05 março 2008

Brasil: uma escravidão por outra.


Em 1888, quando oficialmente a escravidão negra no Brasil, outra escravidão, um pouco mais disfarçada, já era exercida em nosso país: era a excravidão nordestina.

Com apoio oficial e propagandístico do governo federal, estima-se que cerca de meio milhão de nordestinos migraram para a região Amazônica atraídos pela “miragem da borracha” em seu primeiro ciclo. Muitos sequer conseguiram chegar, devido a longa viagem, e aos que venciam esta batalha, lhes esperava os perigos da selva. Se não bastasse isso, o regime de trabalho era muito parecido com uma escravidão, pois o trabalhador já chagava devendo ao seu patrão os custos da viagem, ainda tinham que comprar dele, e somente dele, com preços superfaturados, a sua comida, bebida e utensílios para o trabalho. Os poucos que conseguim se libertar deste ciclo não saiam vívos do seringal (lembra da misisérie?). O segundo ciclo da borracha ocorreu no período da Segunda Guerra, onde mais uma vez com apoio estatal, milhares de nordestinos foram para a Amazônia serem os “soldados da borracha”, mas com o final da Guerra, acabaram esquecidos por lá mesmo.

Se não bastasse isso, na década de 1950 foram também eles, os nordestinos que foram requisitados para construir a nossa capital federal. Termindo o trabalho, foram todos expulsos dos lugares bonitos que contruíram para nossos burocratas e vivem no cinturaõ de miséria que que constitui as cidades satélite.

Ah! Não podemos nos esquecer que também foram eles, os nordestino que, com seus braços, ergueram a cidade de São Paulo (lembra da música “Cidadão”?), mas que hoje vivem em sitação de miséria e criminalidade forçada nas favelas, guetos e viadutos da capital paulista.

Na escravidão negra, os africanos trabalhavam para manter os lucros e os luxos de poucas pessoas. Na escravidão nordestina a coisa não é muito diferente, afinal, na Manaus da borracha, os magnatas (Senhores de Engenho?) edificaram verdadeiras mansões, bem decoradas, esposas vestindo a última moda de Paris, filhos na Europa e etc. Na Brasília hoje considerada uma maravilha arquitetônica (e realmente o é!) nossos representantes sequer se lembram do povo que a construiu. Na São Paulo que não para, os grandes escritórios com gente engravatada sequer tem tempo de pensar nos menos favorecidos, a não ser quando a violência bate à porta, quando então reclamam e criam algums programas de responsabilidade social (veja o filme “Quanto vale ou é por quilo?”).

1 Comentários:

Às 8/3/08 2:06 AM , Anonymous Arthurius Maximus disse...

Sem mencionar que a manutenção de um escravo, custava ao senhor em média 1500,00 reais (de hoje) mensalmente. Já um trabalhador...

A verdade é que o excesso de mão-de-obra faz com que empresários gananciosos deitem e rolem oferecendo salários pífios e exigindo qualificações estratosféricas. enquanto isso, o governo finge simplesmente ignorar o fato.

 

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