31 outubro 2007

Nosso gênio!


Este Blog rende uma sincera homenagem à um dos maiores gênios da humanidade ainda vivo, o brasileiro Oscar Niemeyer. Nascido em 1907, formou-se em Belas Artes, em 1945 ingressou no Partido Comunista e mantém a militância até hoje. É responsável por belos projetos arquitetônicos espalhados pelo mundo todo, entre eles a cidade de Brasília e a sede da ONU.

Segue abaixo trechos de uma entrevista de Niemeyer ao jornal Brasil de Fato, publicada em 1º de setembro de 2005.

Brasil de Fato – Apesar da queda do muro de Berlim, da dissolução da União Soviética e, agora, da crise do PT, o senhor continua comunista. De onde encontra motivação?
Oscar Niemeyer – Deste mundo de pobres que nos cerca e até hoje espera por uma vida melhor.

BF – O comunismo é a solução?
Oscar – O comunismo resolve o problema da vida. Faz com que a vida seja mais justa. E isso é fundamental. Mas o ser humano, este continua desprotegido, entregue à sorte que o destino lhe impõe.

BF – O senhor concilia arquitetura e comunismo, que parecem distante...
Oscar – A vida é mais importante do que a arquitetura. A arquitetura não muda nada, mas a vida pode mudar a arquitetura.

BF – O que é uma arquitetura mais igualitária?
Oscar – Aquela que a todos atende sem discriminações. Vou esclarecer a vocês meu ponto de vista. Quando o governo decide fazer uma escola perto das favelas, a idéia é sempre fazer algo mais pobre. Isso é errado. Recentemente, projetei uma biblioteca e um teatro em Caxias. Fiz como se fosse para Copacabana, o projeto mais audacioso possível. Não pode haver discriminação. Quando Brizola fez os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), vimos que os meninos entravam nos prédios com orgulho, imaginando, na sua inocência, que os tempos iam mudar e eles poderiam começar a usufruir o que antes só às crianças ricas era permitido.

BF – O que quer a direita?
Oscar – Manter este clima de poder, de injustiça social e de subserviência ao império estadunidense.

BF – Dizem geralmente que quem controla o mundo é o Bush.
Oscar – O Bush, no fundo, é um idiota que tem as armas na mão e delas se serve para levar o terror às áreas mais desprotegidas. Representa o capitalismo, que, decadente, tudo faz para subsistir.

BF – A arquitetura não tem função social?
Oscar – Deveria ter. Mas, quando ela é bonita e diferente, proporciona pelo menos aos pobres e ricos um momento de surpresa e admiração. Mas quanto lero-lero! Na verdade, o que nós queremos é a revolução.

A entrevista é bem mais longa, trata de temas como o Governo Lula, a crise do PT e sobre os movimentos sociais, em especial o MST, enfim, este é apenas uma amostra de como o maior gênio brasileiro vivo, pensa algumas questões. Escolhi perguntas tanto para arquitetos como para militantes, onde podemos perceber que os dois não andam ta distantes assim.

Fonte: ARBEX JÚNIOR, José e VIANA, Nildo. É preciso coragem para mudar o Brasil. São Paulo: Expressão Popular, 2006.

27 outubro 2007

MST e Educação:


Na edição em que tenta, como sempre, de forma ideológica pequeno-burguesa, desqualificar a vida e obra de Che Guevara, a Revista Veja dedica mais algumas páginas para “bater nos vermelhinhos” do MST, alegando que o movimento social vem “comprando vagas” nas universidades federais e seus alunos-assentados estariam entrando pela “porta dos fundos” das instituições de ensino superior. Ainda bem que existem pessoas que respondem a altura, pena que não com a mesma divulgação.

Mas a realidade é mais cruel do que os discursos da Veja. O analfabetismo reina nos assentamentos do Brasil e as crianças dos camponeses tem acesso apenas até a 4ª série do ensino fundamental, menos de 25% dos jovens têm até a 8ª série, ainda assim feitos em escolas urbanas, muito aquém de suas realidades. Quanto ao Ensino Superior, apenas 0,1% dos assentados conseguem chegar até lá, isso mesmo, 0,1% dos assentados no Brasil chegam à Universidade.

Atendendo às pressões de algumas entidades, entre elas o próprio MST, CPT e afins, o Governo FHC criou em 1998 o PRONERA (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária), com objetivo principal de fomentar a educação no campo. No entanto, o próprio Governo incluiu este programa no Ministério do Desenvolvimento Agrário e não no da Educação, além de desprovê-lo de grandes recursos e com isso possibilidade de mudar a realidade escolar no campo, logo, o problema estava resolvido, cria-se um órgão para “calar a boca” dos movimentos sociais, mas o deixa sem recursos para transformar a realidade e abrir possibilidades de progresso para esta gente, em perfeita harmonia com os interesses “dazelites”

Mas eis que os competentes e dedicados funcionários do PRONERA encontram uma solução surpreendente e eficiente para a questão. São firmados diversos convênios com Universidades Federais em todo o país para, primeiramente, levar alfabetização para os assentamentos. Até aqui tudo bem, alguns alunos e professores mais interessados no assunto dedicam um pouco do “tempo livre” para alfabetizar esta gente.

A coisa começa a mudar quando os assentados começam a ir para as Universidades Federais, até então, território exclusivo dos “filhinhos de papai” e de “boa educação”. Essa “gente sem cultura” não pode freqüentar os campos do saber, até porque, “assentado não precisa estudar, mas sim, apenas saber assinar o nome e bem capinar”.

Em todo o território nacional são criados diversos cursos de Ensino Superior em regime de alternância campo/escola, são mais de 40 Universidades conveniadas (talvez este seja um dos motivos de alguns governadores quererem acabar com a autonomia das Universidades) e cerca de 60.000 alunos. Uma verdadeira revolução na educação brasileira que leva a Universidade a cumprir a sua verdadeira função social.

Os primeiros cursos foram de pedagogia, letras, técnicos da área de saúde, meio ambiente e afins, que depois de formados voltaram às suas comunidades, transformando a realidade do local, até porque os “filhinhos de papai” não querem trabalhar com pobres. Mas o caldo começou a engrossar quando algumas Universidades tiveram a coragem de abrir cursos mais “nobres” aos assentados, tais como Agronomia e Direito. Ora, imaginem míseros assentados sabem otimizar a sua produção com seus próprios agrônomos, ou então, conseguindo melhores contratos devido aos conhecimentos jurídicos, sem falar nos cursos de Geografia e História, onde podem perceber que tudo é fruto de um processo histórico, que o direito de propriedade dos meios de produção foi uma criação de um grupo de pessoas para beneficiar a si próprios, a importância que a pequena propriedade tem no abastecimento de alimentos de primeira necessidade e etc... É, isso incomoda muita gente, até mesmo o Ministério Público entrou na Justiça contra as ações do PRONERA.
Obs: Texto feito com base na palestra de Clarice Aparecida dos Santos, representante do PRONERA no III Simpósio Internacional de Geografia Agrária - Campesinato em Movimento.

24 outubro 2007

Um pouco de Guatemala:


A Guatemala é um país da América Central com cerca de 14 milhões da habitantes, dos quais 56% são mestiços e 44% de indígenas que falam mais de 22 dialetos maias, logo, um país multicultural em grande ebulição, onde a expectativa de vida dos indígenas é de 20 anos a menos que a média, além de serem 40% do analfabetos e 73% dos miseráveis.

O país possui uma longa história de exclusão e resistência. O único período democrático do país durou dez anos e ficou conhecido como “Primavera Democrática”, onde se tentou implantar uma política de reforma agrária contra os interesses das grandes companhias estadunidenses, logo a reação foi violenta e os EUA financiaram uma “invasão mercenária” ao país, que conseguiu tomar o poder e implantar uma Ditadura que seguia os interesses das multinacionais e acabou mergulhando o país em um sangrenta guerra civil que durou longos 36 anos, e teve como resultado a morte de 200 mil pessoas, 45 mil refugiados, 40 mil desaparecidos e mais de 200 massacres a povos indígenas. Detalhe é que Ernesto CHE Guevara de La Serna lutou ao lado da resistência contra a invasão imperialista.

A partir de 1992, a guerra civil diminui e abre-se condições para que os refugiados voltem à Guatemala. É neste momento que a Fundação Rigoberta Menchú Tum entra em ação, comprando terras e assentando as famílias, dando assistência e apoio na reconstrução da vida e na busca por sobrevivência. Em 1992 Rigoberta Menchú ganha o Prêmio Nobel da Paz por seus serviços a favor dos camponeses e dos indígenas da Guatemala. Um belo exemplo não só de pessoa, mas principalmente de idéia viável.

Obs: Texto produzido com base na palestras de Mildred Lopes da CLACSO da Guatemala e de Paúl Bernal Menchú Vasquez representante da Fundação no III SINGA 2007.

20 outubro 2007

A Colômbia que a gente não vê.


Existe uma Colômbia que a gente vê na TV, onde as FARC e o Narcotráfico são o mal e o governo de Álvaro Uribe e a sociedade civil é o bem. Não quero aqui julgar esta realidade, até porque não a conheço de perto, mas durante o III SINGA 2007, pudemos, através da conferência do colombiano Héctor Mondragon, conhecer uma outra Colômbia que quero aqui partilhar.

Héctor é professor da Universidade Nacional da Colômbia, mas como ele mesmo diz, por sua segurança, ele era professor. Na Colômbia um crítico do Governo Uribe não pode ter rotina, não pode usar telefone (fazem 4 anos que ele não usa) pois o governo persegue seus opositores.

Diversos parlamentares da oposição foram presos pelo Estado. Milhares de pequenos camponeses foram brutalmente assassinados pelo Exército sob a alegação de seria guerrilheiros ou mesmo que estariam apoiando a causa da guerrilha.

Na Colômbia a concentração de terras é uma das maiores da América Latina, inclusive o Presidente Uribe é um dos maiores latifundiários do país. Agora a Colômbia também está entrando na onda do Agrocombustível.

O Presidente Uribe privatizou a petroleira da Colômbia e mandou torturar todos aqueles que eram contrários, e não satisfeito, agora quer privatizar também a água, um verdadeiro absurdo! O país ainda se orgulha de ser a democracia mais antiga da América Latina, mas também, com líderes camponeses, indígenas, a oposição e intelectuais perseguidos e torturados é fácil.

Repito, não nos cabe aqui julgar quem está com a razão, mas sim cabe um reflexão. Na conferência, as FARC não foram citadas uma só vez. Mas será que não é contra isso que eles lutam? Você já assistiu o filme “V de Vingança”? Então, talvez os “terroristas” sejam na verdade “libertários” e propagadores de um novo mundo.

19 outubro 2007

Vale a pena conferir:


Este Blog foi contemplado com o selo “vale a pena conferir” que foi-me repassado pelo companheiro blogueiro Dorian. Tal homenagem traz consigo a responsabilidade de indicar outros cinco merecedores. São eles:

01- Blog do Antonio Ozaí;
02- Blog do Prof. Vanderlei;
03- Pimenta nos Olhos;
04- Desabafo País;
05- Blog da Marta Bellini.

São momentos como este que nos animam a divagar um pouco neste mundo da blogosfera.

16 outubro 2007

“Alguma coisa acontece...”


Alguma coisa acontece na América Latina de hoje. O resultado disso somente o tempo dirá. A continente tem se constituído na principal forma de resistência dos povos subalternos contra o sistema capitalista. Não apenas aqui em nuestra america, mas principalmente aqui as populações menos favorecidas têm se organizado numa forma de contra-hegemonia, temos exemplos do EZLN no México, os descendentes do índios na Guatemala e na Bolívia, o MST no Brasil, sem falar nas vitórias políticas da Nova Esquerda.

Toda esta mobilização é óbvio que gera preocupação nos grandes propagadores do modelo neoliberal. Recentemente o Ministério da Defesa da Inglaterra publicou um relatório que aponta justamente para esta questão. Chama-se “Estratégias Mundiais, 2007/2036”. Entre as conclusões do relatório podemos destacar: _ As desigualdades do neoliberalismo levarão a ressurgir ideologias “populistas”, “marxistas” e etc; _ Criará um movimento mundial de massa pela justiça; _ O sistema atual pode morrer; _ Necessidade de criar respostas às demandas populares, criando políticas compensatórias; e etc...

Ora, isso é fantástico. O governo Inglês admite que o neoliberalismo gera desigualdades, e que isto está criando movimentos contestatórios que poderão abalar a “ordem” e que precisam agir de alguma forma para impedir que os “de baixo” mudem esta ordem. Como eles vão fazer isso? Criando políticas compensatórias, ou seja, mais algumas esmolas e mudanças para que nada mude, lembram-se da frase “Façamos a revolução antes que o povo a faça”? Então, é justamente isso, o ativismo de classe média e etc, além é claro da já conhecida criminalização/desqualificação dos movimentos sociais.
Obs: Texto feito com base na conferência dada pelo professor Henry Veltmeyer, da Universidade de Saint Mary, Halifax do Canadá, durante o III Simpósio Internacional de Geografia Agrária – Campesinato em Movimento.

14 outubro 2007

Meme dos código literários:

“Os municípios eram unidades nucleares do governo e o povo elegia as autoridades, seus tribunais e sua polícia”.

Do livro: “As veias abertas da América Latina” de Eduardo Galeano.

Não entendeu nada não é mesmo? Pois bem, eu explico. O Companheiro Márcio Pimenta me passou um meme que continha as seguintes regras:

01. Pegar um livro mais próximo;
02. Abrir na página 161;
03. Procurar a 5ª frase completa;
04. Colocar a frase no Blog;
05. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro, mas sim o mais próximo no sentido físico mesmo;
06. Passar o desafio à cinco pessoas.

Enfim, os desafiados são: Izadora, Omar, Vanderlei, Dorian e Marcilon.

09 outubro 2007

Os Jesuítas na América Espanhola:


Lendo e relendo diversas sinopses do Filme “A Missão”, produzido em 1986, com direção de Roland Joffé, estrelado por Robert De Niro e Jeremy Irons, ganhador da Palma de Ouro no festival de Cannes daquele ano, além do Oscar de melhor Fotografia e diversas outras indicações e premiações, tenho a impressão de que assisti ao filme errado, ou pelo menos de que a minha interpretação é bem diferente da oficial trazida na capa do filme.

Segundo a sinopse, o filme conta a história de Rodrigo Mendoza (Robert De Niro), uma pessoa dedicada à captura e venda de Índios como escravos, que após um duelo com seu irmão pela mão de uma donzela, encontra a verdadeira paz em uma redução jesuíta. Tudo bem que o cinema precisa de personagens-chave para introduzir um debate, mas penso que a sinopse poderia ter sido mais contextualizada.

Entendo que o filme aborda várias questões sobre a colonização da América que podem ser exploradas em um interessante debate: a questão dos jesuítas, o poder/interesses da Igreja que estavam em jogo naquele período, as pressões dos colonos, a ganância por lucro e etc.

Embora o filme traga o nome de “A Missão”, trata-se na verdade de uma “redução” Jesuíta, a não ser que interpretemos a missão como sendo a do personagem de De Niro, que teria a missão de se redimir de seus pecados e etc... Enfim, os Jesuítas construíram diversas reduciones na América Latina, a do filme localiza-se onde hoje é a tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, onde os Índios eram catequizados (ou aculturados?), viviam em sistema de comunidade e tudo era distribuído de forma igual (como os primeiros e verdadeiros cristãos), além de se constituir em um porto seguro contra o tráfico de escravos índios.

Interessante para contextualizar o período, é que algumas reduções eram economicamente competitivas, isto é, havia uma grande produção de mercadorias que além de destinarem-se para o consumo próprio, eram vendidas tanto na colônia como na metrópole. O filme mostra o exemplo de bananais e produção de instrumentos musicais (aliás, os jesuítas adoram utilizar na música em suas catequizações), mas também podemos trazer o exemplo da forte produção de mulas.

Esta força econômica e moral das reduções jesuítas não poderia mesmo agradar a Portugal e Espanha, que pressionaram a Igreja a segurar as rédeas da Companhia de Jesus. O filme mesmo retrata a admiração de um bispo católico ao visitar algumas reduciones, bem como o seu martírio ao comunicar aos padres e índios que teriam de deixar o local para não serem dizimados. Os Jesuítas forma expulsos da América espanhola pela dinastia dos Bourbons.

Podemos também discutir a questão de Portugal e Espanha, reis católicos mais interessados nos lucros comerciais do que na real evangelização dos indígenas, além dos interesses dos colonos, preocupados com a escassa mão-de-obra para suas fazendas.

Como última crítica, temos a forma romanceada com que o filme aborda a questão, ficando escancarado quem é o mocinho e quem são os bandidos segundo a visão do autor/diretor e a interessante fala do bispo: “talvez os índios preferiam que o mar e os ventos nunca lhes tivessem trazido os europeus”. No entanto, a trilha sonora é belíssima e a fotografia idem o que proporcionam bons momentos diante da televisão.


Obs: Este Blog ficará inativo por alguns dias, pois estarei em Londrina participando do "III Simpósio Internacional de Geografia Agrária - Campesinato em Movimento".

04 outubro 2007

Duas Caras não! Várias caras e várias vozes!

Os leitores mais assíduos deste Blog já repararam que não costumo colar textos aqui, mas sim comentar os acontecimentos e idéias com as minhas palavras. No entanto, devido à crescente falta de tempo, resolvi compartilhar um e-mail que recebi, que é o manifesto de um comitê gaúcho sobre as concessões de TV.

VÁRIAS CARAS – VÁRIAS VOZES
Pra gente se ver na mídia, ela não pode ser controlada por poucos.
Queremos participação popular nos processos de concessão de rádio e TV
As ondas de rádio e TV estão no ar e pertencem a todos cidadãos e cidadãs do Brasil.

Para transmitir as programações das rádios e televisões, algumas empresas recebem do governo, em nome do povo, uma autorização temporária, conhecida como concessão de outorga. Para as rádios, a concessão dura 10 anos. Para as TVs, 15 anos. Quando termina esse tempo, a concessão pode ser renovada.

O problema é que as regras de uso não são transparentes e as informações sobre os processos que autorizam ou renovam a concessão não chegam até aqueles que são os verdadeiros donos das rádios e TVs - o público brasileiro.

Ao mesmo tempo, esse público brasileiro não é ouvido nem sobre como avalia o serviço prestado por essas emissoras, nem se estão satisfeitos ou não. Isso não interessa aos donos da mídia. Não existe nenhuma forma de participação democrática onde representantes de organizações sociais e populares possam acompanhar os processos e opinar sobre a programação.

Esse é o resultado da privatização do ar, onde ricos se apossam do que é público, em detrimento do interesse da maioria da população.

No Rio Grande do Sul, vivenciamos essa realidade de forma ainda mais acentuada. Poucas empresas dominam os meios de comunicação, desrespeitando a Constituição Federal e impedem a manifestação plural das diversas vozes e imagens. É uma mídia racista, sexista, machista, homofóbica e que criminaliza os movimentos sociais organizados. Tampouco as "opções" que vêm sendo apresentadas demonstram preocupação, de fato, em ser uma alternativa que respeite a diversidade da população gaúcha e brasileira.

Diante da constatação dessa realidade, gaúchos e gaúchas integrem-se ao movimento nacional que pede: DEMOCRACIA E TRANSPARÊNCIA NAS CONCESSÕES DE RÁDIO E TV. Por novas regras e novas instâncias que possam mudar a cara da comunicação no país, priorizando:
- As finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; a promoção da cultura nacional e regional e o respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família, conforme determina a Constituição Federal;
- Garantia de espaço em sinal aberto para as TVs comunitárias;
- Fim da perseguição e justa regulamentação para as rádios comunitárias;
- Criação de um sistema público de rádio e TV, com gestão participativa e produção descentralizada;
- Compromisso dos radiodifusores com a representação e o respeito aos diversos grupos sociais que formam o Rio Grande e o Brasil;
- Um processo de digitalização do rádio e da TV que garanta a democratização da comunicação, a maior interatividade e a independência tecnológica
ABAIXO A DITADURA DA MÍDIA!

A figura que ilustra o post é do Blog Desabafo País, que aliás, merece ser visitado e vem realizando um trabalho interessante no sentido de combater a mídia hegemônica.



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