29 julho 2008

Mercadoria e Capitalismo:

Antes do Capitalismo ser o modo de produção dominante, o consumo ocupava um lugar secundário na vida das pessoas, diria até que ocupava um lugar mais objetivo, o homem consumia apenas o necessário para a sua sobrevivência, tanto no quesito alimentos, quanto no vestuário, móveis e etc.

Com o Capitalismo, no mundo Moderno (pós-Revoluções Burguesas), o consumo passa a ser o fio condutor da economia. Agora tudo é mercadoria e possui um valor.

A finalidade da mercadoria não é a satisfação de uma necessidade humana, até porque antes do capitalismo as necessidades humanas eras satisfeitas, mas sim, a função da mercadoria é a de criar no homem a vontade de consumir e necessidades que até então não existiam e isso é essencial para a manutenção do sistema capitalista, pois tudo passa a ser efêmero e descartável. Por exemplo, a calça deste ano não está mais na moda do próximo, não porque isso seja relevante, mas porque o capitalismo precisa se renovar, criar novos produtos e vontades de consumo.

Deste pequenos, nossas crianças são incentivadas a consumir. O famoso “peça para o papai e para a mamãe este brinquedo da bárbie ou esta roupa da Sandy”. A criança não tem ainda a capacidade de escolha, mas é bombardeada pelo “consuma, consuma e consuma!”.

A guerra moderna não é apenas por territórios e poder, como diria Renato Russo: “a guerra aumenta a produção”. E por falar em guerra, durante a segunda guerra mundial, os estadunidenses não deixaram morrem no imaginário da sua população a vontade de consumir. Não existiam grandes bens de consumo, até porque a industria estava voltada para a guerra, mas a propaganda de “produtos que não existiam” era constante, pois um dia a guerra iria acabar, e a população deveria ir as compras.

Mas o pior mesmo é a mercadoria homem. É, você mesmo, caro leitor. Não pense que você seja algo mais do que isso. Diziam os revolucionários burgueses que agora o homem é livre. Concordo, são livres dos meios de produção que estão em poucas mãos, restando-lhes apenas a possibilidade de vender aquilo que possuem, a força de trabalho e sem o direito de escolher o seu valor, o que o torna um escravo do trabalho. Desde o gerente até a tia da cantina, todos são mercadorias, que se não agradarem mais, serão dispensados e trocados por outras mercadorias melhores ou mais baratas. Como diria Zé Geraldo: “apenas os domingos programados para serem livres/ livres pra pensarem na segunda feira/ quando estariam atrás dos balcões/ cabeças treinadas pra competir/ sementes de toda ambição...”.

5 Comentários:

Às 31/7/08 8:03 AM , Blogger Dorian disse...

Cássio,

O raciocínio desses quadrinhos é torto e tem a intenção de confundir e não de esclarecer.

Aonde entra o empreendedorismo, a visão e a busca de mercado, a administração, a responsabilidade e a liderança? De outro lado, onde está o custo da matéria-prima, do transporte, dos impostos e dos custos da inadimplência e do risco de prejuízo? Tudo isso está embutido no preço final da mercadoria.

Essa idéia pisada e ultrapassada da mais-valia não resiste a lógica. A mão-de-obra é parte do custo e não lucro líquido não remunerado. É por isso que os países comunistas são um desastre econômico e se destacam pelo atraso e pela pobreza que geram.

 
Às 31/7/08 4:46 PM , Blogger Cássio Augusto disse...

é Dorian... pelo menos vc ñ negou que o empregado ñ passa de uma mercadoria descartável!!! ou vai querer me convencer que ele é um "colaborador"??? rsrs

Outro dia em uma empresa aqui de Nova Londrina-PR... vi um cartaz destinado aos empregados que começava assim: "Caros Colaboradores..." confesso que ñ pude deixar que rir!!!

 
Às 31/7/08 4:46 PM , Blogger Cássio Augusto disse...

A não ser que o cartaz continuasse assim... "Caros colaboradores da minha riqueza..." rsrs

 
Às 1/8/08 4:46 PM , Blogger Erika disse...

É... mercadorias. E baratas.

Gostei muito desse espaço aqui. Volto sempre! Parabéns, Cássio.

Um abraço,

Erika

www.reticenciasatitude.blogspot.com

 
Às 12/8/08 9:48 PM , Anonymous Luís Henrique disse...

Nesses "outros custos" que o Dórian apontou, ou seja, os custos da matéria-prima, do transporte, enfim, nesses custos que o proprietário das máquinas paga TAMBÉM está "embutida" a mais-valia... da força de trabalho empregada pelos OUTROS capitalistas, digo, "empreendedores"!

:)

 

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