26 junho 2008

Índios ou Representações?


Quem aqui em tempos de escola primária, nas proximidades do “dia do Índio” não tinha aquelas aulas que nos ensinavam que os índios moravam em “ocas”, usavam arco e flecha, e acabávamos nos pintando sem saber o significado disso, colocávamos uma pena na cabeça e saíamos correndo da escola gritando “uh uh uh uh uh uh”. Com isso o que estamos ensinando para nossas crianças? Como realmente eram os índios ou lhes apresentando tão somente uma representação caricaturada dos mesmos?

Ficamos sempre na idéias de “índios” no genérico, achando que é tudo igual, e deixamos de perceber que existiam várias etnias com diferentes formas de organização social. Pensamo-os como “bons selvagens”, mas esquecemos que tratam-se de sujeitos históricos, que no choque de civilizações foram derrotados, mas não de forma invisível, houve muita resistência.

Temos também a falsa idéia de nomadismo dos indígenas. Achamos que eles ficavam andando o tempo todo. Ledo engano, alguns possuíam até manejo de áreas agricultáveis, e os nômades o eram dentro de uma determinada área e não saiam andando a esmo, até porque, caso passassem pelo território de uma tribo rival seria dizimados.

A cultura indígena não é estática. Nem todos possuíam “pagés” e afins. Alguns até tinham uma espécie de “eleição” para o cargo de líder. Portanto, quando formos nos referir a indígenas, não podemos fazer uma representação folclorizada, mas sim entender as suas especificidades.

Hoje em dia arrisco-me a dizer que não existem mais índios. Pelo menos não como à quinhentos anos atrás. Não podemos querer que as aldeias sejam uma espécie de “jurassic park” prontos para a nossa diversão. Qual o problema deles estarem vestidos com calça jeans e camiseta e com parabólicas nos telhados?

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