17 agosto 2008

Quem foi... John Locke?


John Locke (1632-1704) é festejado como o “pai do pensamento” liberal. Segundo o que aprendemos na escola, Locke fazia forte oposição ao autoritarismo político e religioso. Teria sido um dos primeiros a lançar as bases de uma sociedade sem ingerência do Estado. Seu pensamento foi importante na luta contra o absolutismo. Não quero aqui dizer que Locke não tenha sido importante nas transformações da sociedade ocidental, mas existe um outro lado de sua vida que não conhecemos.

No texto “A educação para além do capital”, o húngaro István Mészáros apresenta alguns aspectos da vida e do pensamento de Locke que eu mesmo não conhecia e gostaria de compartilhar.

Locke era um verdadeiro latifundiário. Não vivia nas suas terras. Era funcionário público e ganha muito bem para isso. Cerca de 1.500 libras como membro da Junta Comercial e não hesitou em propor que os pobres ganhassem “um centavo por dia”. Ao final de sua vida, Locke possuía um patrimônio invejável até mesmo para prósperos comerciantes londrinos. Como se vê, sua vida foi “mamar nas tetas do Estado”.

Detentor de grande patrimônio, Locke deu mostras de seu pensamento “liberal” ao sugerir que, enquanto aos criminosos reincidentes cortava-se “apenas” metade da orelha, propões que já aos primários fossem cortadas as duas.

Como a grande maioria dos homens ricos, Locke odiava/temia os pobres. Nas suas palavras: “o crescimento do número de pobres (...) nada mais é do que o relaxamento da disciplina e a corrupção dos hábitos; a virtude e a diligência são como companheiros constantes de um lado, assim como o vício e a ociosidade estão do outro. Portanto, o primeiro passo no sentido de fazer os pobres trabalhar (...) deve ser a restrição de sua libertinagem mediante a aplicação estrita das leis estipuladas (por Henrique VIII e outro) contra ela”.

Como se vê, o “pai dos liberais” “esquece” dos cercamentos, e acusa os pobres de serem pobres porque são vadios. Mas é claro, como representante de uma classe, seu discurso tem que ser mesmo neste sentido. É o que Marx chama de “a lenda do pecado original”. Lenda esta que acaba internalizada pelas instituições de ensino que estão a serviço do capital.

2 Comentários:

Às 18/8/08 5:39 PM , Anonymous Catatau disse...

Sim, mas cuidado para separar alhos e bugalhos: uma coisa é a crítica de Marx à própria época e o que se pode extrair daí (algo bem vivo em vários debates de filosofia política); outra, bem diferente, é o anacronismo.

 
Às 3/9/10 4:27 PM , Anonymous Anônimo disse...

muito legal esse post!!!
o autor do mesmo, parece muito com locke
uahsuahsuhasuhaushuahsuahsuahsu
rsrsrsrrsrsrskkkkkkkkpaoskpaoksopakspo

 

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