28 março 2008

América Latina e Terrorismo:


Uma idéia importante, que passou desapercebido por muitas pessoas quando da invasão da Colômbia ao território do Equador para matar pessoas ligadas às FARC, é que, a partir de agora, a América Latina entra no rol do “eixo do mal” e na guerra implantada pela “polícia do mundo”, supostamente contra o Terrorismo.

Já não é de hoje que os EUA não são tão hegemônicos no continente latino, a política do big-stick já não funciona como outrora e a política da boa vizinhança idem. Então, os estadunidenses precisam inventar outra estratégia para voltar a ter influência no seu “quintal”.

O aliado principal da vez é o narcotraficante (isso mesmo, narcotraficante, latifundiário, assassino e etc...) Álvaro Uribe, atual presidente da Colômbia. A Colômbia não quer acabar com as FARC. Por que? Simplesmente porque a existência das FARC gera votos, gera apoio militar estadunidense, muda o foco da política e etc...

Não é a toa que os EUA estão com medo de uma vitória do ex-bispo Fernando Lugo no Paraguai; que Condolezza Rice esteve no Brasil e no Chile em busca de “apoio” na “guerra contra o terror” na América Latina. Pelo menos no Brasil a única coisa que conseguiu foi uma dancinha com Gilberto Gil e uma entrevista no Fantástico. Ainda bem que nosso Ministério das Relações Exteriores já não é tão subordinado pelos “irmãos do norte” como outrora.

26 março 2008

Liberalismo e Democracia:


Os defensores do modelo liberal, insistem em bater no peito e dizer que são os criadores e maiores defensores da Democracia. Grande mentira. Basta vermos o fácil exemplo dos nossos atuais Democratas, que eram PFL, que foram PDS, que surgiu da ARENA, o partido de sustentação do Regime Militar.

Como já falamos, o liberalismo nasceu para destruir o sistema absolutista, e de fato conseguiu, era necessária uma nova forma de governo que desse sustentação ao capitalismo, até porque este não é algo espontâneo, então, como uma das bandeiras da Revolução Burguesa era a descentralização do poder, esta foi feita e criou-se uma espécie de “governo representativo popular”.

No ideário liberal, somente era considerado povo os proprietários, ou seja, uma minoria de brancos comerciantes e fazendeiros, o restante da população, os operários, as mulheres e os negros não podiam participar deste governo representativo do povo, logo, a descentralização do poder era feita em favor de uns poucos privilegiados. Cadê a Igualdade?

Sabiam os liberais de outrora, e de hoje também, que a Democracia é perigosa, pois “como os proprietários são em menor número do que os não proprietários, ao se permitir o governo da maioria, permitir-se-ia a essa maioria decidir sobre a propriedade da minoria, o que constituiria um atentado aos direitos individuais desta. A conceção liberal dos direitos do indivíduo implica a negação dos direitos da maioria dos indivíduos” (Jorge Luis Acanda “Sociedade Civil e Hegemonia”).

Mas o povo se rebelava, e exigia novas formas de governo e de representação, então, em meados do século XIX o conceito de Democracia ganha novas interpretações, sumindo a ideia original baseada na igualdade e no poder da maioria, e assumindo um caráter apenas formal, teórico e de papel.

É pela radicalização, pela volta às origens do conceito de Democracia que lutamos, nós, rotulados de “vermelhinhos” queremos uma Democracia plena de direitos, de igualdades, de fraternidade e sim, de liberdade e não esta que aí está, que se resume apenas em falar e se votar e ser votado, ainda assim, com grandes limitações legais.

25 março 2008

Voltando ao Blog...


Como puderam perceber, estive ausente do mundo blogueiro por alguns dias. Isso se deveu ao fato de que participei do X EREH SUL, Encontro dos Estudantes de História da Região Sul do Brasil, realizado na cidade de Pinhais, região metropolitana de Curitiba.

Como todo evento de história, este também foi muito bom. O primeiro feito por e para estudantes que eu participei. Estavam presentes cerca de trezendos acadêmicos e a troca de expereiências, novas amizades, risadas e festas ficarão para sempre. Inesquecível foi a apresentação de um grupo de Maracatú.

Tivemos palestras sobre a América Latina Contemporânea com Emir Sader e Osvaldo Coggiola. Nos grupos de discussão debatemos sobre os Movimentos Sociais, o Ensino da História, a Regulamentação da Profissão e claro, sobre o Movimento Estudantil como um todo. Aliás, as anotações renderão alguns posts neste Blog.

Mas o mais interessante pra mim foi que pela primeira vez apresentei um trabalho/comunicação. Falei sobre a minha pesquisa em Gramsci e sua recepção pela Esquerda Latinoamericana. Depois, pude trocar algumas idéias e informações muito valiosas e que vão enriquecer meu trabalho.
Resumo: A presente comunicação tem como objetivo apresentar parte dos resultados obtidos na pesquisa sobre o itinerário da recepção da obra do italiano Antonio Gramsci na América Latina, a partir de três aspectos: 1) como a sua experiência como militante comunista foi percebida por alguns autores latino americanos; 2) Como suas teorias revolucionárias foram pensadas para o contexto latino americano; 3) Como seus conceitos foram apreendidos e/ou reformulados para o referido contexto. Com isso, buscamos como resultado uma maior compreensão sobre as interpretações feitas no decorrer do século XX sobre a vida e obra gramsciana em nosso continente.

Palavras-chave: Gramsci. História. Recepção. América Latina.

17 março 2008

O que é a Globalização?


O mundo vive a era da globalização. Propagandeiam nossos veículos de comunicação, de forma subliminar, que não existe mais essa coisa de potência imperialista e que o comércio mundial está globalizado e todos podem, devem e vão receber os louros deste progresso e etc... pois bem, será isso verdade? Vamos problematizar um pouco o assunto.

Primeiro, os simpatizantes da “ordem global”, a defendem como o último degrau da evolução histórica. Segundo, que estava evolução é um “processo natural” e irreverssível. Terceiro, que agora existem liberdade e igualdade para todas as nações comercializarem seus produtos. Quarto, o comércio extiguiria a corrida bélica e as guerras. Quem defende isso deve ter muito óleo de peróba estocado em cara para poder passar na cara todos os dias.

Respondendo: Primeiro, a “globalização” não passa de mais um degrau na ordem imperialista. Segundo, sua evolução não é nada natural, mas sim, fruto de um processo bem organizado e que atua na defesa dos interesses de alguns poucos grupos. Terceiro, pode até existir um sistema financeiro internacional, no entanto, diversas barreiras alfandegárias e subsídios agrícolas, impedem que os países periféricos atinjam determinados comércios. Quarto, Iraque e Afeganistão desmentem o utopia do fim das guerras. Nas palavras de Atilio A. Boron: “longe de diluir o imperialismo numa espécie de império benévolo, inócuo e inofensivo, a globalização causou, pelo contrário, uma radicalização dos traçoes tradicionais do imperialismo, reforçando extraordinariamente sua natureza genocida e predatória”.

Tios Marx e Engels, já açertaram no famosos Manifesto, que o capitalismo se revoluciona incessantemente. Pois bem, ao invés do Império estadunidense usar os seus marines e helicópteros, hoje eles possuem algumas ferramentas mais eficazes, como por exemplo o FMI, Banco Mundial e a OMC, bem como democracias dóceis de políticos corruptos, meios de comunicação e propaganda “pelegos” e uma sociedade civil desorganizada e desestimuladas.

Assim, não devemos nos deixar enganar por um discurso hegemônico, pois a globalização continua sendo imperialista, apesar de algumas transformações que não mudam a sua essência de ser, isto é, um meio eficaz de dominação e exploração dos países periféricos e das classes subalternas.

Obs: Texto inspirado no artigo “Hegemonia e Imperialismo no Sistema Internacional” de Atílio A. Boron.

13 março 2008

O que é ser de Esquerda?


Por vezes nos supreendemos com definições que se encaixam perfeitamente naquilo que pensamos e falamos, e o texto abaixo é um deles.

“O que é ser de esquerda? (...) hoje em dia, a mais aceita nos meios de intelectuais e acadêmicos é de que ‘esquerdistas’ são os partidários da melhoria das condições de vida da maioria da população, enquanto ‘direitistas’ são os partidários da conservação dos privilégios das elites tradicionais. No entanto, acredito que ser de ‘esquerda’ vai muinto além disso. Vai muito além de uma definição acadêmica que pode ser difinida numa roda de intelectuais. Para mim, ser de ‘esquerda’ é amor. Amor ao próximo, ao distante, ao que nunca viu. Vai muito além de usar a camiseta do Che Guevara, escutar Geraldo Vandré, deixar a barba crescer. Ser de ‘esquerda’ é um estado de espírito. È a inquietude, o sino que toca nos corações dos mais velhos aos mais jovens clamando por uma melhoria nas condições de vida dos oprimidos. Mas principalmente ser de ‘esquerda’ significa vontade. É dar tudo de si em cada tarefa que executa para o bem do próximo, é se dedicar de corpo e alma à libertação do spovos, é sempre se perguntar se está fazendo o suficiente. È entender que a nossa história precisa de heróis e sem pestanejar habilitar-se para o cargo. È entender que sua vida não tem sentido outro senão o de fazer desta Terra a pátria do homem...

Por Thiago Ávila, publicado na Revista Caros Amigos, ano XI, número 121, Abril de 2007.

11 março 2008

Crise na América do Sul:


O assunto já acabou, e relutei ao máximo em fazer um post para comentá-lo. A América do Sul esteve à beira de uma guerra, devido à um ato criminoso orquestrado, financiado e apoiado pela Casa Branca. Ao atirar, com tecnologia estadunidense, no território do Equador, a Colômbia simplesmente rasgou todos os princípios do Direito Internacional e colocou toda a região em alerta máximo. Pelo visto, nossos irmãos do norte estão fazendo escola, e seu lacaio do momento é Álvaro Uribe, que deve ter tirado nota 10,0 na disciplina de Direito Internacional ministrada por Donald Rumsfeld.

Não me prolongarei no assunto, até porque muita coisa já foi escrita. Portanto, sugiro o bom texto do companheiro bloqueiro Omar em seu Formador de Opinião. Vale a pena a leitura. Indico ainda um texto meu postado ano passado sobre a Colômbia.

08 março 2008

Quem são os Liberais?


Hoje em dia é difícil rotular posições, bem como conceituar expressões como: liberal, socialista, comunista, direita, esquerda e etc, devido à multiplicidade de formas que tais possuem, algumas até antagônicas. O termo liberalismo, por exemplo, já foi usado por teorias subversivas e conservadoras, Estados liberais surgiram de revoluções e outros foram implantados ditatorialmente para elimiar uma possível revolução.

Possivelmente, a primeira vez que o termo “liberal” foi utilizado, o era para indicar uma atitude aberta, tolerante e generosa, bem como uma forma de encarar a realidade de forma crítica e racional, ser liberal era ser uma livre-pensador contra os dogmas da Igreja Católica. Isso era ser revolucionário no século XVI e XVII. Lógico que, pessoas que pensam contra a ordem estabelecida, só podem ser perseguidos, assassinados, caluniados como comedores de criancinhas e chamados se subversivos.

A ordem estabelecida à época era a do sistema Feudal, baseado no poder Absolutista do Rei e dos senhores donos dos Feudos, apoiados pela Igreja. Os comerciantes que viviam nos burgos (cidades), cujos negócios cresciam devido à expansão mercantilista, não mais aceitavam esta forma de Poder e de Estado, logo, foi feita uma Revolução para suberver a ordem e permitir que os burgueses pudessem desfrutar do poder e estabelecer a sua ordem.

Assim, atuais sistemas político e econômico da Inglaterra, Estados Unidos e França, foram na sua raiz, implantados depois de muito derramamento de sangue, os contrários foram todos mortos, os acusados de traição idem, “el paredon” é invenção deles.

Uma vez ganho o poder, é necessário mantê-lo, certo? Então os Liberais de outrora tornaram-se Conservadores de agora. A Filosofia Liberal deixou de ter importância e foi resumida a meros chavões e palavras sem sentido: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Liberdade para nós burgueses/comerciantes termos mais lucros, Igualdade entre nós burgueses e Fraternidade idem.

E hoje, os Liberais (ou Neo-Liberais – Neo=novo) tentam nos passar a idéia de que o mundo capitalista, por eles implantado, é algo natural. Que a propriedade privada, por eles inventada, é essencial para a vida humana. Que apenas há felicidade ao consumir os bens feitos com nossos braços e que dão lucros a eles e etc... Então, quando vem algum grupo de “vermelhinhos” querer contestar a ordem, são tratados com subversivos e etc... Como diz Atílio Boron “graças à alquimia da globalização neoliberal, as vítimas se transformam em algozes”. Apesar de alguns insistirem em negar ou esconder, a ordem capitalista/liberal é fruto de uma Revolução, e para mudá-la, precisamos de outra Revolução!

05 março 2008

Brasil: uma escravidão por outra.


Em 1888, quando oficialmente a escravidão negra no Brasil, outra escravidão, um pouco mais disfarçada, já era exercida em nosso país: era a excravidão nordestina.

Com apoio oficial e propagandístico do governo federal, estima-se que cerca de meio milhão de nordestinos migraram para a região Amazônica atraídos pela “miragem da borracha” em seu primeiro ciclo. Muitos sequer conseguiram chegar, devido a longa viagem, e aos que venciam esta batalha, lhes esperava os perigos da selva. Se não bastasse isso, o regime de trabalho era muito parecido com uma escravidão, pois o trabalhador já chagava devendo ao seu patrão os custos da viagem, ainda tinham que comprar dele, e somente dele, com preços superfaturados, a sua comida, bebida e utensílios para o trabalho. Os poucos que conseguim se libertar deste ciclo não saiam vívos do seringal (lembra da misisérie?). O segundo ciclo da borracha ocorreu no período da Segunda Guerra, onde mais uma vez com apoio estatal, milhares de nordestinos foram para a Amazônia serem os “soldados da borracha”, mas com o final da Guerra, acabaram esquecidos por lá mesmo.

Se não bastasse isso, na década de 1950 foram também eles, os nordestinos que foram requisitados para construir a nossa capital federal. Termindo o trabalho, foram todos expulsos dos lugares bonitos que contruíram para nossos burocratas e vivem no cinturaõ de miséria que que constitui as cidades satélite.

Ah! Não podemos nos esquecer que também foram eles, os nordestino que, com seus braços, ergueram a cidade de São Paulo (lembra da música “Cidadão”?), mas que hoje vivem em sitação de miséria e criminalidade forçada nas favelas, guetos e viadutos da capital paulista.

Na escravidão negra, os africanos trabalhavam para manter os lucros e os luxos de poucas pessoas. Na escravidão nordestina a coisa não é muito diferente, afinal, na Manaus da borracha, os magnatas (Senhores de Engenho?) edificaram verdadeiras mansões, bem decoradas, esposas vestindo a última moda de Paris, filhos na Europa e etc. Na Brasília hoje considerada uma maravilha arquitetônica (e realmente o é!) nossos representantes sequer se lembram do povo que a construiu. Na São Paulo que não para, os grandes escritórios com gente engravatada sequer tem tempo de pensar nos menos favorecidos, a não ser quando a violência bate à porta, quando então reclamam e criam algums programas de responsabilidade social (veja o filme “Quanto vale ou é por quilo?”).

04 março 2008

Cuba por quem já esteve lá.

Em tempos de maior efervescência blogueira e midiática em geral sobre Cuba e seu líder revolucionário Fidel Castro, somos sempre convidados a ler e também escrever coisas sobre uma realidade que nos chega de forma fragmentada, seja a favor do regime castrista, seja contra. Problema este parcialmente resolvido. O Blog do Prof. Toni está publicando uma série de textos sobre a sua visita à Cuba. Vale a pena a leitura.



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