30 novembro 2007

Onde está o dinheiro?


Foi divulgado estes dias o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento que mede o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos países. Não é a pretensão deste texto caracterizar do que se trata, para isso existe o Wikipédia. Ao ver alguns números que vão sendo divulgados, ficamos numa sensação dúbia de alegria e tristeza.

É bom ver os números que apontam a melhoria do Brasil, que apesar de não ser tão vertiginosa é mesmo real e já vem de alguns anos. Chegamos agora ao índice mínimo aceitável, mas ainda estamos atrás de países como Omã, Trinidad e Tobago, Tonga, Malta, Brunei e Barbados, apenas para ficar nestes exemplos de países sem expressão no cenário comercial e político mundial. Interessante que também estamos atrás de “ditaduras” como Cuba e Líbia.

Melhoramos também nossos índices de alfabetização, sabemos ler, mas nem sempre sabemos interpretar, mas isso é outra coisa, pelo menos nossas crianças estão na escola, nem que seja pela rala merenda. Estamos também vivendo mais, em média 71 anos, apesar que as aposentadorias servem male-mal para pagar os remédios.

Mas o dado que mais me chamou a atenção foi quanto à nossa renda per capta. Funciona assim, simplificando, soma-se todo o valor que o brasileiro ganha no ano e divide pelo número de pessoas, a média é a nossa renda per capta. Então, nossa renda média por brasileiro é de US$ 8.402,00 por ano, cerca de R$ 15.123,00.

Ora, isso é um absurdo. Cadê a minha fatia do bolo? A maioria da população que ganha salário mínimo recebe no ano R$ 4.560,00. Diferença enorme. É a desigualdade social que presenciamos todos os dias. E tem gente, a nossa querida direita/oposição/veja que faz discurso contra isso, mas que são os principais beneficiados. Abre o olho povo brasileiro! E vamos escolher melhor nossos legisladores, vamos defender um melhor acesso à universidade pública para os mais carentes, vamos pra rua ou pelo menos pra internet...

28 novembro 2007

DEMOcratas, tucanos e a Venezuela



Os DEMOcratas (ex-PFL, ex-PDS, ex-ARENA, eternos ditadores) sempre estiveram nas tetas do Estado e agora na oposição estão mais perdidos do que “cego em tiroteio”. Não sabem para que lado ir, nem o que fazer. Mas agora encontraram um tema para seus discursos moralistas: a irreal ligação entre Lula e Chavéz.

Por que a Venezuela não pode entrar no Mercosul? Não me interessa como é o seu sistema de governo, o seu líder e etc, me interessa apenas ter relações comerciais com mais um país e não ficarmos reféns de algumas poucas nações. Se formos fazer comércio apenas com Democracia plenas não faremos comércio com ninguém.

A Direita golpista de nosso país sabe muito bem disso, não acredito que sejam burros, mas é claro que fazer discursos em louvor da “democracia”, da “liberdade individual”, do fim dos impostos e etc. Isso traz enormes lucros políticos.

Outra coisa, já disse aqui em dois textos, a oposição criou um suposto interesse de Lula pelo terceiro mandato (apesar do povo querer!), como mero pretexto para relaciona-lo às aventuras de eternização de Chávez na Venezuela. “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”.

Assim, os intelectuais tucanos e os interesseiros “democratas” usam a tribuna do Senado e as CPIs da Câmara para discursos sobre a “Democracia Venezuelana”, ao invés de se preocuparem com os problemas do nosso Brasil. Enquanto tivermos tipinhos como ACM Neto, Ônix Lorenzoni e Arthur Virgílio teremos que agüentar, mas como disse, estão perdidos e precisam de um “bode expiatório”.

26 novembro 2007

A Independência do Panamá:


O Panamá é uma criação do imperialismo estadunidense. O que é hoje seu território foi até o início do século XX parte da Colômbia, “mas uma singular aliança do imperialismo norte-americano com a chamada Companhia Nova do Canal de Panamá e interesses radicados no istmo determinarem o nascimento do novo Estado” (POMER, 1981, pg.40/41).

Em 1880 os Estados Unidos da América já haviam declarado a sua intenção de construir um canal que ligasse os oceanos Atlântico e Pacífico, obviamente que este canal deveria ficar sob seu controle. Em 1902 os EUA compraram a Companhia Nova do Canal do Panamá, mas era necessária uma autorização do governo da Colômbia, o que foi conseguida em 1903, mas o Senado colombiano não ratificou o tratado de autorização.

Os partidários do Canal e da influência estadunidense, chamados de “proprietários probos do istmo” não ficaram satisfeitos com tal atitude do Estado colombiano e sob o argumento de que a Colômbia decreta a ruína da população do istmo, “no dia 3 de novembro do mesmo ano os proprietários e ricaços da região panamenha declaram-se independentes da Colômbia. Contaram com a persuasiva presença da marinha norte-americana” (POMER, 1981, pg.42).

Interessante notarmos que apenas quinze dias após este fato, e ainda sem possuir uma constituição, o Panamá autoriza os ianques a construírem o canal. Quando da elaboração da Carta Magna, a mesma autoriza os estadunidenses a intervir em qualquer parte de seu território para a garantia da paz pública.

21 novembro 2007

Tropa de Elite... chegou a minha vez!!!


Fascista, violento, desnecessário, real, fantástico, forte concorrente ao Oscar, e etc... Muitas já foram as palavras usadas para descrever o filme do momento. Com bastante atraso chegou a minha vez de ver o filme e também exprimir a minha opinião. Penso que o filme é um grande “f*-se!”.

A polícia é corrupta, mal paga e mal equipada. O sistema é corrupto e se você não entrar nele está fora. O Papa está com a conta cheia. A tortura do BOPE não é recomendável e seus heróis não são tão heróicos assim. A classe média e sua falsa moral udenista de discursos, passeatas, mas atolada até o pescoço. As ONGs que fazem vista grosa e dão vida longa formam a indústria da miséria. A sociedade que fecha os olhos para a nossa guerrilha civil e etc... estamos numa grande m* e sem saída. É isso que o filme retrata, mas gosto de filmes assim, que “jogam tudo para o alto”.

Mas como cada cabeça é uma sentença, nada como ler inúmeras opiniões sobre o filme. Gostaria de dar destaque a presença de Foucault no filme. Pelo menos já vi muita gente que foi ler o “Vigiar e Punir” depois de assistir o filme. Pelo menos esse é um lado positivo.

Por fim, antes de ver o filme, ao ouvir os comentários pensava eu que o tal do “Capitão Nascimento” era “O” cara. Feliz engano de minha parte. É um ser humano como outro qualquer, que se emociona e que tem dramas familiares, um herói anti-herói, um grande fanfarrão que tem que pedir pra sair.

E qual a sua opinião sobre o “Tropa de Elite”?

18 novembro 2007

Lula, Chávez, discussão e democracia:


Ao ver o Jornal Nacional desta quarta-feira, tive alguns momentos de êxtase em frente à TV ao ver a cara de raiva que William Bonner fez ao ouvir as respostas de Lula, apesar de ter sido provocado à entrar na onde de críticas da Rede Globo à Chávez e à democracia venezuelana.

Recentemente recebi um e-mail que infelizmente não pude verificar a procedência, mas que trazia algumas idéias interessantes que tentarei aqui reproduzir.

A mídia golpista brasileira faz toda uma propaganda (é preciso reconhecer que de forma eficiente) contra a forma com que Chávez vem governando a Venezuela. Antes o grande vilão era Fidel, hoje é Chávez e Morales.

Chávez é acusado de ser ditador por ter fechado a RCTV, pois bem, mas Bush também já fechou diversas emissoras de TV nos EUA e nem por isso recebeu o mesmo rótulo. Aliás, quem financia guerras não é o Palácio de Miraflores.

A TV nos mostra a cena em que o Rei da Espanha manda Chávez se calar. Não quero negar este fato, mas sim que a TV mostra apenas um fragmento, não podemos ter a idéia total nem da fala de Chávez nem de Zapatero. Simplesmente dizer que Chávez chamou Aznar de fascista é muito simplista, devia-se também dizer que isso se deveu à Aznar ter apoiado a tentativa de Golpe dado pela elite venezuelana em Chávez em 2002.

Dizer que a Venezuela não é uma democracia é uma piada. Se todo o parlamento é a favor de Chávez é porque a oposição se recusou a participar das eleições. Ora, isso é culpa de Chávez? Dizer que Chávez muda a constituição é correto, mas esquece-se de dizer que existe um referendo popular para aprovar tais propostas. Se isso não é democracia, só posso entender que o modelo democrático defendido por Globo e Veja é aquele de submissão ao capital especulativo internacional, que desrespeita os interesses dos povos da nação, que vendo o patrimônio do povo, que promove guerras em nome do dinheiro e etc...

Ah, mas Chávez terá a possibilidade de ficar eternamente no poder. Ora, ele tem essa possibilidade se ganhar as eleições. Isso não é democracia? Quantos anos ficaram no poder Margaret Thatcher e Helmut Kohl? Então também eram ditadores? Coitada da repórter que tentou retrucar Lula depois deste seu argumento...

14 novembro 2007

MST e Educação – parte02


Continuando a reflexão iniciado em outro texto aqui deste Blog sobre MST e Educação, gostaria de desenvolver mais algumas idéias sobre o polêmico tema.

Primeiro que as escolas públicas surgem voltadas apenas para as elites, ou seja, apenas os “filhinhos de papai” do início do século passado é que freqüentavam as escolas no Brasil. Era um ensino hoje considerado como bom, com aulas de arte, francês e filosofia. Quando o ensino se universaliza a qualidade cai, até porque a escola pública passa a servir como um espaço para doutrinação dos filhos dos pobres para o mercado de trabalho, o famoso “qualificado apertador de botões em fábricas multinacionais”, enquanto o filho do rico vai para as escolas particulares.

As escolas camponesas têm que ter um ensino voltado para a sua realidade e necessidade. Os filhos de camponeses que estudam na cidade criam outros valores. A quem isso interessa?

Quando o Pronera leva os filhos dos camponeses à universidade em regime de estudo campo-campus, aqueles que estavam acostumados a serem os “donos do saber” é claro que sentem-se incomodados, afinal de contas, pesquisa científica feita pela classe dominante pode, mas feita pelos subalternos não. Por quê?

Porque às classes dominantes não interessa o acesso à educação de qualidade, à pesquisa, aos clássicos, ao debate e etc... Afinal de contas, corre-se o risco de desmoronar o consenso formado em torno de um Estado que privilegia seus interesses monoculturais, onde a burocracia impede o acesso do pobre, mas não do rico e pregam um Estado mínimo que na prática prejudica os menos favorecidos, enquanto para as elites o Estado é máximo.

11 novembro 2007

Perfil de Bornhausen:


O atual senador Jorge Bornhausen descende de uma rica família de empresários e banqueiros de Santa Catarina. Formou-se em Direito pela PUC do Rio. Nosso personagem é filho de ex-governador do estado. Foi filiado da UDN e nomeado vice-governador pelo Regime Militar.

Na década de 70, Bornhausen foi nomeado como Presidente do Banco do Estado de Santa Catarina. Sua primeira eleição foi financiada com dinheiro de banqueiros, mesmo assim, a vitória para o senado veio com uma pequena diferença de votos e no Congresso se destaca em defesa da categoria dos banqueiros (e não dos bancários), inclusive, seu irmão já foi presidente da Febrabam.

Durante a CPI do Banestado, que aliás não deu em nada, o Senador Bornhausen foi acusado de ser dono do Banco Araucário, na época envolvido por denúncias de lavagem de dinheiro. O Senador se defendeu dizendo que o Banco pertencia a seu cunhado. Olha o laranja!

Bornhausen já foi durante muito tempo o presidente do PFL, hoje DEMo e continua atuando no Senado Federal em favor da sua classe: os ricos, os poderosos, os banqueiros e etc... e o povo que se f*!

O que ACM tem em comum com Bornhausen?

Para terminar esta épica história, o que possuem em comum as figuras de ACM e Jorge Bornhausen?

Os dois são frutos políticos da Ditadura Militar. Os dois usaram e usam da influência política para calar adversários e subornar a grande imprensa. Os dois são corruptos. Os dois foram filiados à UDN, que depois passou a se chamar ARENA, que depois virou PDS, então cansaram do nome e mudaram para PFL e hoje posam de Democratas. Ora, não podemos ser enganados por esta tentativa nefasta por parte destes caciques em quererem apagar a história: os Democratas de hoje são os ditadores, golpistas e assassinos de ontem.

07 novembro 2007

Perfil de ACM:


Apesar de nosso querido “Toninho Malvadeza” já ter ido incomodar a população de outras bandas, não podemos apagar da memória este personagem caricato e importante para a política brasileira. Eis a nossa homenagem a ACM:

Antonio Carlos Magalhães começou na política como Deputado Estadual na Bahia, eleito pela UDN (o partido do golpista Carlos Lacerda) e subiu na vida política bajulando os poderosos e fazendo diversas denúncias contra seus inimigo ou mesmo aliados “perigosos”.

Em 1967, já filiado à ARENA (o partido que dava sustentação à Ditadura Militar), ACM é nomeado Prefeito de Salvador. Seu primeiro ato no governo municipal foi o de comandar pessoalmente o despejo de famílias sem-teto que haviam ocupado um prédio. Como bem seguia a cartilha dos Militares, ACM foi nomeado Governador da Bahia, e na década de 70 conseguiu recursos com o banqueiro Ângelo Calmon de Sá para comprar seu primeiro jornal.

Nos primeiros anos da Ditadura dos Militares (e da Direita Burguesa e Golpista), ACM trabalhava nos bastidores do governo, fazendo lobby, ou seja, arrumando obras superfaturadas em favor da empreiteira Odebrecht. Não é a toa que posteriormente sua filha casou-se com o dono da Empreiteira.

Nomeado ministro das Comunicações, ACM foi talvez um dos maiores impulsionadores da Rede Globo no Brasil, afinal, as concessões todas passavam por suas mãos, liberando mais de 80 concessões no período, inclusive da Rede Bahia, com 13 empresas retransmissoras de TV, Rádio e TV a Cabo da Rede Globo na Bahia. Lógico que isso está em nome de laranjas, sobrinhos, netos, filhos, afilhados e etc... incluindo o Dep. Federal ACM Neto e o hoje Senador ACM Júnior.

Por ser dono das repetidoras da Rede Globo na Bahia, a TV local nunca mostrou denúncias contra a sua pessoa. Apenas quando do escândalo da violação do painel do Senado é que a Rede Globo falou verdades sobre ACM. Após renunciar ao cargo, fugindo de um processo político e preservando seus direitos, ACM voltou ao Senado Federal.

Lembram do episódio do superfaturamento da Avenida Águas Espraiadas na Capital de São Paulo durante o Governo Celso Pitta? Então, ela foi construída por uma empreiteira da família Magalhães... são descendentes políticos de ACM, além do Neto, o senador César Borges e o Dep. José Carlos Aleluia, por isso, não enganem-se com falsos discursos moralizadores.

03 novembro 2007

Cinema Brasil e História!



Em uma diferença de poucos dias tive o prazer de assistir dois filmes da nova safra do cinema brasileiro. Primeiro foi o concorrente brasileiro ao Oscar “O ano em que meus pais saíram de férias” e o segundo foi o “Batismo de Sangue”, baseado na obra homônima de Frei Betto. Embora tratem do mesmo período dos anos de maior repressão à ditadura militar, os filmes são muito diferentes, mas de beleza idem.

“O ano em que meus pais...” conta a história de uma criança que é forçada a ficar longe dos pais perseguidos pela Ditadura, vai para a casa do avô, mas este acabara de sofrer um ataque cardíaco. O jovem tem que ficar com os vizinhos, e tem uma difícil adaptação ao seu modo de vida. O filme é de uma ternura fantástica, coisas do mundo infantil que me fizeram até sentir saudades dos meus jogos de botões e álbuns de figurinha. Mas o final é emblemático, a criança que tanto esperava o nosso Tricampeonato nem assistiu à final, sua mãe havia voltado para casa, depois de ser torturada, e enquanto o Brasil vibrava com nossos heróis do futebol, algumas famílias sofriam com nossos heróis torturados. O jogo de imagens é belíssimo.

Já o “Batismo de Sangue” é um filme mais “sério”, baseado em fatos reais, representa a ajuda dada à guerrilha urbana pelos freis dominicanos de São Paulo, o congresso de Ibiúna, até mesmo o “companheiro Zé Dirceu” é caracterizado no filme, a atuação do herói da resistência Marighela, a crueldade de Fleury e da tortura dos militares que machucavam não apenas os corpos, mas principalmente a mente dos torturados, que o diga Frei Tito e seu calvário...

Temos muitos outros bons filmes sobre o período militar, como por exemplo “Quase dois irmãos” e o “Zuzu Angel”, que vêem ao encontro da revisão que está sendo feita pela nova historiografia, aliás, muito ainda tem-se que revelar sobre este período da história brasileira e a abertura dos documentos do exército é fundamental para isso e se faz urgente!



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