para o candidato a prefeito no município. Já a coligação DEMO-PPS-PTB-PDT e PSB, não pôde se utilizar destes recursos, uma vez que a lei eleitoral proíbe a aparição de pessoas não filiadas ao partido e seus apoios, por ironia do destino, são de um deputado estadual e outro federal do PMDB.

È importante ressaltar que a vitória da coligação liderada pelo DEMOcratas deu-se, além de diversos fatores, pela sapiência em, durante quatro anos, desde a derrota no último pleito, aglutinar várias forças em torno de sua candidatura. Conseguiram “tomar” um partido político forte, e “montar” outro. Pularam dos 18 candidatos a vereador da eleição passada para os atuais 26 (4.647 votos), o que possibilitou mais corpo a campanha, bem com a eleição da maioria dos vereadores. Enquanto isso, a situação PMDB-PSDB contou com apenas 13 candidatos (2.014 votos) e a terceira-via PT com 5 candidatos (369 votos).

Apesar deste grande número de candidatos a vereador, tal não se traduziu em esmagadora maioria de votos para o candidato a prefeito, como era de se supor e esperar. O candidato eleito pelo DEMOcratas, fez 3.598 votos (47%), ou seja, 1.000 votos a menos que a soma de seus candidatos a vereador. O segundo colocado, o candidato da terceira-via representada pelo PT, fez 2.759 votos (36%), bem mais que seus candidatos a vereador. O terceiro colocado, o candidato da situação PSDB-PMDB fez 1.150 votos (15%), também muito abaixo do total de votos de seus candidatos a vereador. Tais números podem nos levar a uma conclusão: por mais que a quantidade de candidatos a vereador seja importante numa disputa eleitoral, e neste caso o foi, a pessoa do candidato a prefeito, no caso o do PT, e seu prestígio junto à comunidade local ainda é um fator a ser considerado, por mais que se diga por aí que os votos ao candidato do PT não foram conquistados por ele, mas sim votos de protesto. Protesto contra o que eu não sei!

Falando em vereadores, dos nove atuais, um não tentou a reeleição, dois tentaram o cargo de Prefeito e quatro foram reeleitos e dois ficaram de fora. A nova câmara municipal é marcada pela juventude dos vereadores. Quatro vereadores que apoiaram o prefeito eleito possuem como característica principal o perfil ligado à juventude.

Os desafios aos eleitos são dos maiores. Primeiro a crise financeira que se anuncia como recessão econômica; segundo que durante os dois primeiros anos de administração, quer queiramos e concordemos ou não, o governo Estadual e Federal não são alinhados ao partido que comandará o executivo municipal; terceiro, apesar de contar em seu grupo com algumas pessoas já experientes no trato com a coisa pública e alguns inexperientes possuírem grande capacidade, até a engrenagem funcionar a todo vapor leva algum tempo; quarto, o novo e sua promessas sempre geram expectativas e caso as coisas não caminhem conforme o planeja e desejado, o apoio da população poderá diminuir e a frase do grande romancista português de Eça de Queiroz fará ainda mais sentido “Os políticos e as fraldas devem ser mudados freqüentemente e pela mesma razão!”. No caso de Nova Londrina, dizem os mais céticos, 2012 poderá representar a volta do atual prefeito.

Enfim, cervejada, churrascada, combustível, ameaças, dinheiro vivo, cartas, carros, placas, propostas, promessas, discursos e outros meios à parte, o negócio é que o período de campanha já se findou, e Nova Londrina estará nas mãos de pessoas escolhidas pela maioria de sua população e que, com certeza, contam e poderão contar com o apoio e expectativa de toda a cidade, mas, desde que aceite as críticas como construtivas, afinal, como diria Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra!”.

15 outubro 2008

O Operário em Construção:


Um pouco de poesia para este Blog. Mas é claro, poesia engajada. Letra de Vinícius de Moraes, que na voz de Taiguara ficou sublime. Vejam o vídeo no YouTube.

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
(Lucas, cap. V, vs. 5-8).

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! –
gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

11 outubro 2008

Bolívia:


Circula na internet um periódico mensal chamado ALBA, que busca ser mais uma fonte contra-hegemônica no sentido de divulgar ações ocorridas na América Latina, o qual, na medida do possível, eu colaboro. Em sua 13ª edição traz várias manifestações em apoio ao presidente boliviano Evo Morales. Seguem abaixo algumas delas:


"Cuba, o primeiro país visitado por Morales quando ele foi declarado presidente, tem expressado seu apoio com médicos e equipamentos no atendimento gratuito a bolivianos e viabilizado a vinda de estudantes dessa nação irmã para freqüentarem os cursos de Medicina em nossas escolas. O sucesso da alfabetização, mediante o método pedagógico cubano “Eu, sim posso” (Yo, sí puedo), está ajudando a erradicar o analfabetismo em curto prazo e a declarar, em breve, a Bolívia como mais um Território Livre de Analfabetismo nas Américas. Os nossos professores internacionalistas visitam os cantos mais afastados da geografia de seu país a fim de que todas as pessoas analfabetas atinjam a almejada meta educacional. Muitos povoados indígenas já podem ler e escrever em suas línguas nativas e em espanhol. Em Cuba, depois de 50 anos construindo a nossa revolução, a idéia de que o homem seja realmente irmão do homem, tem sido levada à sua prática conseqüente. Portanto, não poderíamos deixar de prestar nosso apoio solidário a EVO MORALES e às forças que ele representa, com a ajuda solidária, do que temos de melhor."
ISABEL SUAREZ – Universidade de La Habana – CUBA


"A Bolívia esteve perto de uma guerra civil em setembro, mas os dois lados recuaram na enésima hora, aceitando a gestão de paz de outros presidentes sul-americanos. Havia, claramente, um esquema golpista em andamento. Evo Morales deveria ter aproveitado a oportunidade para esmagar os inimigos do povo? Isto só cabe a ele mesmo julgar.

Para os revolucionários, o sangue dos trabalhadores é sagrado. O confronto armado nunca é a primeira escolha, mas sim a última. E o momento deve ser aquele que eles escolhem, não o melhor para o inimigo.

Luiz Carlos Prestes, em 1964, dava declarações arrogantes de que o PCB já estava no poder, confiante no apoio de alguns oficiais de alta patente e de muitos cabos e sargentos. No entanto, os tenentes, capitães e majores, que realmente comandam as tropas, pendiam para o inimigo. João Goulart foi facilmente derrubado e a quartelada vitoriosa serviu como exemplo para muitas outras em nosso continente.

Ao dar um passo atrás, Evo Morales se capacitou para dar dois adiante, como recomendava Lênin. Evitou o combate no momento e no palco escolhido pelos fascistas. E ganhou um lapso de tempo precioso para preparar- se melhor -- seja para manter as conquistas populares sem a necessidade da guerra, seja para fazer a guerra com melhores chances de vitória.

Devemos apoiá-lo firmemente, em qualquer dessas circunstâncias. E sempre tendo em mente que a parada é alta, pois o que acontecer na Bolívia poderá apontar o caminho para outros países, no bom ou no mau sentido. Não temos o direito de errar."
CELSO LUNGARETTI, São Paulo/SP


"A luta emancipatória na Bolívia tem um ingrediente inédito: a população indígena. As civilizações indígenas do altiplano andino praticavam o comunismo (comunalismo primitivo, se quisermos ser teoricamente exatos) há milhares de anos, uma trajetória que só foi interrompida com o "descobrimento" e a divisão do mundo entre as coroas espanholas e portuguesas. A partir daí os assassinatos não cessaram e mesmo após a maioria dos países abandonarem o modo de produção escravista, o massacre dos povos indígenas não só continuou como também aumentou em todos os países. Essa questão é fundamental para entendermos a importância da Bolívia no contexto das transformações pelo socialismo e toda a mobilização liderada pelo presidente Evo Morales, que também é um indígena. Por isso, a retomada desse protagonismo da Bolívia é extraordinária não apenas pela sua orientação socialista, mas também pela retomada de antigos valores civilizacionais."
JOSAFÁ BATISTA - Jornalista de Rio Branco – Acre - BRASIL


"Como diria o presidente equatoriano Rafael Correa, a América Latina vive uma mudança de época e não uma simples época de mudança. O modelo neoliberal está em crise e a necessidade de um Estado mais participativo é premente, haja visto os últimos acontecimentos na economia estadunidense. A elite fascista boliviana, com o apoio dos Estados Unidos, tenta impedir que um governo eleito democraticamente pela maioria de seu povo tome as medidas urgentes de melhoria nas condições de vida de sua população. Evo é resultado de uma série de protestos populares (“guerra da água” e “guerra do gás”) contra a fracassada política neoliberal implantada na Bolívia, que culminou com as quedas dos governos de Sanches de Lozada em 2003 e Carlos Messa em 2005. Devemos estar atentos à crise boliviana, e denunciar qualquer composição de Morales com os golpistas, pois caso contrário, a mesma massa que se mobilizou para elegê-lo, não exitará em lhe tirar do governo, o que seria uma derrota para a “mudança de época” em nosso continente."
CÁSSIO AUGUSTO - Nova Londrina – PR - BRASIL


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08 outubro 2008

Balanço do 1º turno:


Depois de três meses de intensa campanha, horários eleitorais, militantes nas ruas, cabo eleitoral entregando santinho e balançando bandeira pelas nossas calçadas e claro, muita, mas muita compra de votos em troca de uma cervejinha, uma carne para o churrasco do fim de semana, a conta de luz, um milheiro de lajotas para erguer o muro de casa, a cesta básica, óculos de grau, e muitas outras coisas (poderia fazer um post apenas listando isso), chega ao fim o martírio eleitoral, pelo menos na grande maioria das cidades brasileiras.

Alguns resultados merecem ser comentados aqui. Primeiro é sobre as pesquisas eleitorais de intenção de voto, que apesar dos vários acertos, também ocorreram vários erros, seja no vencedor das eleições, seja na diferença de votos. Precisamos repensar a divulgação de pesquisas eleitorais, porque muitas vezes elas não refletem a realidade e acabam se transformando em grande elemento de propaganda política, ainda mais sabendo que boa parte do eleitorado vota naquele candidato que “está na frente” para “não perder o voto”.

O PMDB continua sendo o maior partido do país. Elegeu 1194 prefeitos neste fim de semana, mais que em 2004. O PSDB continua em segundo lugar com o comando de 780 prefeituras, menos que a quatro anos. O grande derrotado foi o DEMOcratas (ex-PFL, ex-PDS, ex-ARENA, históricos ditadores) que caiu do terceiro lugar no número de prefeituras em 2004 para o quinto lugar com 494. O PT, mesmo tendo colado seus candidatos na figura do presidente Lula, não conseguiu obter o resultado esperado, apesar do considerável aumento de prefeituras, passando das 422 para as atuais 548. Lembrando que excluímos o segundo turno.

Comentaremos ainda o resultado em algumas capitais. Em Salvador, enquanto as pesquisas apontavam ACM Neto (DEMO) garantido no 2º turno, acabou dando João Henrique (PMDB) e Walter Pinheiro (PT), dois aliados do Governo Federal. Em São Paulo, Gilberto Kassab (DEMO) venceu Marta Suplicy (PT) já no primeiro turno, e tudo indica que levará com facilidade também o segundo, ainda mais com apoio do PSDB. No Rio de Janeiro, Fernando Gabeira (PV) manteve a ascensão e deixou para trás tanto Jandira Feghali (PCdoB) como o bispo Marcelo Crivela (PRB) até então favorito para ir ao segundo turno com Eduardo Paes (PMDB), antigo opositor do Presidente Lula, mas que agora pretende contar com o apoio do Presidente. Por fim, Porto Alegre, depois de uma disputa que começou acirrada com vários nomes fortes como Luciana Genro (PSOL) Ônix Lorenzoni (DEMO), um chato de primeiro e Manuela D´Avila (PCdoB), o segundo turno ficará a cargo do atual prefeito José Fogaça (PMDB) e a deputada Maria do Rosário (PT), a disputa promete.

O Paraná confirmou o anti-petismo da população do Estado. O Presidente do Diretório Estadual não conseguiu sequer ir para o segundo turno em Londrina, André Vargas perdeu para o eterno corrupto Antonio Belinatti (PP) e para Luiz Carlos Hauly (PSDB). Em Maringá, deu a reeleição de Silvio Barros (PP), irmão dele mesmo, o deputado federal Ricardo Barros, já no primeiro turno, com o petista Enio Verri em segundo. Na capital Curitiba, o PT apostava todas as fichas em Gleisi Hoffman, esposa do Ministro Paulo Bernardo, mas Beto Richa (PSDB) venceu já no primeiro turno com esmagadora maioria.

05 outubro 2008

Lutas Sociais na América Latina:


Como já postei neste Blog, estive entre os dias 24 e 26 de setembro na Universidade Estadual de Londrina (UEL) participando do III Simpósio Lutas Sociais na América Latina, organizado pelo GEPAL (Grupo de Estudos de Política da América Latina).

A mesa de aberta na quarta-feira pela manhã teve como tema “Estado, ideologia e meios de comunicação”. O jornalista do Brasil de Fato e da Caros Amigos, Hamilton de Souza abriu a mesa falando acerca do papel dos meios de comunicação no domínio de classe, apresentando dados e exemplos; Francisco Fonseca da (FGV-SP) foi no mesmo sentido e Carla Luciana Silva (Unioeste) enfatizou a Revista Veja.

A tarde ocorreram as comunicações. Apresentei meu trabalho no GT6 “Socialismo no século XXI: perspectivas para a América Latina”. O primeiro trabalho foi de Gilberto Calil falando de Mariátegui e Che Guevara; Carlos Prado falou sobre as comparações entre Che e Lênin; Eu apresentei a recepção de Gramsci na América Latina; Cléber Petró falou sobre o Foro de São Paulo.

A noite a mesa teve como tema “(In)Definições da questão agrária hoje”. Aldo Duran (UFU-MG) apresentou aspectos da política agrária de Evo Morales, os avanços (distribuição de terras e assistência financeira e técnica) e retrocessos (política de concertación – pacto com a direita fascista boliviana) no processo de mudança na Bolívia; Marcelo Buzetto (MST) falou sobre as experiências do MST e da luta pela terra no Brasil; Eliel Machado (UEL) comentou sobre a potencialidade dos movimentos agrárias que são fruto da luta pela própria sobrevivência humana, mas não esqueceu de salientar os limites da luta e suas fragmentações.

Na quinta pela manhã a mesa teve como tema “Classes sociais e transformações no mundo do trabalho”. Nicolas Iñigo Carrera (PIMSA-Argentina) apresentou o mundo do trabalho na Argentina antes e pós crise econômica do início do século; Armando Boito Júnior (UNICAMP) comentou uma interpretação sobre o conceito de classe em Marx, que segundo ele teria dois usos: um revolucionário (Manifesto do PC) e outro reformista (18 de Brumário); Ruy Braga (USP) falou que a nova forma de acumulação neoliberal dificulta a solidariedade e conquentemente a tomada de consciência de classe.

Na tarde do segundo dia continuei participando do GT6. Ocorreram as apresentações dos trabalhos de Ricardo Festi sobre a fábrica Zanon na Argentina e Julia Souza sobre a especificidade da Bolívia no contexto atual da América Latina.

A noite a mesa teve o tema “Política e economia na América Latina”. Luiz Bernardo Pericás (FLACSO-Brasil) falou sobre Cuba e os rumos da Revolução Socialista na ilha; Juan Carlos Leyton (Uni. ARCIS-Chile) fez uma excelente análise sobre a conjuntura chilena e como Pinoche transformou seu país no modelo de neoliberalismo para a América Latina; Virgínia Fontes (UFF) é simplesmente o máximo falando sobre qualquer assunto. Ela consegue falar sério enquanto é irônica. Simplesmente a melhor fala que ouvi no encontro. Sobre o que ela falou? Isso não tem importância...

Mas a melhor mesa ficou para sexta-feira, o último dia do evento, quando representantes de movimentos sociais tiveram a palavra e expuseram suas idéias, ações e desavenças para com a academia. Weber Lopes falou sobre o Movimento Hip-Hop; Daniela Damaceno sobre o Movimento Sem-Teto e Cristóbal Paz sobre a experiência da fábrica Zanón, na Argentina.

Na sexta a tarde o GT6 também foi muito produtivo. Daniel Antiquera comparou Marx a Bolívar; Clara Camargo falou do socialismo do século XXI na Venezuela e Mariana Lopes sobre os avanços e limites do processo bolivariano. Pena que a logística me impediu de acompanhar os demais trabalhos, bem como a mesa de encerramento com o tema “Socialismo no século XXI: quais perspectivas na América Latina?”.

Mas o Simpósio também foi interessante na parte de trocas de experiências com outros alunos, feira de livros, mas principalmente, pelos filmes/documentários que foram exibidos: “La batalla de Chile” sobre o golpe contra Allende; “Migrante” e “Califórnia à Brasileira” sobre os nordestinos que vem para o interior paulista cortar cana; “50 años de morte” sobre as FARC; “CHE- El diário de Bolívia”; “Fasinpat” sobra a fábrica Zanon na Argentina, e etc...

03 outubro 2008

Contra burguês, vote 16.


Quem nunca ouviu este bordão do PSTU? Eu sempre adorei. É bastante instigante, principalmente durante o período eleitoral onde os burguês se camuflam de “amigos dos pobres” para angariar seus votos e etc. Sempre tive vontade de votar 16 só pra dizer que votei contra burguês. Só que tem uma coisa que eu descobri há pouco tem e que me deixou muito decepcionado. Se eu votar 16 estarei votando NULO. Não entendeu o motivo? Então vamos explicar melhor...

O PSTU é fruto de uma dissidência interna no PT. Foi fundado no ano de 1994 e tem como maior e único líder o eterno candidato à presidência Zé Maria. O PSTU, apesar de constituir-se enquanto partido político e participar do processo eleitoral, não acredita no mesmo. Para o PSTU, a eleição é apenas uma forma de “aparecer na Rede Globo e fazer discurso”. Até aqui tudo bem, eu particularmente também acho esta democracia eleitoral burguesa uma grande farsa.

No entanto, o que me incomoda mesmo, é o fato de que, se o PSTU chegar a eleger algum vereador, este pedirá renúncia no primeiro dia de seu mandato. O motivo? Eles querem a revolução e acham que participar do debate no congresso é “uma perda de tempo”. Eu até entendo e respeito seus argumentos, mas nem todo eleitor sabe disso. Portanto, o PSTU está enganando boa parte do seu eleitorado. Não posso admitir isso. É com mentiras que se faz a revolução?

Apesar de achar muito interessante o vigor militante do pessoal do PSTU, não suporto o “8 ou 80” deles. Também quero o “80”, mas tenho a consciência de que não será atingido do dia para a noite, muito menos com a tomada do governo por um golpe armado. O “Ocidente” do século XXI não possibilita mais isso. Como a caminhada é longa, precisamos defender as conquistas e continuar lutando (já me manifestei aqui sobre o ProUni e a Conlute, órgão aparelhado pelo PSTU). Pior de tudo é que os militantes do PSTU acreditam que estão conduzindo o Brasil para a Revolução Socialista. Me perdoem, mas acho que o Brasil que eles vivem é diferente do que eu vivo. Caros companheiros do PSTU, não caiam no mesmo erro histórico cometido pelo PCB ao se acharam a “vanguarda da luta” mas que na realidade não possuem qualquer inserção social.

Contra burguês, vote 16. Mas vote sabendo que seu candidato não estará na câmara defendendo seus interesses na próxima legislatura.

01 outubro 2008

A crise chega a ser divertida.


Estamos acompanhando neste dias o sobe e desce da bolsa, do dólar, do humor dos banqueiros, as previsões dos economistas que mais se parecem com astrólogos. O desespero dos neoliberais é que me diverte.

O modelo neoliberal prega que o Estado deve ser “mínimo” e que a economia deve se auto-regular. O Estado não deve intervir na economia. O Estado não deve possuir empresas. O Estado não deve nem dar previdência social, educação e hospitais. Tudo isso deve estar nas mãos do mercado.

Eis que em toda crise financeira, os neoliberais suplicam ajuda para quem? Bingo! Para o Estado. Ora, cadê a ideologia de um mercado que deve se auto-regular? É sempre assim. Para os neoliberais, o Estado só serve para dividir os prejuízos, jamais os lucros.

O mundo pode entrar em colapso caso o Estado não intervenha? Posso estar enganado, mas este é justamente o discurso de nós “esquerdistas” que não acreditamos no mercado auto-regulador. Que coisa não? Me divirto com tudo isso. Ainda dizem que a nossa ideologia que é do século passado, não é Revista Veja? A nossa ideologia é atual, e é uma alternativa, a crise comprova isso. Leiam István Mészáros “Socialismo ou Barbárie”.

Aguardemos os próximos capítulos e vejamos até onde os neoliberais serão tão hipócritas. Não é preciosismo, mas nós "esquerdistas" sempre avisamos sobre o colapso do modelo neoliberal.



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