09 dezembro 2007

Imperialismo Ianque existe?


Mas é claro que existe! Aqueles que ainda o tentam negar ou são cegos ou são muito desonestos, basta lembrarmos da participação dos estadunidenses nas diversas ditaduras liberais da América, das bases militares nos quatro cantos do mundo, e na recente empreitada mundial pela garantia da democracia contra o “eixo do mal”, mascarando o verdadeiro interesse pelo controle da hegemonia mundial e garantia dos interesses de seus conglomerados econômicos.

No final do século XIX os Estados Unidos iniciam a sua expansão pelo mundo, e como a América do Sul era controlada pelos ingleses, seus primeiros rivais mundiais, a América Central foi escolhida para receber capitais e influências estadunidenses, nascia aqui o grande quintal ianque.

Grandes empresas passaram a comprar terras na América Central, compunham com a elite e exploravam a mão de obra pobre e predominantemente indígena. Os lucros exorbitantes eram remetidos aos EUA. Simples não? Qualquer semelhança com as multinacionais de hoje não é mera coincidência...

Mas existiam protestos, a massa de explorados também se organiza, cria suas formas de resistência, faz greves, quebra as máquinas, reivindica melhores salários, existem os “vermelhinhos” que pregam justiça social e etc... Quando a coisa apertava vinha a política do “Big Stick”.

“Big Stick”, ou o “grande porrete”. Os EUA enviavam à América Central seus fuzileiros navais para “garantir a ordem”. Por exemplo, quando um governo resolvesse taxar tais empresas, logo vinham os Marines e mudavam o governo. Fácil né? Qualquer semelhança com João Goulart e Salvador Allende e muitos outros não é mera coincidência.

Temos ainda a “doutrina Monroe”. Em 1823, o presidente estadunidense James Monroe falou a famosa frase: “A América para os americanos”. Poético isso não é mesmo? Nem tanto. No fundo quer dizer que o continente América é dos americanos dos Estados Unidos da América. A partir deste dia os povos da América não mais são chamados de americanos, que virou termo para designar apenas aqueles nascidos nos EUA. Somos qualquer coisa, mas americanos são apenas eles, os estadunidenses.

Entendeu? Ao contrário do que os “neo-liberais” pregam, não vivemos um eterno presente desprovido de significados. Tudo o que acontece na nossa vida é fruto de um processo histórico, ou seja, “as coisas não são assim porque assim é que devem ser”, as coisas são assim porque alguém um dia as fez serem assim, logo, nós podemos mudar as coisas e fazer um mundo melhor e etc...

9 Comentários:

Às 9/12/07 12:16 PM , Anonymous Fernando Soares Campos disse...

"Tudo o que acontece na nossa vida � fruto de um processo hist�rico, ou seja, �as coisas n�o s�o assim porque assim � que devem ser�, as coisas s�o assim porque algu�m um dia as fez serem assim, logo, n�s podemos mudar as coisas e fazer um mundo melhor..."

Um forte abra�o.
Fernando

.

 
Às 9/12/07 3:15 PM , Blogger Arthurius Maximus disse...

Concordo. o Imperialismo Americano existe e é paupável. Principalmente na Era Bush. Onde os rapapés e salamaleques foram abandonados e o "pau come" literalmente. Contudo, não há como negar que sendo a maior potência militar e econômica do planeta, esse comportamento seja natural. Afinal, até nós já fomos acusados de imperialistas por nossos vizinhos miseráveis do continente. É a política da botina em detrimento de uma postura humanista que seria bem mais benéfica aos EUA e ao mundo todo.

 
Às 10/12/07 11:04 AM , Blogger vagner disse...

Que o imperialismo existe isso é evidente, ótima reflexão.
São anos de dominação na base da força, somos controlados pela maior potência bélica do mundo, mas, "nós podemos mudar as coisas e fazer um mundo melhor..." será que alguém tem alguma sugestão de como fazer isso?
Sou estudante de Ciências Sociais com a matrícula trancada, ( UEL ) e quando não estou vendendo minha força de trabalho para o Capital, contribuo com aulas de Geopolítica em um cursinho popular na vila brasilândia, periferia de São Paulo, sempre acreditei que a educação que levasse à uma consciência de nossa situação de explorados poderia ser o começo de uma transformação nas relações sociais, mas cara o negócio ta cada vez mais feio, então continuo com a pergunta, alguém tem uma sugestão de como faremos um mundo melhor?
Vagner-subsolo

 
Às 10/12/07 1:26 PM , Blogger João Carlos disse...

Vagner, quando vc diz que a educação deve levar a consciêntização da condição de explorado, por acaso não estaria doutrinando seus alunos a terem a mesma visão de mundo que você tem, ou melhor dizendo, passando aos alunos uma unica visão de mundo sem um dialogo com outros pontos de vista? Não seria melhor, mais ético, ao invés de passar para eles suas próprias conclusões acabadas, despertar uma mentalidade filosófica que os permita por si só tirarem suas próprias conclusões do mundo, sejam elas iguais, aprecidas ou mesmo completamente contrarias a suas próprias?

 
Às 10/12/07 4:58 PM , Blogger vagner disse...

Caro João Carlos, muito bom seu comentário, mas acho que foi feito em um momento inoportuno, em nenhum momento foi sitado que tento impor minha visão de mundo aos meus alunos, e mesmo que eu tentasse acho que seria muito difícil, trabalho com aulas de geopolítica, refletimos sobre acontecimentos sociais, acontecimentos que estão interligados e que estão em movimento e transformação, logo eu mesmo não tenho uma opinião fechada sobre os vários temas, portanto não tenho condições de impor nada a ninguém.
Quando eu digo que acredito que educação pode levar a uma consiência de nossa situação de explorados, não falo de um modelo de educação que tenta impor nada, falo de uma educação reflexiva a qual através dela eu pude ter uma maior clareza de minha situação social, situação de um morador de um dos bairros mais pobres de São Paulo, e agora eu tento compartilhar essas reflexões com meus alunos e insitar novas reflexões.
Vagner-subsolo.blogspot.com

 
Às 10/12/07 10:15 PM , Blogger Dorian disse...

Ruim sermos dominados e sermos "quintal" de um império. Bom que esse império não é a URSS (se a União Soviética tivesse vencido a "guerra fria" com os EUA, não teria se esfacelado).

 
Às 10/12/07 10:54 PM , Blogger Cássio Augusto disse...

Caro Dorian... poderia ter ficado sem este anacronismo heim!!! custa reconhecer o Imperialismo dos EUA??? Eu pelo menos reconheço que na URSS houveram muitas barbaridades!!!

 
Às 11/12/07 12:22 PM , Blogger Dorian disse...

Reconheci e reconheço, tanto que classifiquei como ruim a situação. Mas dos males o menor.

 
Às 12/12/07 1:32 PM , Blogger Marcio disse...

Excelente reflexão Cássio. E gostei do comentário do Dorian também.

Há mais a se falar, por que não cria o "Imperialismo Ianque existe? II" ?

abraços!

http://www.pimentanosolhos.net/

 

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

Links para esta postagem:

Criar um link

<< Página inicial



Free counter and web stats