04 outubro 2007

Duas Caras não! Várias caras e várias vozes!

Os leitores mais assíduos deste Blog já repararam que não costumo colar textos aqui, mas sim comentar os acontecimentos e idéias com as minhas palavras. No entanto, devido à crescente falta de tempo, resolvi compartilhar um e-mail que recebi, que é o manifesto de um comitê gaúcho sobre as concessões de TV.

VÁRIAS CARAS – VÁRIAS VOZES
Pra gente se ver na mídia, ela não pode ser controlada por poucos.
Queremos participação popular nos processos de concessão de rádio e TV
As ondas de rádio e TV estão no ar e pertencem a todos cidadãos e cidadãs do Brasil.

Para transmitir as programações das rádios e televisões, algumas empresas recebem do governo, em nome do povo, uma autorização temporária, conhecida como concessão de outorga. Para as rádios, a concessão dura 10 anos. Para as TVs, 15 anos. Quando termina esse tempo, a concessão pode ser renovada.

O problema é que as regras de uso não são transparentes e as informações sobre os processos que autorizam ou renovam a concessão não chegam até aqueles que são os verdadeiros donos das rádios e TVs - o público brasileiro.

Ao mesmo tempo, esse público brasileiro não é ouvido nem sobre como avalia o serviço prestado por essas emissoras, nem se estão satisfeitos ou não. Isso não interessa aos donos da mídia. Não existe nenhuma forma de participação democrática onde representantes de organizações sociais e populares possam acompanhar os processos e opinar sobre a programação.

Esse é o resultado da privatização do ar, onde ricos se apossam do que é público, em detrimento do interesse da maioria da população.

No Rio Grande do Sul, vivenciamos essa realidade de forma ainda mais acentuada. Poucas empresas dominam os meios de comunicação, desrespeitando a Constituição Federal e impedem a manifestação plural das diversas vozes e imagens. É uma mídia racista, sexista, machista, homofóbica e que criminaliza os movimentos sociais organizados. Tampouco as "opções" que vêm sendo apresentadas demonstram preocupação, de fato, em ser uma alternativa que respeite a diversidade da população gaúcha e brasileira.

Diante da constatação dessa realidade, gaúchos e gaúchas integrem-se ao movimento nacional que pede: DEMOCRACIA E TRANSPARÊNCIA NAS CONCESSÕES DE RÁDIO E TV. Por novas regras e novas instâncias que possam mudar a cara da comunicação no país, priorizando:
- As finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; a promoção da cultura nacional e regional e o respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família, conforme determina a Constituição Federal;
- Garantia de espaço em sinal aberto para as TVs comunitárias;
- Fim da perseguição e justa regulamentação para as rádios comunitárias;
- Criação de um sistema público de rádio e TV, com gestão participativa e produção descentralizada;
- Compromisso dos radiodifusores com a representação e o respeito aos diversos grupos sociais que formam o Rio Grande e o Brasil;
- Um processo de digitalização do rádio e da TV que garanta a democratização da comunicação, a maior interatividade e a independência tecnológica
ABAIXO A DITADURA DA MÍDIA!

A figura que ilustra o post é do Blog Desabafo País, que aliás, merece ser visitado e vem realizando um trabalho interessante no sentido de combater a mídia hegemônica.

3 Comentários:

Às 5/10/07 9:36 PM , Blogger Dorian disse...

Cássio,
Manter um canal de TV custa bastante dinheiro que é conseguido com a venda de espaço publicitário. Por sua vez, o valor do espaço publicitário é proporcional a audiência do canal que o vende. No caso dessa tão falada "democratização" da mídia com a criação de novas transmissoras, quem seriam os anunciantes? O governo, com o dinheiro dos impostos?

 
Às 6/10/07 12:02 AM , Anonymous D D S ? disse...

Apoiado!!

 
Às 18/10/07 12:50 PM , Anonymous Valmir Trentini disse...

O blog do Professor Vanderlei Amboni, traz texto sob o título Mídia sem controle, que merece reflexões.
Na edição da semana passada, a Veja, sujíssima revista semanal de (des)informação, reuniu alguns jornalistas e até historiadores para tentar assassinar, de novo, o Che, 40 anos depois! Seria necessário primeiro que esses veículos, líderes em seus segmentos, revista Veja e Tv Globo, dessem conta de explicar de que maneira monopolizaram as informações e que financiamentos tiveram e tem para exercer sua hegemonia. O saudoso e notável brasileiro Leonel Brizola disse bem que a Globo mandava para a "Sibéria do esquecimento" todos aqueles que ousassem questionar seu papel deletério.

 

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