29 janeiro 2008

Mídia e Febre Amarela:


Recebi um interessante e-mail da companheira Auriluz Pires Siqueira, aliás, como todos que ela encaminha, mas desta vez o assunto era de como a mídia brasileira vê, tratando da Febre Amarela no Brasil e alardeando em rede nacional que estamos diante de uma epidemia.

Pois bem, estava relutando em escrever sobre o tema, afinal, não sou da área médica, mas venho acompanhando as notícias no jornal e o pânico que está gerando na população brasileira, a corrida aos postos de vacinação, até outro dia uma pessoa tinha morrido por excesso de vacinas, foram três, morte esta que deve ser creditada na conta da mídia.

Tenho visto com desconfiança o alarde, e penso que está-se brincando com saúde para fazer politicagem barata contra o Governo, querendo que o mesmo seja responsabilizado por estas mortes, no entanto, esquece-se de dizer que a culpa principal é da população que não se vacina, não se previne, como no caso da dengue, aqui na minha região, por ser fronteira, as estradas sempre tiveram placas informando para caso você pretenda viajar para o Mato Grosso, região de muita mata e portanto propícia para a Febre Amarela, deve antes procurar um posto de saúde e se vacinar.

Outra coisa, fala-se em epidemia, até parece que o Brasil todo está prestes a contrair a doença, no entanto, parece que foram pouco mais de dez casos, numa população de quase duzentos milhões de habitantes. Para os profissionais da saúde, epidemia é quando ocorre um aumento de duas vezes no número médio de casos, portanto, você sabe quantos casos o Brasil teve ano passado? Pois é, a TV nunca falou né! Mas não tem problema, o e-mail recebido traz os números:

2004 - 5 casos e 3 mortes
2005 - 3 casos e 3 mortes
2006 - 2 casos e 2 mortes
2007 - 6 casos e 5 mortes

Interessante é que em 2003 foram diagnosticados 64 casos, dos quais 58 no estado de Minas Gerais, governado pelo queridinho da mídia Aécio Neves do PSDB, e tivemos no país 22 mortes. Alguém lembra da TV falar que estávamos diante de uma epidemia? É que este ano não tivemos ainda uma grande tragédia para vender jornal, mas isso logo passa, o carnaval está chegando!

26 janeiro 2008

Férias...


Férias na faculdade é bom, sobra mais tempo para os amigos, para a família, as festas, além é claro de recuperar o sono perdido durante o ano, isso se você não faz faculdade de História, porque se fizer as suas férias não serão tão relaxantes assim.

Estou fazendo uma Iniciação Científica na Faculdade sobre os comentadores de Gramsci, seus principais conceitos, e a recepção de suas idéias no Brasil e na América Latina, assim, estou às voltas com algumas dezenas de livros e artigos, que têm tomado boa parte do meu tempo.

Mas as vezes sobre um espaço para outras leituras que gostaria de aqui compartilhar e tentar aguçar um pouco o interesse de vocês. Primeiro o livro “Pedagogia da Autonomia” de Paulo Freire, essencial não apenas para professores, mas também para pais e alunos.

Mas férias também é tempo para “leituras panfletárias”, então, o belo “As veias abertas da América Latina” por Eduardo Galeano é leitura obrigatória! E o mais legal é que estou descobrindo o peruano José Carlos Mariategui e seu livro “Por um socialismo indo-americano”. Por fim, um texto um pouco mais acadêmico do cubano Jorge Luiz Acanda, chamado “Sociedade Civil e Hegemonia”.

E o que você tem feito nas férias?

22 janeiro 2008

Notas sobre a Independência de Cuba:


Assim como o Panamá, a independência cubana foi influenciada por interesses estadunidenses. A ilha era uma grande produtora de açúcar e com forte influência da Inglaterra que comercializava este produto. A economia era baseada na mão-de-obra escrava, não é a toa que Cuba foi o último país das Américas a abolir a escravidão.

José Marti foi o grande impulsionador do ideal de independência da ilha, mas morreu em uma embosca antes de ver seu sonho concretizado.

Na época da independência, os EUA já tinham grande ingerência sobre a ilha, lembramos que isso já é por volta de fins do século XIX. Os ianques são os principais compradores do açúcar produzido na ilha e incentivam a população à revolta contra a Espanha.

Algumas revoltas ecoam na ilha e todos os poderosos perdem. “a oligarquia açucareira, os mercadores que comercializavam o produto e os Estados Unidos, o grande mercado. Resta apenas uma coisa: a intervenção da grande potência norte-americana. Em 25 de novembro de 1897 um decreto da Coroa espanhola outorga-lhe a autonomia e o país tem o seu primeiro governo próprio, cubano. E logo depois, a 1º de janeiro de 1899, a bandeira espanhola que já havia sido arriada é substituída pela norte-americana. Um governo militar presidido pelo general William Ludlow ocupa o lugar dos antigos dominadores” (POMER, 1981, pg.63).

Portanto, podemos notar que o sentimento estadunidense de que Cuba é sua ilha de férias não é de hoje mais sim fruto de um processo histórico, o que explica a política de Big Stick, a emenda Platt, a invasão da Baía dos Porcos, o embargo econômico e principalmente a sede pela morte do Comandante Fidel Castro.

Referência:

POMER, Leon. As Independências na América Latina. São Paulo: Editora Brasiliense, 1981.

17 janeiro 2008

A cruzada da humanidade em busca da felicidade


O Filme de Charles Chaplin foi lançado no ano de 1936, ou seja, época posterior à quebra da Bolsa de Valores de Nova York, período conhecido como “grande depressão”, marcado pelo desemprego em massa da população e diminuição da produção industrial, fechamento de fábrica, falências e etc. “Tempos Modernos” é uma crítica feroz à sociedade capitalista de seu tempo, não é a toa que Chaplin foi perseguido pelo Estado estadunidense acusado de ser comunista.

A Película é fantástica já sem suas primeiras cenas. No início, um grande relógio é mostrado, em uma visível crítica ao modo de produção do “time is money”, em seguida, vários porcos são mostrados numa marcha e a imagem é abruptamente cortada para vários homens entrando na fábrica. Ora, isso é fantástico. Os homens são comparados a porcos, sem vontade, sem esperança, sem saber para onde e porque estão indo.

A crítica contumaz do filme não é apenas sobre o modo de produção fordista, mas sim sobre todo o modo de vida da sociedade burguesa, que gera riqueza para poucos e miséria para muitos. Chaplin é fantástico em sua interpretação. Um filme extremamente crítico mas ao mesmo tempo leve e divertido.

A alienação pelo trabalho é evidente. Nosso anti-herói não consegue se adaptar à rotina na fábrica, com seus movimentos repetidos, mecânicos, sob a pressão do tempo, do capataz e do patrão. Isso sem falar nas trabalhadas do cais, da loja, do café. A linha de produção fordista, sua militarização, funcionários que se estranham e etc, são presença constante no filme. A máquina domina o homem, seu ritmo depende do ritmo da máquina. Tragicômico é a máquina inventada para alimentar o trabalhador enquanto ele trabalha, tudo para aumentar a produção, os lucros, a acumulação de capital, sem pensar na questão do homem. Para sorte dos operários, a máquina é um fracasso, ou seja, a crítica de que nem toda máquina é perfeita.

A repressão aos movimentos operários também é questão no filme. A polícia faz de tudo para manter a “ordem”, prendendo seus supostos líderes comunistas, entre eles Carlitos, bem como matando outros.

Interessante notar a facilidade que nosso anti-herói possui para ser preso. Sinceramente perdi as contas de quantas vezes o vi entrando na viatura da Polícia. Chaplin era um fora da lei. Mas de que lei? Da lei que considera criminoso/bandido aquele que não se adapta ao ritmo de vida que lhe impõem. Na loja um diálogo interessante com os “assaltantes” que o reconhecem da fábrica. “Não somos ladrões! Temos muita fome!”. Vale a reflexão.

A prisão parece agradar nosso herói (ou anti-herói? Papéis indefinidos). Em uma das vezes que é colocado em liberdade, o chefe de polícia diz: “Você é um homem livre!”, ora, mas livre para tão somente voltar à sua vida de miséria, fome, falta de moradia e tentativa de venda da força de trabalho. Não é a toa que Chaplin diz que quer ficar porque gosta do lugar.

O “American way of life” também é objeto de crítica no filme. Enquanto Chaplin e sua companheira descansam sob as sobras de uma árvore, observam um casal aparentemente “classe média”, família feliz, casa mobiliada, sem grande preocupações com a vida, mesa farta, enfim, tudo o que um simples trabalhador sonha. E qual é a decisão que Carlitos toma? Trabalhar para ter uma casa como esta. Oh! Doce ilusão, ainda mais se comparada à casa que a sua companheira encontra, um barraco de pau a pique, caindo aos pedaços e que nossos heróis (decidi. Vou chama-los apenas de heróis, afinal, para viver neste sistema desumano somos todos, heróis.) tem a fantasia de chamar “paraíso”.

Enfim, a crítica contumaz que Chaplin faz em seu filme não se resume ao mundo do trabalho, mas sim e principalmente ao estilo de vida que este mundo possibilita para a classe trabalhadora, sua constante sensação de estranhamento, falta de perspectiva e sonhos eternos de uma vida melhor.

05 janeiro 2008

Retrospectiva 2007:

Com um pouco de atraso, este Blog também entra na onda da grande mídia e fará a sua retrospectiva 2007. Um ano de grandes conquistas para o Blog, aumento considerável do público leitor, várias polêmicas, algumas novas amizades blogueiras, instalação do Google Analytics e etc.

Janeiro foi um mês de muitos comentários e textos polêmicos, começando com a morte de Saddam, a importância do esporte na inclusão social, uma reflexão sobre as concessões de rádio e TV, uma contextualização do Oriente Médio e da América Latina, o discurso da Veja sobre o MST e encerrando com um texto bem comentado sobre violência.

Fevereiro começa a utilização de imagens no Blog, foi quando aprendi a usar melhor este recurso. Já começa a mês com um texto sobre Chávez, seguido de uma grande polêmica com setores da nossa elite, ainda comentamos sobre a possibilidade da Copa de 2014 no Brasil e o carnaval, mas com certeza tivemos neste mês alguns dos textos mais comentados, sobre o BBB e a Redução da Maioridade Penal, em dois momento, por fim, ainda saudamos a criação dos DEMOcratas e a nossa pobre classe média.

Março começou continuando o debate sobre a Lei Penal, a TV do Executivo e a manipulação da mídia, além é claro dos assuntos da época, a visita do Bush, e Álcool Combustível e os documentos do Regime Militar. Ainda tivemos polêmicas com o cristianismo e a URSS, bem como sobre a fidelidade partidária.

Abril é o mês de aniversário do Blog, completamos um ano de muitas alegrias. O primeiro post foi sobre o apagão aéreo, depois várias polêmicas com nossa direita, primeiro sobre Gramsci, depois o muro dividindo EUA e o México, Maquiavel, Democracia e Invasão Cultural, além é claro de um desabafo meu sobre o que é ser revolucionário. Por fim ainda comentamos mais uma vez sobre o Álcool Combustível.

Maio foi o mês da visita do nosso santo padre o Papa, e rendeu dois posts sobre o tema, mas começamos falando polemicamente sobre Educação, até mesmo comparando-a com Atenas, além da Redução da Maioridade Penal, TV Pública, Bingos e Movimento Estudantil, fechando com chave de ouro um texto sobre o que é ser comunista.

Junho foi mais tranqüilo em termos de grandes polêmicas, tivemos apenas uma sobre a abolição da escravidão e um texto sobre a Guerra do Iraque, mas destacamos também um texto em repúdio a forma com que a Rede Globo tratou Kaká, bem como um outro saudando as operações da Polícia Federal, por fim, dois textos tratando a questão dos homossexuais, um sobre a Parada Gay, outro sobre o polêmico caso Richarlyson.

Julho começou com uma carta aberta a Renan Calheiros, mais um debate sobre o Álcool Combustível, e claro, talvez o assunto preferido deste Blog, nossa mídia e sua forma de decidir o que é notícia, encerrando com textos sobre o império estadunidense, um sobre sua relação com Cuba e outro sobre a Invasão do Iraque.

Agosto foi um mês bem produtivo no quesito discussão. Começamos com a eterna polêmica sobre Cuba, passando por um texto muito comentado sobre os preconceitos da nossa direita/elite/burguesia, além do plebiscito da Vale do Rio Doce, o movimento “cansei” e o fechamento da RCTV.

Setembro começou com uma reflexão importante sobre os rumos do PT, passando por um debate sobre corrupção, a independência e nossa relação com Deus, um texto propondo a escola em tempo integral, outro desmascarando a eugenia, outro o discurso demagógico contra a CPMF, bem como um comentário sobre o excelente documentário Sonho Tcheco. A polêmica ficou por conta do post sobre a questão dos livros didáticos e um debate com o blogueiro Dorian.

Outubro voltamos a debater a mídia, a América Latina, além de posts sobre a história da Colômbia e da Guatemala. A controvérsia maior ficou por conta de um texto sobre o MST e a Educação, mas também destacamos um sobre os jesuítas e outro com homenagem ao nosso gênio Oscar Niemeyer.

Novembro foi mais produtivo, já começamos saudando o novo cinema nacional, em seguida apresentando o perfil da nossa direita nas pessoas de ACM e Bornhausen, além de continuar o debate sobre o MST e a Educação, sem falar nos comentários sobre o filme Tropa de Elite, a “independência” do Panamá e nosso IDH. Mas o debate maior ocorreu é claro quando tratamos sobre Hugo Chávez e seu plebiscito, além é claro da atitude de nossa oposição golpista.

Dezembro continuamos o debate sobre Democracia, comentamos o caos da França e Sarkozy, além de desmascarar o Imperialismo Ianque e a forma de pensar da nossa Direita brasileira, por fim, nossa bela mensagem de natal e a última polêmica do ano que ocorreu na Fafipa.

Enfim, 2007 foi bom, mas passou, e cabe a nós continuarmos 2008 na luta, na nossa atitude de “guerrilha internética”, numa “guerra de posições” longa e difícil. Quero aproveitar também para saltar todos os leitores e companheiros blogueiros e desejar um novo ano de muitos textos para todos nós, mas sem perder a ternura, jamais! Ah, e preciso de um Layout novo, alguém se habilita?



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