24 julho 2008

Criminalidade e Luta de Classes:


Já dizia o Tio Marx, que a história de todas as sociedades até hoje é a história da luta de classes. Pois bem, por mais que alguns ideólogos do neoliberalismo preguem o “fim da história”, o “não há alternativas” e que isso de “luta de classes” é coisa de comunista jurássico, um simples olhar no Brasil contemporâneo, para ficarmos apenas em nosso país, diz justamente o contrário.

Concordo que não existe mais, se é que algum dia existiu no Brasil, uma luta de classes organizada, pelo menos do lado dos subalternos. Mas a luta de classes é constante no dia-a-dia da sociedade brasileira e se disfarça de várias formas.

Não quero falar do constante discurso das elites, na tentativa de manter o sistema como está, isso é óbvio demais. Quero provocar a reflexão sobre uma forma de luta de classes, rotulada pelas elites, como “desordem”.

A “criminalidade” substitui a rebelião social. As massas não possuem líderes políticos, que ou foram cooptados pela social-democracia, ou pela burocracia parlamentar, ou ainda pelas lutas pragmáticas pós-modernas.

Os chefes das gangues, quadrilhas, bocas-de-fumo e etc são os atuais líderes dos movimentos de contestação ao regime, afinal, só existe violência porque existem contradições sociais. O que os pobres “criminosos” fazem ao roubar é justamente criar seus próprios mecanismos de busca da igualdade social. Pobre também vê TV e tem vontade de possuir todo aquele glamour, mas não tem dinheiro pra isso, e a forma que encontra é a criminalidade, que acaba distribuindo renda e gerando empregos.

Enfim, a criminalidade é crime porque uma lei assim o diz, mas é também uma forma de resistência social, mesmo que desprovida de objetivos de mudança, o que não deixa de ser uma luta de classes, que como toda luta de classe tem como objetivo principal a sobrevivência do ser humano.

6 Comentários:

Às 25/7/08 2:17 PM , Blogger Sr. Burguês disse...

Jonerval, o bandido consciente: http://br.youtube.com/watch?v=H2Q9CRKCu1A

 
Às 25/7/08 5:49 PM , Anonymous Anônimo disse...

Caro Cássio,
Saudações gramscinianas!

Concordo com a idéia de lutas de classes, mas não podemos dizer que:

Os chefes das gangues, quadrilhas, bocas-de-fumo e etc são os atuais líderes dos movimentos de contestação ao regime, afinal, só existe violência porque existem contradições sociais.

Ora, esses caras não querem o fim do regime, querem sua perpetuação, para eles tudo está ótimo. Além disso, na maioria das vezes, os traficantes ou ladrões do colarinho branco, aproveitam-se da pobreza. Infelizmente, como a luta de classes se repete, o povo continua a ser manobrado como fora pela burguesia, pela burocracia russa e, finalmente, pelos chefes do tráfico. É obvio que, melhores condições sociais melhorariam os índices de criminalidade, no entanto, os verdadeiros criminosos não têm problemas materiais.

Leandro

 
Às 26/7/08 11:10 AM , Blogger Mauro Sérgio disse...

É evidente que a criminalidade, enquanto fenômeno social, está relacionada à desigualdade, isso ninguém discute.

Contudo, é complicado atribuir aos que são jogados na marginalidade o protagonismo num movimento de contestação ao regime. Primeiro porque eles não têm a menor consciência disso, o que seria fundamental para que eles pudessem conduzir esse processo. Como diz o professor Nilo Batista, todo o crime político. A única diferença entre o criminoso comum e o criminoso político é que o criminoso comum não sabe disso.

Segundo, porque eles já estão tão corrompidos pela ordem capitalista vigente que eles já não conseguem almejar nada que não venha dessa ordem, como grana, status e roupas de grife.

Além disso, por estarem no alto do morro, de armas na mão e sem um discurso articulado, se tornam perfeitamente descartáveis, pois dão ao sistema a desculpa perfeita para, quando se tornarem ameaçadores demais, serem eliminados com a morte ou a prisão.

Essa discussão vai longe.

 
Às 1/8/08 11:18 AM , Blogger Pedro Viana disse...

Se o Comunismo é jurássico, o capitalistmo é o que? Triássico!

Cassio, a violencia desarticulada é apenas uma consequencia da sociedade desorganizada.

Nao discordo de voce que isso possa ter um potencial revolucionario.Mas não passa de um terceiro setor!

Abraço!

 
Às 3/8/08 3:19 PM , Blogger Gabriel Tatagiba disse...

Será que isso é verdade? A maioria dos brasileiros, incluindo aí os pobres, é honesta. Se um direitista falar que pobre é tudo bandido, com certeza seria taxado de preconceituso, e seria mesmo. Agora, nesse texto, você diz exatamente isso. A esquerda tenta fazer de bandidos contestadores sociais, quando na verdade eles que são os opressores em suas comunidades. Agem como verdadeiros ditadores lá. Pode ter certeza: você, que tem educação e é da elite, não faria mal a um favelado, não é? Esses que você diz serem líderes da "resistencia" ameaçam, matam, torturam, etc. justamente essas pessoas do lado das quais voce diz estar.

 
Às 7/8/08 7:18 PM , Blogger Alexander disse...

"Será que isso é verdade? A maioria dos brasileiros, incluindo aí os pobres, é honesta. Se um direitista falar que pobre é tudo bandido, com certeza seria taxado de preconceituso, e seria mesmo. Agora, nesse texto, você diz exatamente isso. A esquerda tenta fazer de bandidos contestadores sociais, quando na verdade eles que são os opressores em suas comunidades. Agem como verdadeiros ditadores lá. Pode ter certeza: você, que tem educação e é da elite, não faria mal a um favelado, não é? Esses que você diz serem líderes da "resistencia" ameaçam, matam, torturam, etc. justamente essas pessoas do lado das quais voce diz estar." [2]

 

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