29 fevereiro 2008

A Solução é alugar o Brasil?


Me desculpem os fãs de Raul (rol do qual me incluo), mas a solução para os nossos problemas não é alugar o Brasil. Por quê? Simplesmente porque o Brasil nunca foi nosso, sempre alugamos nossas terras e mão-de-obra para os interesses das grandes nações (leia-se imperialismo). Foi assim desde o início da colonização. Não vou entrar em detalhes, o assunto aqui é outro.

A nossa Amazônia está sendo detruída. Isso todo o mundo sabe e vê. As árvores que já foram consideradas “o pulmão do mundo”, agora sucumbem diante da fome por lucros dos madeireiros, dos plantadores de soja e criadores de gado. Mas tem outro fator preocupante na Amazônia, o roubo de tecnologia.

Cientistas japoneses, estadunidenses e ingleses, em sua grande maioria, com a ajuda de algumas comunidades indígenas, já ocuparam grande parte do território de Roraima (é, temos um Estado da federação que se chama Roraima) e lá tem retirado ilegal e clandestinamente, diversas ervas, frutas, raizes e plantas que estão sendo patenteadas no exterior. Isso significa que nós brasileiros teremos que pagar royalts, por exemplo, ao tomar um suco de cupuaçú ou açaí.

Aliás, essa não é a primeira vez que isso ocorre. O Brasil já teve o ciclo da Borracha (lembra da minisérie Amazônia?). Em 1873, o inglês Henry Wickham, que possuia terras nos margens do Rio Tapajós de onde se extraía o látex da seringueira, recebeu uma ordem do diretor do Jardim de Kew, em Londres, para conseguir uma enorme quantidade de sementes da planta. Então, um navio inglês veio buscar a encomenda. No entanto, as autoridades brasileiras exerciam forte fiscalização contra a evasão de sementes. Qual foi a solução encontrada por Henri? Ofereceu um banquete aos fiscais brasileiros e os convenceu de que estaria transportando inocentes horquídeas para enfeitar o palácio real de Londres. O resultado disso tudo? Nas palavras de Eduardo Galeano “quarenta anos mais tarde, os ingleses invadiram o mercado mundial com a borracha malaia [produzida na Malasia]. As plantações asiáticas, racionalmente organizadas a partir dos brotos verdes de Kew, desbancaram sem dificuldade a produção extrativa do Brasil”.

O tempo passa e a história se repete.

3 Comentários:

Às 29/2/08 4:22 PM , Blogger MUTUMUTUM disse...

Na verdade, o Brasil nunca foi alugado... sempre foi dado de mão beijada às grandes nações mesmo...

Tristeza, viu? Um país tão lindão como o nosso, não serve nem pra ser alugado mais...

Abraços

 
Às 2/3/08 7:32 AM , Blogger Dorian disse...

Cássio,

Não somos vítimas do "imperialismo". Somos vítimas da corrupção e do oportunismo. O governo precisa agir para evitar o roubo de nossos recursos naturais que no futuro nos farão bastante falta tanto no aspecto econômico como no da soberania. É preciso prender e punir qualquer estrangeiro e/ou brasileiro envolvido nesse tipo de crime.

No lugar de ter um "aspone" como o Marco Aurélio Garcia dando verniz de credibilidade a terroristas, o governo deveria voltar a atenção para essa verdadeira dilapidação de nossas (exclusivas) riquezas.

 
Às 2/3/08 6:32 PM , Blogger Prof Toni disse...

Cássio, acho que foi você que sugeriu, estou publicando o texto que fiz quando visitei Cuba em 1997. Está no blog, em pedaços. Abração.

 

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