30 setembro 2007

Sonho Tcheco:


No ano de 2004, dois estudantes de cinema conseguem recursos junto ao Ministério da Cultura para produzir um documentário, a idéia é genial e ousada ao mesmo tempo. Construir uma grande mentira, ver até onde as pessoas acreditam nela e qual a reação ao saberem a verdade.

Eles contratam uma agência de publicidade, filmam todo o processo de construção da propaganda, cartazes, comerciais, pesquisas de marketing e opinião pública, desmascaram o que existe por trás deste mundo de construção de sonhos irreais. Durante meses entopem a capital Praga de propaganda do Hipermercado chamado “Sonho Tcheco”. Os preços são bem abaixo daqueles praticados pela concorrência.

No dia e local marcados para a inauguração, cerca de 4 mil pessoas comparecem, sedentos por diversão e compras, mas nunca existiu e nunca existirá o Hipermercado, no local apenas um grande outdoor.

Parece uma grande brincadeira de mau gosto? Pode ser, mas o filme nos faz refletir. Será que não somos enganados todos os dias por propagandas que nos prometem diversão e prazer, quando na realidade não é nada disso que acontece? Eles usaram dinheiro público para enganar as pessoas, mas será que os políticos não fazem o mesmo? E viva a sociedade do espetáculo!

O documentário dialoga ainda com questões de consumismo desenfreado, a ganância das pessoas por produtos, a vida medíocre que tem como diversão principal passear pelas prateleiras de um hipermercado. Viva as “pseudo-necessidades”! Talvez o principal seja mesmo como são feitas as campanhas de marketing, cada vez mais profissionais, inclusive o diretor da agência contratada se vangloria de que consegue vender até coisas que não existem.

Mas também existe uma outra interpretação ao documentário. Troque o Hipermercado pela União Européia. Na época de produção a República Tcheca vivia o debate sobre a entrada ou não na UE. Com base no filme, não seria a UE um sonho Tcheco? O que será que existe após a porta da propaganda?

Este fato do Hipermercado “falso”, e o documentário geraram grande polêmica na República Tcheca, na semana seguinte ao acontecido, mais de duzentos artigos de revistas e jornais foram escritos no país sobre a questão. Debates na TV foram feitos e entrevistas nas ruas. Os diretores foram processados, mas ganharam vários prêmios pelo documentário.

Infelizmente o filme não foi lançado no Brasil, então para os amantes do verdadeiro cinema resta a Internet e seus veículos de busca. Recomendo o site Making Off.

27 setembro 2007

Xô CPMF sim, mas sem demagogia!


Você gosta de pagar imposto? Nem eu! Aliás, ninguém em sã consciência gosta de pagar impostos. O próprio nome já diz tudo, “imposto” (que se impôs; que se obrigou a aceitar), então não tem como gostar disso mesmo. Mas pra que eles servem? Durante os Impérios eles serviam para manter a Aristocracia desocupada, nas Monarquias Absolutistas eles serviam para manter a Nobreza desocupada. Mas e num Estado Democrático de Direito?

Segundo a definição do Dicionário o Imposto seria a “contribuição, geralmente em dinheiro, que se exige de cada cidadão para financiar as despesas de interesse geral, a cargo do Estado”. Pronto, através do Contrato Social que criou o Estado, criou-se também os impostos para financiar os interesses gerais, a educação, saúde, infra-estrutura, aposentados, famintos e etc...

Recentemente o país se viu às portas da discussão sobre a prorrogação da CPMF. A Fiest, comandada por Paula Skaf fez até propaganda na TV pelo fim da CPMF, o que aliás eu também gostaria que ocorresse. Na votação da Emenda Constitucional que a torna permanente a oposição bradou aos quatro cantos do país como os detentores da moral, da ética, defensores dos pobres e oprimidos e etc...

A CPMF foi criada às pressas no ano de 1996 pelo governo FHC/PSDB para tentar amenizar o caos da Saúde Pública. Ou seja, aqueles que hoje dizem ser a CPMF um problema para o país são na verdade os criadores deste imposto.

No ano de 2006, o Governo Lula/PT entregou um projeto na Câmara dos Deputados que previa a redução gradativa da alíquota da CPMF, até seu estacionamento em 0,08% (atualmente acho que é 0,36%). Este projeto não foi aprovado na casa. Mas porque não? Porque a oposição sonhava em retomar o poder nas eleições seguintes e não queria ficar sem este dinheirão da CPMF. Agora, como a próxima tentativa de comandar o país se dará apenas em 2010, eles se dizem contrários à CPMF.

Faço coro à fala de Ciro Gomes, no plenário da casa quando da votação da Emenda que torna permanente a CPMF. Depois de uma aula de ciência política sobre o que é ser Social-Democrata e Liberal, dando um tapa na oposição, finalizou com o seguinte argumento: A oposição não quer o fim da CPMF por pensar no povo, naqueles que pagam este pesado imposto, e etc... a oposição quer o fim da CPMF para que o Estado brasileiro não tenha dinheiro para pagar os aposentados do INSS, pensões e auxílio-doença, não tenha dinheiro para financiar estudantes pobres no ensino superior, não tenha dinheiro para melhorar o atendimento médico, não tenha dinheiro para dar de comer à mais de 12 milhões de famílias... isso é o que a oposição quer, o fim da justiça social! Mas não têm coragem de assumir em público.

25 setembro 2007

Verdade ou Mentira?


O que me anima ainda a manter este Blog são justamente alguns comentários inteligentes e que nos remetem a novas reflexões, como no caso do último post sobre a polêmica dos livros didáticos e os comentários recebidos, em especial o do Dorian. E mais feliz ainda fiquei que, depois de muito tempo, desta vez não recebi comentários “elogiosos” vindos de anônimos, sobre a minha pessoa e minha genitora.

Dorian disse:
“Cássio,

A pretensão do tal livro passa longe de incentivar a visão crítica. A intenção é dar uma opinião já formada, imune a questionamentos e isso é inadmissível, ainda mais que os personagens glorificados no livro (Mao, Fidel, Guevara, Stalin) são na verdade inimigos da liberdade, manipuladores de pessoas e assassinos sanguinários. Não admito e não admitirei que meus filhos estudem por esses livros. Permitirei claro que eles os leiam, mas apenas para saberem que a versão neles contida é uma visão distorcida da realidade.”

Pois bem, o que algumas pessoas não entendem é que não existe certo ou errado, verdade ou mentira. O que existe sim são interpretações sobre os mais diversos temas e fatos, e dependendo da sua visão de mundo é que você as conceitua como certas ou erradas.

O livro pretende dar uma opinião já formada? Mas e os nossos telejornais não tentam fazer o mesmo? E nossas revistas semanais com suas matérias fragmentadas, sem um mínimo de levantamento histórico e discussão aprofundada sobre o tema não fazem o mesmo? E os outros livros didáticos?

Mao, Fidel, Guevara e Stalin são personagens glorificados? E Tiradentes não é? E D. Pedro? Cabral? Colombo? E o capitalismo não é glorificado? O Liberalismo? A Democracia?

Mao, Fidel, Guevara e Stalin são na verdade inimigos da liberdade? Mas o que é liberdade? Liberdade para ir e vir quando não se tem para onde ou porque ir e vir? Liberdade para comprar um carro importado quando não se tem dinheiro nem para comprar comida?

Mao, Fidel, Guevara e Stalin são manipuladores de pessoas? Mas será que a Revista Veja também não é uma manipuladora de pessoas? E a Rede Globo? A Record? Os filmes de Hollywood? E a Escola? E a “história oficial”?

Mao, Fidel, Guevara e Stalin são assassinos sanguinários? Mas e os colonizadores das Américas também não o são? E os cercamentos burgueses da Inglaterra? Bush não é um assassino sanguinário? E Hitler? E Mussolini? E os Militares Brasileiros e Latinos? E a exploração da mais-valia?

Permitirá que seus filhos leiam os livros para ver que aquela é uma visão distorcida da história? Mas não será a sua visão que é distorcida? Porque a sua é melhor que a de outrem? Porque o livro didático que você prefere, porque tem a história que você acredita é que deve servir de base para o ensino público?

Essas questões é que irritam algumas pessoas que depois nos chamam de “caricatos” ou mesmo de meros “clichês” ou retórica de pseudo-alguma-coisa...


Obs: a imagem que ilustra o post é do livro "Nova História Crítica".

22 setembro 2007

Livro Didático:


No decorrer da história brasileira, os livros didáticos que foram ofertados a nossas crianças sempre foram por demais positivistas, baseados somente nos “fatos oficiais” e nos “grandes heróis/personalidades” que compunham a história, tratando-a como um curso natural e caricaturando aqueles que tentaram/tentam de uma forma ou de outra contestar/criticar a “ordem” imposta.

Pois bem, recentemente, o Sr. Ali Kamel, chefe do departamento de jornalismo da Rede Globo publicou um artigo no jornal O Globo, criticando um livro didático adotado em algumas escolas do Brasil, trata-se da obra Nova História Crítica de Mário Schmidt.

Kamel se indigna sob a alegação de que o livro estaria enganado as crianças, ao tentar, supostamente, convence-las de que o “capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialismo”. Ora, então o livro didático devia tentar convencer as crianças de que o socialismo é mau e de que a solução de todos os problemas é o capitalismo?

A resposta é em grande estilo: “O sr. Ali Kamel tem o direito de não gostar de certos livros didáticos. Mas por que ele julga que sua capacidade de escolha deveria prevalecer sobre a de dezenas de milhares de professores? Seria ele mais capacitado para reconhecer obras didáticas de valor? E, se os milhares de professores que fazem a escolha, escolhem errado (conforme os critérios do sr. Ali Kamel), o que o MEC deveria fazer com esses professores? Demiti-los? Obrigá-los a adotar os livros preferidos pelas Organizações Globo? Internar os professores da rede pública em Gulags, campos de reeducação ideológica forçada para professores com simpatia pela esquerda política? Ou agir como em 1964?”

Este livro didático também já foi alvo de uma polêmico no Rio Grande do Sul, porque ao final de um capítulo contêm um excerto de um livro do João Pedro Stédile, e um pai de aluno (fazendeiro, é claro!) indignou-se com isso e foi cobrar atitudes da direção do colégio. Ora, se o texto fosse do Ronaldo Caiado ele não reclamaria.

Possuo esta coleção, e penso que ela é muito boa naquilo que se propõe: ser crítica! Mas como isso incomoda muita gente... a escola é o meio mais eficaz de tornar natural a relação de explorador/explorado, então, qualquer tentativa no sentido contrário só pode gerar polêmica.

Obs: a figura que ilustra o post é do livro em questão.

19 setembro 2007

Um pouco de História:


Estou participando de um Ciclo de Cinema e História do Tempo presente na UEM. Todo sábado assistimos a um filme/documentário e depois temos um interessante e instigante debate sobre o contexto do mesmo. Hoje quero dividir com os leitores algumas coisas que fiquei sabendo sobre Eugenia e Anti-Semitismo, pela Prof. Amélia Noma e Durval Júnior.

A Eugenia nasceu com o inglês Francis Galton, e consiste basicamente em aperfeiçoar a raça humana através de processos de seleção, isto é, apenas os mais fortes e inteligentes deveriam ter o direito à procriação, afinal, tais qualidades seriam hereditárias. Existiram na história duas formas de Eugenia: Positiva, que seria a melhoria da raça humana com o cruzamento de “seres superiores”, a procriação; Negativa, evitar que os “seres inferiores” se reproduzam.

O primeiro país a adotar a Eugenia, por mais que vocês não acreditem, foram os Estados Unidos da América. Lá, o sucesso foi imediato no início do século XX. Em 1907, a primeira lei de esterilização compulsória é aprovada, ou seja, aqueles que eram considerados “inferiores” deveriam e foram esterilizados. Milhares de imigrantes e de negros foram as principais vítimas. O principal nome da eugenia estadunidense foi Charles Davenport.

Devemos ter em mente também, que a pobreza, o desenvolvimento mental incompleto, a propensão para o cometimento de crimes e etc, eram naquela época vistos como determinados pela carga genética das pessoas. Aliás, acho que muita coisa não mudara!

Até mesmo na civilizada Suécia a Eugenia foi muito utilizada para garantir a sobrevivência e a superioridade da raça sueca. Em 1944, cerca de 8 mil pessoas foram esterilizadas. A lei foi revogada somente 30 anos depois.

A URSS também utilizou-se deste absurdo. Lá, o foco dirigiu-se para a seleção de pessoas com intelecto mais avançado. Alguns cientistas deram inicio aos processos de seleção, posteriormente suspensos por volta de meados da década de 20.

Mas é claro que o caso mais emblemático é o Nazismo Alemão. Nas terras de Hittler, é o corpo que chama a atenção. 400 mil alemães são esterilizados e mais 100 mil mortos, sendo talvez o princípio do Anti-semitismo contra os Judeus e outros povos “inferiores” (não podemos esquecer também a questão econômica alemã para justificar o Holocausto).

Interessante notar, é que os eugenistas alemães foram muito influenciados pelos estadunidenses, inclusive, diversas empresas dos EUA financiaram as pesquisas na Alemanha na década de 1920, como por exemplo a Fundação Rockeffeler. Livros de estadunidenses como “O fim da grande raça” de Madison Grant, que declarava que a raça branca e nórdica estava destina a dominar o mundo e o “Judeu Internacional” de Henri Ford (ele mesmo!) onde aparece sem disfarces a sua face anti-semita. Hittler aliás, tinha um quadro de Ford em sua sala quando ainda Chanceler do Governo e concedeu a Ford a homenagem da “Grande Cruz da Ordem Suprema da Águia Alemã”.

Os avanços Nazistas no seguimento eugenista deixaram uma ponta de inveja nos estadunidenses. Joseph DeJarnette, superintendente do Western State Hospital da Virgínia, tenha reclamado em 1924 que “os alemães estão nos vencendo em nosso próprio jogo”.

Por outras razões que não o anti-semitismo alemão, os estadunidenses entraram na Segunda Grande Guerra. O resto da história todo mundo conhece! Se você chegou até ao final deste texto, meus parabéns! Agora pode deixar um comentário.

Fonte: “As curvas eugênicas da história: o encontro da eugenia com o nazismo em Homo Sapiens 1990” por Durval Wanderbroock Júnior.

16 setembro 2007

Escola em tempo integral:


Neste ano de 2007, completam-se dez anos da morte do maior antropólogo brasileiro, Darcy Ribeiro. Foi ministro da Educação de Jango, exilado pela Ditadura Militar, passou longo período fora do Brasil prestando assessoria sobre reformas universitárias, trabalho no Governo deposto de Salvador Allende. Na volta ao Brasil, ajudou a fundar o PDT, foi vice-governador do Rio de Janeiro e Senador da República. Possui uma vasta obra literária onde podemos destacar o seu clássico “O Povo Brasileiro”.

Mas não vou falar de Darcy, e sim de uma de suas bandeiras, a escola em tempo integral, implantada em alguns locais do Rio de Janeiro quando era vice-governador na chapa com Leonel Brizola. Países como o Japão, França, Estados Unidos e Coréia, possuem escolas em tempo integral para seus alunos, e porque não podemos copiar o útil ao invés de apenas o fútil?

Em um país de tamanha desigualdade social e de acesso como o Brasil, todos são unânimes em afirmar que a educação é uma das poucas saídas, no entanto, apenas 4 horas diárias é muito pouco para formar um bom cidadão, se nas outras 20 horas do dia a criança fica largada.

Depois da escola, o filho do Rico vai estudar piano, inglês, balé, possui livros em casa, internet e pode ter um acompanhamento mais forte por parte dos pais. O filho do pobre, além de não ter nada disso, muitas vezes não tem nem uma casa confortável, comida na mesa e incentivo. Tarefa pra casa? Como? Se a maioria nem tem casa!

Manter estas crianças na escola em tempo integral, com acompanhamento especializado, com esportes, músicas, bibliotecas, comida e etc, é essencial para que diminuam as desigualdades. Afinal de contas, a elite prega que todos somos livres e temos as mesmas condições para vencer na vida, basta estudar e trabalhar. Será?

14 setembro 2007

“Muito além do cidadão Renan”


Não pude comentar antes neste Blog a vergonha que ocorreu no Senado Federal, tendo em vista que no mesmo dia perdi um amigo muito especial para o câncer... Mas enfim, a vida segue e primeiro gostaria de dizer que os seguranças não podem ser responsabilizados pelo fato da briga, afinal, estavam cumprindo ordem superiores.


Quanto a Renan Calheiros, sabe por que ele foi absolvido? Na minha humilde opinião, é porque simplesmente é tudo farinha do mesmo saco! Todos tem rabo preso! Salvo raras exceções, todos tem ligações com empreiteiras, com “laranjas”, como processos na justiça e etc... Segue abaixo um levantamento da revista Época.


Fernando Collor
(PTB-AL)
RESPONDE a processos por crime contra a administração pública, acusado de corrupção passiva e peculato, e a um processo por crime contra a ordem tributária (ele teria deixado de recolher Imposto de Renda).
DEFESA O senador não respondeu.


Cícero Lucena
(PSDB-PB)
RESPONDE a processo por crime contra a administração pública (organização criminosa responsável por desvio de verbas) e por irregularidade em licitação. Enfrenta também recurso no Tribunal Superior Eleitoral contra sua diplomação. Em 2005, Lucena foi preso pela Polícia Federal, acusado de comandar um esquema de fraude em licitações que desviou cerca de R$ 100 milhões.
DEFESA O senador não respondeu.


Flexa Ribeiro
(PSDB-PA)
RESPONDE a processo no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de receber irregularmente R$ 20 milhões do governo do Pará por intermédio de sua empreiteira, a Engeplan. Responde a outro processo por fraude em licitação no Amapá.
DEFESA A assessoria jurídica do senador nega seu envolvimento nos dois crimes.


Romero Jucá
(PMDB-RR)
RESPONDE a dois processos criminais no STF. Num deles é acusado de oferecer empresas fantasmas como garantia de empréstimo no Banco da Amazônia (Basa). No outro, é suspeito de participar de um esquema de desvio de dinheiro público. Responde a processo de compra de votos no TSE.
DEFESA Na área eleitoral, o senador atribui as denúncias a rivais políticos. No caso do Basa, Jucá nega as acusações.


Neuto de Conto
(PMDB-SC)
RESPONDE a ação penal no STF por crime contra o sistema financeiro e gestão fraudulenta.
DEFESA Afirma ser parte “ilegítima” no caso.


Mão Santa
(PMDB-PI)
RESPONDE a processo por peculato – crime em que o servidor público usa o cargo para apropriar-se do dinheiro ou do bem de outra pessoa – no STF.
DEFESA Diz não ter nenhuma responsabilidade no caso.


Leomar Quintanilha
(PMDB-TO)
RESPONDE a processo por crime tributário e desvio de verba.
DEFESA Nega participação “em quaisquer ilícitos que me desabonem”.


Lúcia Vânia
(PSDB-GO)
RESPONDE a processo por peculato no Supremo Tribunal Federal.
DEFESA Atribui as acusações à disputa eleitoral em Goiás.


Marconi Perillo
(PSDB-GO)
INVESTIGADO por fraude em licitação e corrupção ativa e passiva no Supremo Tribunal Federal (STF). Responde a processo eleitoral no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás por irregularidades em gastos de campanha.
DEFESA Diz que pediu a apuração do caso de fraude e abriu seu sigilo bancário. No caso eleitoral, atribui a denúncia a adversários.


Jayme Campos
(DEM-MT)
CONDENADO pelo Tribunal de Justiça de MT por gastos irregulares com publicidade.
DEFESA De acordo com sua assessoria, não houve gasto irregular. Ele recorre no Supremo Tribunal Federal.


João Vicente Claudino
(PTB-PI)
RESPONDE a processo no Tribunal Regional Eleitoral do Piauí. É acusado de compra de votos.
DEFESA O senador não respondeu.


César Borges
(DEM-BA)
RESPONDE a processo por uso eleitoral da publicidade oficial quando era governador da Bahia.
DEFESA O senador diz que a motivação do processo é “eleitoreira”.


Valdir Raupp
(PMDB-RO)
RESPONDE a ação penal no STF por peculato. Já foi condenado pela Justiça de Rondônia. É investigado por crime contra a administração pública e por crime contra o sistema financeiro nacional.
DEFESA Nega ter participado dos acontecimentos relacionados às ações.


Eduardo Azeredo
(PSDB-MG)
INVESTIGADO em inquérito no STF por suposto benefício ao empresário Marcos Valério, quando governador de Minas Gerais.
DEFESA Afirma que não houve benefício às agências de Valério.


Maria do Carmo Alves
(DEM-SE)
RESPONDE a ação de impugnação de mandato no TRE de Sergipe por gastos de campanha não declarados à Justiça eleitoral.
DEFESA A senadora não respondeu.


Expedito Júnior
(PR-RO)
RESPONDE a processos no TSE e no TRE de Rondônia por compra de votos, abuso de poder econômico, corrupção ou fraude. Exerce o mandato amparado em liminar concedida pela Justiça.
DEFESA De acordo com sua assessoria, não houve gasto irregular. Recorre no Supremo Tribunal Federal.


Rosalba Ciarlini
(DEM-RN)
RESPONDE a ação no TSE por abuso de poder econômico e a outra no TRE do Rio Grande do Norte por compra de votos.
DEFESA Diz que as acusações partiram de adversários políticos e que o Ministério Público deu parecer considerando improcedente a denúncia.


Raimundo Colombo
(DEM-SC)
RESPONDE a três processos no Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Dois por improbidade administrativa e um por irregularidades em concorrência pública.
DEFESA Nega ter cometido qualquer irregularidade. Diz ser alvo de uma empresa que se sentiu prejudicada com o cancelamento da concorrência.


Epitácio Cafeteira
(PTB-MA)
RESPONDE a processo no Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão por captação e gastos ilícitos na campanha para o Senado de 2006.
DEFESA O advogado Abdon Marinho diz que a prestação de contas de campanha do senador não incluiu as despesas com propaganda eleitoral porque elas foram feitas e declaradas pela coligação a que ele pertencia.

Repararam nos partidos? Coincidência ou não, a maioria é do DEMo (os ditadores da ARENA e que já muram de nome várias vezes) e do PSDB (aqueles que venderam o Brasil, compraram votos na câmara e hoje de bonzinhos) e do PMDB (o partido onde só restaram Coronéis). E o pior é que os dois primeiros posaram como os “santinhos” no caso Renan...

13 setembro 2007

Reflexões acerca do Livre-Arbítrio

O Livre-arbítrio nem sempre existiu, como tudo no mundo, foi na verdade uma construção histórica para sanar necessidades e interesses de uma determinada classe em uma determinada época.

A idéia de que o homem é o gestor de seu próprio destino era um dos motes da Revolução Francesa e dos pensadores Iluministas, afinal, estava-se tentando formar uma filosofia que fosse contrária às idéias Absolutistas, em resumo, alegava-se que o homem era Livre do Estado e da Igreja. Este seria o Livre-Arbítrio Puro.

Contra esta idéia, alguns pensadores do século XIX argumentavam que o homem não possui Livre-Arbítrio, pois suas decisões/escolhas sempre são influenciadas pelo meio em que ele vive.

Hoje em dia, a ciência já descobriu que quando o homem vai decidir alguma coisa, a parte do seu cérebro que mais atua é a da memória. Isso tem sido chamado de “Determinismo Ambiental”, ou seja, o meio ambiente a qual o homem vive é que influencia nas suas decisões, logo, a maioria dos pensadores tem dito que o Livre-Arbítrio Puro não existe mais, mas no máximo existe um Livre-Arbítrio apenas dentro daquelas idéias/experiências que rodeiam o homem.

09 setembro 2007

Qual a sua relação com Deus?


Quando eu falo que nada como um canal de TV Pública para nos proporcionar momentos de descontração, aprendizado e reflexão, tem gente ainda que reclama. Outro dia vi no programa “Sempre um Papo” da TV Câmara umas palavras do escritor Rubem Alves que gostaria de socializar com vocês.

Acho também que Deus já deve estar cansado da nossa mesmice na tentativa de fazer contato, sempre as mesmas repetições, as mesmas palavras, as mesmas orações repetidas e sem a mínima reflexão, aliás, como dizem os Orientais, Deus é encontrado no silêncio, para que ele seja ouvido e não para que apenas eu fale, reclame, peça, bata palmas, erga os braços...

E por falar em pedir, temos criado um Deus comerciante. Quando queremos alguma coisa prometemos outra em troca. Se isso não for comércio, o que será? Engraçado é o que nós oferecemos: seis meses sem sexo; subir 500 degraus de joelhos; não comer isso ou não beber aquilo, como se Deus adorasse nos ver sofrer, particamente um Deus “casca de ferida”. Cadê o Deus de Amor? Nunca vi alguém fazer uma promessa de ler todo dia um poema do Fernando Pessoa ou cantar um verso do Chico Buarque, ou até mesmo de pelo menos durante uma semana não fofocar sobre a vida alheia ou não oferecer uma graninha para não ser multado.

Outra coisa, Deus deve ser como o ar que respiramos. Ele é tão abundante que não precisamos ficar a todo momento falando dele. Quem fala demais em Deus é porque não o sente de verdade e precisa ficar sempre reforçando a idéia para se convencer e nos convencer. Usando o exemplo de Rubem Alves, esta pessoa tem “Asma de Deus”.

06 setembro 2007

Independência ou Morte!


Eu bem que pensei que já estaríamos novamente em época de Copa do Mundo, afinal, bandeiras nas ruas, hinos nacionais por toda parte, bótons ou fitinhas verde-amarelas nas roupas e etc, mas não, é a Semana da Pátria, o único momento, tirando a Copa do Mundo, em que expressamos a nossa brasilidade, mas infelizmente, logo o sentimento passa e tudo volta ao “normal”.

Reza a cartilha oficial, que inflamado de brasilidade, enquanto fazia o trajeto Santos-São Paulo, nosso príncipe D. Pedro I, ao receber uma correspondência de Portugal, às margens do Rio Ipiranga, sob um cavalo branco, teria empunhado sua espada e gritado “Independência ou Morte!” e desde então o Brasil ficara independente. Lindo não? Mas isso não passa de uma construção feita alguns anos depois.

Após a dissolução da primeira Assembléia Constituinte, sua atuação no processo de reconhecimento da Independência do Brasil pelas outras nações estrangeiras, além do fato de deixar a dúvida de que poderia retornar à Portugal e assumir o trono por lá, D. Pedro já não gozava de tanto prestígio assim perante o povo do Brasil. Isso já em meados da década de 1820. Impunha-se portanto, a recuperação/construção da imagem de grande líder, imperador, liberal e etc...

“É precisamente nessa conjuntura adversa que começam a surgir referências objetivas ao Sete de Setembro como marco da independência do Brasil”. Em 1926, uma lei inclui a data no calendário oficial do Império. A partir de então, diversas narrativas começam a surgir, onde a “imagem do Imperador aparecia vigorosa e decidida na defesa da causa do Brasil”.

Contribuíram neste processo figuras como o Padre Belchior e de José da Silva Lisboa, que estavam acompanhando a comitiva naquela data. “É interessante observar que em tais narrativas eliminava-se qualquer imagem que pudesse sugerir um imperador sujeito à vontade e aos interesses alheios, ao mesmo tempo que se anulava a desconfiança quanto à existência de compromisso de reatamento com Portugal, uma vez que fora o próprio D. Pedro que decidira proclamar a ‘total independência da nação brasileira’. Dessa forma, a descrição idealizada do ‘Grito do Ipiranga’ atendia com perfeição à memória que se queria firmar. Ou seja, a de que a ruptura da unidade luso-brasileira e a conseqüente independência do Brasil constituíram atos de exclusiva vontade do imperador-herói, que tudo fizera para a preservação da liberdade dos brasileiros contra o opressor português e que merecia ser reconhecido como ‘defensor perpétuo’ do Brasil”.

É triste saber que nossos heróis não são tão heróicos assim. Que nossas glórias também não são tão gloriosas assim. Não quero com isso dizer que não devemos ser patrióticos, muito pelo contrário, quero sim dizer que, ao lermos a nossa história oficial, devemos ter em mente que ela foi escrita segundo os interesses de uma determinada classe dominante na busca do consenso/dominação.
Fonte: LYRA, Maria de Lourdes Viana. O império em construção: Primeiro Reinado e Regência. São Paulo: Atual, 2000.

04 setembro 2007

Renan Calheiros é Corrupto... mas e cadê o Corruptor?


O escândalo da moda é o caso de Renan Calheiros ter suas contas pessoais pagas por um “lobista” da empreiteira Mendes Júnior. A imprensa e a CPI fizeram uma devassa na vida e nas contas do Senador, o que aliás, diga-se, é muito louvável e importante, pois muitos já haviam esquecido que Renan foi o “braço direito” de Collor e pudemos observar como seu patrimônio cresceu e como ele mentiu à Justiça Eleitoral sobre os bens que possuía, o que por si só já é passível de cassação e de prisão.

Renan é mesmo um corrupto (Dicionário Michaelis: 1. que sofreu corrupção; corrompido. 2. errado, viciado. 3. depravado, devasso, pervertido) e isso não tem como negar, no entanto, esquecemos que onde tem um corrupto, tem também um corruptor, isto é, aquele que “compra” o corrupto.

No caso, estamos falando da Empreiteira Mendes Júnior. Ora, porque a imprensa não fez uma devassa nas contas da empresa? Simplesmente porque a Mendes Júnior anuncia nos veículos de comunicação, e ninguém quer perder clientes. Você sabe quem é o dono da Empresa? Nem eu. Porque uma Empresa corromperia um Senador? Ora, porque é lá que está o dinheiro, as influências, as obras, os contratos e etc... E porque nenhuma CPI investiga isso? Porque os demais congressistas também têm o “rabo preso” com esse pessoal, ou você duvida disso? Aliás, se a Mendes Júnior conseguiu corromper o 3º homem do comando da nação, o que não faz nas prefeituras do país a fora!!!


Não podemos nos fazer de ingênuos e aceitar Renan Calheiros como o “boi de piranha” da questão. Aliás, apenas para encerrar, “lobista” é uma palavra mais bonita que na verdade quer designar “corruptor” (Dicionário Michaelis: Lobista: aquele que faz lobby; Lobby: pessoas ou reunião de pessoas que, originalmente nas salas de espera do Congresso, procuram, junto a legisladores, influenciá-los para obter medidas favoráveis para si ou para grupos que representam). E tem projeto na Câmara para torná-la profissão e regular sua forma de atuação no Congresso. E viva o Brasil!

02 setembro 2007

Quero meu PT de volta!


Já me referi neste Blog e não é segredo pra ninguém, que sou petista deste criancinha, mas isso não me impede de ter uma postura crítica diante da atual situação do Partido dos Trabalhos e os rumos que este vem tomando, então aproveitando que este fim de semana realizou-se o Congresso Nacional do Partido, esta é a minha simples reivindicação.

O PT nasceu como o maior fenômeno da política nacional, vindo das greves do ABC paulista, apoiado por ex-guerrilheiros, intelectuais, CEB´s da Igreja Católica, comunistas e muitos outros “istas”, o PT foi o divisor de águas da política nacional quando de sua fundação.

No início, o PT buscava mobilizar as massas, organiza-las. Nos anos 80, o PT era o verdadeiro Intelectual Orgânico a serviço da classe trabalhadora. Mas depois de duas derrotas presidenciais, uma guinada se observou na direção nacional, o “Lula light” passou a ser gestado, a coisa começou a ficar profissional demais, foi quando começou a debandada dos “românticos”.

A forma de fazer política do Governo Lula/PT reflete justamente isso, ao invés de fazer alianças com os movimentos sociais, com os trabalhadores e etc, o PT preferiu fazer aliança com caciques da laia de Ricardo Barros, Roberto Jefferson, Bispo Rodrigues, José Sarney e Renan Calheiros. Parece que o PT não estudou a história da Revolução Russa e a burocratização do Partido Bolchevique que o afastou dos Soviétes e possibilitou os desmandos de Stalin.

Quero o PT que conheci de volta. Aquele PT que mobilizava, organizava, reunia-se com a militância, onde não existia hierarquia e todos eram companheiros e que para filiar-se o Partido era necessário “comprovar” sua ideologia de Esquerda, a favor da minorias e pela justiça social. Bom, o que me consola é que a nível municipal ainda mantemos algumas destas características.



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