14 novembro 2007

MST e Educação – parte02


Continuando a reflexão iniciado em outro texto aqui deste Blog sobre MST e Educação, gostaria de desenvolver mais algumas idéias sobre o polêmico tema.

Primeiro que as escolas públicas surgem voltadas apenas para as elites, ou seja, apenas os “filhinhos de papai” do início do século passado é que freqüentavam as escolas no Brasil. Era um ensino hoje considerado como bom, com aulas de arte, francês e filosofia. Quando o ensino se universaliza a qualidade cai, até porque a escola pública passa a servir como um espaço para doutrinação dos filhos dos pobres para o mercado de trabalho, o famoso “qualificado apertador de botões em fábricas multinacionais”, enquanto o filho do rico vai para as escolas particulares.

As escolas camponesas têm que ter um ensino voltado para a sua realidade e necessidade. Os filhos de camponeses que estudam na cidade criam outros valores. A quem isso interessa?

Quando o Pronera leva os filhos dos camponeses à universidade em regime de estudo campo-campus, aqueles que estavam acostumados a serem os “donos do saber” é claro que sentem-se incomodados, afinal de contas, pesquisa científica feita pela classe dominante pode, mas feita pelos subalternos não. Por quê?

Porque às classes dominantes não interessa o acesso à educação de qualidade, à pesquisa, aos clássicos, ao debate e etc... Afinal de contas, corre-se o risco de desmoronar o consenso formado em torno de um Estado que privilegia seus interesses monoculturais, onde a burocracia impede o acesso do pobre, mas não do rico e pregam um Estado mínimo que na prática prejudica os menos favorecidos, enquanto para as elites o Estado é máximo.

6 Comentários:

Às 14/11/07 8:18 PM , Blogger Fellipe Matheus disse...

Dos problemas do Brasil, talvez o mais grave, numa análise a longo prazo, é a elitização da educação.

As escolas devem se adequar à realidade sócio- economica e cultural dos alunos. O maior pilar da democracia é o voto, e, portanto, o povo deve saber votar, para não eleger nunca mais Collor's e 'príncipes dos sociólogos' da vida. O maior papel da escola deveria ser a educação política e a valorização da cultura nacional. Bem diferente do que observamos hoje.

Gostei muito do teu blog. Voltarei sempre.

abraço.

 
Às 16/11/07 12:35 AM , Anonymous Márcio Pimenta disse...

Cássio,

Excelente tema este que você está tratando. De fato, as pessoas acreditam que educação tem que ser a mesma para todos, não percebendo que para realidades diferentes, a educação deve ser diferenciada.

Abraços!

 
Às 16/11/07 8:33 AM , Blogger Dorian disse...

Cássio,
Como você mesmo admite havia a "doutrinação dos filhos dos pobres para o mercado de trabalho" e hoje, qual a doutrinação? A meu ver, e considerando a finalidade da doutrinação, qualificar para o mercado de trabalho é bem mais vantajoso e dignificante do que ser um instrumento, um integrante da massa de manobra de inescrupulosos que querem subjugar a sociedade em nome de um projeto de poder e dominação chamado socialismo. Na "doutrinação" para o mercado, a individualidade e o potencial da pessoa é valorizada. Já na nociva doutrinação dessas escolas e universidades dirigidas, o indivíduo não existe. Ele serve a um "propósito maior" que é continuar pobre e manipulável para que o movimento e seus líderes continuem existindo.

 
Às 17/11/07 1:11 AM , Blogger Mauro Sérgio disse...

Salve Cássio e Salve Dorian.

Dorian, meu caro, você diz que "na "doutrinação" para o mercado, a individualidade e o potencial da pessoa são valorizados".

Bem, gostaria de poder concordar com tuas palavras. O fato é que uma educação concebida sob os ditames do mercado, na maioria das vezes, não leva em conta as aspirações individuais do jovem e tampouco as necessidades reais da sociedade.

Muitos são os casos de jovens com pendor para as ciências humanas que cursarão alguma área tecnológica pura e simplesmente para conseguir uma colocação. E se não o conseguirem, fatalmente serão empurrados para algum trabalho aquém de suas qualificações, o que não contemplará seu potencial ou sua individualidade.

Qualificar para o mercado de trabalho, na maioria das vezes, nada tem de diginificante ou de vantajoso, pois visa a necessidade pontual e imediata das empresas, não respeitando sonhos nem vocações.

 
Às 17/11/07 1:49 AM , Anonymous esquerdista disse...

Cassio vc tergiversou o assunto, vc foi desonesto

A matéria da revista traz a qustao dos cursos especificos para o MST sustentados por dinheiro publico com clara inclinacao ideologico contra o proprio Estado q o está patrocinando

vc misturou alhos com bugalhos apenas para seu proposito

desonesto, isso é o q vc é

 
Às 17/11/07 10:21 AM , Blogger Cássio Augusto disse...

Sabe... penso que desonesto aqui é a Revista Veja!!!

 

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