06 agosto 2008

Notícias que você não vê na TV 02:


Eu não li o livro, mas o filme “O caçador de pipas”, apesar de ser bonitinho e ao mesmo tempo “corrido”, como a maioria das adaptação da literatura para o cinema, me deixou a impressão de uma bela propagando ideológica do tipo: “nós estadunidenses estamos fazendo de tudo para salvar o Afeganistão das mãos do regime sangrento dos Talibãs.”

Pois bem, não quero entrar no mérito das qualidades do regime Talibã, até porque não as conheço, mas também não podemos esquecer que os próprios estadunidenses apoiaram os Talibãs quando da invasão do Afeganistão pelos Soviéticos. Algo parecido ocorreu no Iraque, quando os Estados Unidos financiaram e armaram Saddam no início dos anos 1980.

Quero neste texto apresentar alguns números e fatos que talvez não apareçam com a freqüência e o espaço merecidos. No dia 06 de julho, o exército estadunidense bombardeou “por engano”, uma festa de casamento no Afeganistão e matou “apenas” 47 civis inocentes. Além desta, outras quatro festas foram arrasadas por bombardeiros nos últimos dias, sem falar numa escola, onde morreram 9 pessoas e uma casa de paredes de barro e teto de palha onde morreram 8 afegãos.

Apenas no primeiro semestre de 2008 já foram lançadas em solo afegão um total de 1.853 bombas de 200 a 900 quilos cada uma. Mais do que o total de bombas de 2006 e mais da metade de 2007. Mas isso você não vê na TV e não lê na Veja. Por que será?

A fonte está em inglês, e o restante da reportagem comenta que Barack Obama será o Tony Blair estadunidense. Torçamos para que isso não aconteça.

5 Comentários:

Às 6/8/08 10:29 PM , Blogger Dorian disse...

Notícias que você não vê na TV 03:

-Petista Aloprado preso pela Polícia Federal!!!

 
Às 7/8/08 12:34 AM , Blogger Cássio Augusto disse...

Não Dorian... essa a Globo e a Veja fazem questão de mostrar!!! mas qdo mais uma da DIREITALHA for preso eu aviso... pode deixar!!!

 
Às 8/8/08 6:09 PM , Anonymous Arthurius Maximus disse...

Uma coisa é importante ressaltar: Quando se vai para uma guerra; sabe-se primeiramente que civis morrerão.

Isso é um fato que torna a guerra algo tão abominável que só é idolatrada pelos que não a conhecem. O verdadeiro soldado; o guerreiro, esse abomina a guerra e ama a paz.

Esse negócio de "ataque cirúrgico"é uma balela tão grande que só engana trouxas e desinformados.

Infelizmente há a guerra e inocentes vão morrer sempre. Seja ela provocada pelos americanos, pelos árabes ou por qualquer outro povo.

Mas, uma coisa é importante também dizer: Quem começou não foram os EUA. O terrorismo só é bom para os líderes dos movimentos. Esses se servem das benesses e das vantagens. Os débeis mentais que os seguem; para esses, só resta a morte e a mutilação.

É fundamental entender que há sempre dois lados de uma verdade. Eleger um ou outro lado como errado; é um equívoco.

Ambos são animais.

 
Às 12/8/08 9:36 PM , Anonymous Luís Henrique disse...

Também vi o filme, e considero-o um panfleto do Departamento de Estado dos EUA.

Veja o pai do garoto, dirige um Mustang, bebe Whiskey, é nitidamente pró-EUA. Consumista, "vive" o "American Way of Life". Não por acaso, possui as melhores falas, acabando por se tornar um "personagem-modelo", tanto para seu filho quanto para a audiência.

A omissão grosseira do apoio sistemático dos EUA aos Talibãs é também muito, mas muito safada.

Hoje tive o (des)prazer de ver um pedaço de outro filme do gênero, dessa vez sobre a revolta Húngara de 1956. Resumo do filme:

CIA = paladinos da liberdade "bonzinhos"
KGB = torturadores "malvados"

Aquela velha bobagem de sempre: maniqueísmo grosseiro, omissões históricas (em mais de 30 minutos de filme, Nágy sequer foi mencionado!). Mas o que mais me incomodou foi a caracterização dos próprios rebeldes húngaros como "animais irracionais", movidos pela vingança! Com isso, o filme passa a mensagem de que apenas os estadunidenses teriam o mínimo de racionalidade e de compromisso com a Justiça. Nem peguei o nome do filme: de tão irritado mudei de canal!

Claro, AMBOS os filmes são recentes, e existem para "disfarçar" as barbaridades que o exército de Bush vêm fazendo no Oriente Médio.

 
Às 14/8/08 12:42 AM , Blogger globaldrigo disse...

Caro Cássio!
Primeiramente, é um prazer conhecê-lo. A propósito, o blog é muito bom,frequentarei mais vezes.
Pois bem, quanto ao filme. Não o assisti, porém, li o livro, é claro que temos de observar certas questões:
O autor, Khaled Hosseini é afegão, porém, reside nos EUA, tal como o personagem principal do filme quando adulto. Assim como o personagem, ele pertencia a uma elite afegã, elite essa que se ocidentalizou (culturalmente falando) antes da década de 1960, assim como oIrã antes do período dos Aiatolás (vencedores de uma disputa que incluia, inclusive setores progressistas Iranianos).
Pois bem, o livro tem como pano de fundo essas questões políticas, e passa a idéia de que tanto a elite (Amir e seu pai), quanto as classes pobres (Hassan) sofreram com o regime talibã e a intervenção soviética. Portanto, se vê um discurso corrente no campo da ficção, o apaziguamento de lutas sociais através de uma coexistencia de diferenças. E a união das classes em torno de um objetivo mais importante, a defesa do status quo em uma concepção orgânica de sociedade.
A história em si, é bacana, não foge muito da linearidade comum à literatura contemporânea, contemplando clichês, como finais surpreendentes, em que o leitor já espera algum tipo de surpresa.
Existem muitas outras questões a serem observadas com atenção, talvez até mais problemáticas. Não quero aqui dizer que o livro tem determinada posição e se mantém nela de forma inerte, porém, existem traços que, ao meu ver, apontam para essas questões. É preciso uma leitura atenta, e uma análise complexa, levando em conta contradições e até mesmo posicionamentos conflituosos.
Nem quero aqui dizer que tudo que eu afirmei realmente está lá. É apenas a minha leitura do conteúdo socio-político do livro.
É isso ae, abraços!

 

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

Links para esta postagem:

Criar um link

<< Página inicial



Free counter and web stats